Desafio Literário 2011- Um Dia, de David Nicholls

Histórias de amor caminham sob uma linha tênue, na qual procuram se equilibrar entre o óbvio e a criatividade para mostrar-se singular ou minimamente capaz de uma fuga do convecional. Não é difícil cair na mesmice. Embora não haja inovação alguma e isso aconteça sutilmente, Um Dia, de David Nicholls consegue atingir esse equilíbrio.

A história corre o risco de entregar-se ao óbvio constantemente, mas existe um cuidado do autor para que isso não aconteça. O fio condutor e fato peculiar da obra é a data especial para Emma Morley e Dexter Mayhem. O primeiro ‘encontro’ acontece no dia da formatura de ambos.

A partir de então, a cada ano, sempre no dia 15 de julho, eles partilham algum momento importante em suas vidas. A amizade se fortalece e a história de um acaba dependendo – embora de maneira indireta – da história do outro para acontecer.

Emma e Dexter não possuem nada de fantasioso. Todos os personagens não procuram bancar os herois. São todos extremamente humanos, vulneráveis como qualquer indivíduo comum. Nicholls possui um estilo despojado, e sua escrita é permeada por um humor espirituoso.

Essa naturalidade, porém, abriga mutuamente uma vantagem e uma desvantagem. Aproxima o ficcional da realidade e do ordinário, pois mostra uma realidade sem grandes floreios. O que pode prender ainda mais a atenção do leitor, ou parecer excessivamente real e tornar-se maçante.

Pois é justamente quando Dexter passa por uma fase conturbada que a obra perde um pouco do seu encanto inicial. Com a passagem dos anos, ele mantém a mesma personalidade inconsequente do período da faculdade. A imaturidade o deixa irritante em diversas passagens. Nicholls então procura atribuir-lhe choques de realidade. A sequência constroi a travessia pela qual passa o personagem. Apesar da personalidade irritante, ele evidencia nossa dificuldade usual em encarar problemas de frente.

Embora os personagens centrais partilhem o humor descontraído, Emma é mais frágil. Ela, sim, enfrenta os empecilhos com força e atravessa as experiências encontrando-se cada vez mais madura. Talvez seja essa a grande sacada de Um Dia. Emma e Dexter compensam seus defeitos e embates pessoais. Suas histórias, como dito anteriormente, se completam.

Aos desavisados, é importante lembrar que o livro não abriga um exemplo de genialidade. A história cumpre seu papel como um drama ameno. Um enredo envolvente, uma leitura leve. Para se envolver sem grandes questionamentos.

Correspondente ao tema de Dezembro do Desafio Literário 2011

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O peso do ausente (Desafio Literário 2011 – Nada Me Faltará)

Há um arquétipo bastante característico em todas as obras de Lourenço Mutarelli – indivíduos conturbados em diferentes níveis, sempre colocados frente a frente com algum embate. Usualmente, a personagem principal é utilizada para centrar o objeto criticado pela obra. Eles sempre representam a parcela da humanidade incapaz de se adaptar aos agouros da sociedade. Em Nada Me Faltará, o autor apresenta um personagem apático.

Mas não se trata de uma apatia comum – ela decorre de um acontecimento sem muitas explicações. Paulo desapareceu com a mulher e a filha. Os três saíram para uma viagem e, de forma enigmática, nunca mais retornaram. Paulo reaparece após um ano na porta de seu apartamento, e é surpreendido pela notícia de que o local onde morava foi devolvido ao locador. Ele não se lembra de absolutamente nada. E se ele não consegue entender o que aconteceu, quem dirá as pessoas de seu convívio.

Inicia-se uma viagem intensa e fora do comum em meio à tentativa de compreender o incidente. Amigos e familiares parecem cada vez mais afetados pelo estado impassível de Paulo. Todos passam a cobrar explicações, e ele, a cada dia, compreende menos o que se passou.

