Paris Sem Luz

Bárbara Paz e Ricardo Tozzi

Ao entrar no teatro do SESI, as pessoas podem se despedir da Paris vista nos filmes. A ChampsÉlysées e a Torre Eiffel estão ali, mas sem as usuais cenas românticas. A ‘Cidade Luz’, aqui, é o local onde os jovens parisienses de classe média alta torram os cartões de crédito com roupas de grifes. Frequentam as baladas mais caras, bebem, fumam, tem um “aspirador de pó no lugar do nariz” e perdem as contas do número de pessoas com as quais já transaram.

Este cenário, comum a muitas partes do globo, é o ponto de partida do livro Hell – Paris 75016, da escritora francesa Lolita Pille. Adaptado ao teatro por Hector Babenco, é apresentado ao público com a atriz Bárbara Paz no papel de Elle, a Hell, e Ricardo Tozzi como Andrea. Focado na própria narrativa do romance, desenvolve-se quase como um monólogo – Hell relata suas experiências e a das pessoas com as quais convive. Todos possuem uma rotina despreocupada – circulam por inúmeras festas, em qualquer dia da semana. E não medem conseqüências. Afinal, para eles, não há nada a perder.

Em uma sociedade composta por pessoas cada vez mais vazias, Hell e Andrea se descobrem mais parecidos do que poderiam imaginar e passam a se relacionar. Eles partilham a crítica – cada um a sua forma – à superficialidade da geração da qual fazem parte. Logo no primeiro contato, ambos tomam conhecimento de sentimentos tão intensos que beiram o caráter nocivo – para eles, pessoas avessas a qualquer relacionamento amoroso. Um dos momentos mais belos da peça marca a primeira noite do casal, com movimentos semelhantes aos de uma dança bem coreografada.

Babenco e Marco Antônio Braz foram cuidadosos ao adaptar a obra, conservando em boa parte os diálogos. A cenografia é bem trabalhada. Um jogo de luzes conduz a narrativa da jovem e torna-se quase uma personagem na peça – intensificando as cenas e a emoção atribuída por Bárbara Paz à Hell. Com presença forte no palco, a atriz ofusca a fraca atuação de Tozzi. Ainda assim, ele consegue passar a frieza inicial de seu personagem habilidosamente.

O diretor capta a essência do livro e a pontua de maneira primorosa na peça. Em pouco mais que uma hora, consegue apontar algumas conseqüências do vazio e da futilidade dos jovens consumistas – em uma adaptação melhor e ainda mais intensa que a versão cinematográfica.

SERVIÇO

Teatro do SESI – São Paulo
Av. Paulista, 1313 – Bela Vista
De 7 de outubro a 19 de dezembro de 2010
De quinta-feira a domingo, às 20h.

Ingressos: Às quintas-feiras e sextas-feiras a entrada é franca, nesses dias a distribuição dos ingressos tem início a partir da abertura da bilheteria no mesmo dia do evento. Sábados e domingos – R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), vendas na bilheteria do teatro ou pela Tickets For Fun.
Bilheteria: De quarta-feira a sábado, das 12h às 20h30; domingo, das 11h às 19h30.
Tickets For Fun
(11) 4003-5588