Quando a culpa parece pesar-lhe os ombros, ele procura um terapeuta, Dr. Leopoldo, para tentar recuperar o trauma que deveria acometê-lo. Os amigos não aceitam o fato de Paulo ficar indiferente com a ausência da mulher e da filha. Mas ele encara uma situação paradoxal – ao mesmo tempo em que não se lembra ao menos de ter se casado um dia, mantém a lembrança do momento em que saiu para viajar com as duas. O mesmo se aplica com relação às outras pessoas com as quais convive – a saudade e a preocupação de todos não faz sentido, pois, para ele, o tempo não passou.

Como outros livros do autor, a história se desenrola em uma linguagem mais teatral, com poucas descrições e concentrado em diálogos. O tom da obra é sombrio, e o enredo se constrói justamente pelas trocas de palavras entre as personagens. Outra marca bem característica do autor – os dados são colocados de forma sutil. Nada é explicado de forma simples e objetiva. Mutarelli exige a atenção do leitor para decodificar o que realmente aconteceu com Paulo.

Os amigos e familiares parecem mais preocupados em saber o nível de envolvimento de Paulo com o desaparecimento da mulher e da esposa. Os diálogos são sempre fechados, interrompidos por um corte abrupto, decorrente da dificuldade que todos partilham ao se expressar. Assim, Nada Me Faltará agrega algumas críticas. Entre elas, as que mais se destacam são a falta de comunicação e a opressão causada pela necessidade de seguir um padrão aceito pela sociedade. O excesso de preocupação, a exigência para levar uma vida “correta” e a necessidade de manter laços estáveis com familiares.

A leitura não é tão envolvente quanto nos outros trabalhos de Mutarelli. A leitura parece marcada pela necessidade de entender o incidente, o que acaba enfraquecendo o desenrolar da história.

Correspondente ao tema de Setembro do Desafio Literário 2011

Desafio Literário 2011 – O Ateneu

Em uma ficção que remonta cenários e acontecimentos por meio de minuciosas descrições, Raul Pompeia conta a história do Ateneu pela perspectiva de Sérgio. Aluno da instituição, ele cria uma “crônica da saudade” para contar a experiência vivida no internato durante dois anos. A construção narrativa é rica como muitos clássicos brasileiros – o autor oferece a ambientação como se pintasse uma grandiosa tela – fazendo apenas o bom uso da língua portuguesa para atingir esse fim.

O personagem Sérgio, ao início da história, concebe um mundo perfeito que observa de longe. Desde a concepção do próprio Ateneu até a descrição do diretor do local, Aristarco. A visão do garoto, a princípio, atribui estatuto de instituição ao diretor – como se o internato fosse a ele inerente.

É interessante observar a desconstrução paulatina do ideal do aluno a partir do momento em que o Ateneu passa a constituir sua realidade. Exposto como um estabelecimento de prestígio, a apresentação é alterada para um quadro degradante. A cada página, é notável o enfraquecimento do estatuto inicial tanto do diretor quanto do internato – fatos que parecem caminhar de mãos dadas.

Sérgio é um observador ávido, que escancara os absurdos do lugar de ensino a partir da perspectiva de convívio com os professores e colegas. Ele aponta, a partir de mínimas características, o quão intensa pode ser a transformação de um indivíduo comum em um ser humano desprezível.

Apesar das mazelas, há também momentos de glória. São descrições de momentos importantes da história – fatos, por vezes excessivos – que remontam fatos como se dispostos em linha cronológica. O despertar do personagem central para a arte literária também figura no livro por meio do “Grêmio Literário Amor ao Saber” – uma espécie de tomada de fôlego em meio à realidade sufocante do Ateneu.

Por meio de alegorias que contrapõem a degradação do homem a partir do cenário desmontado da instituição, Pompeia desvela sua crítica. Ela é escancarada, mas nunca se dá de maneira óbvia. Não é um clássico apreendido com facilidade, mas é essencial à formação de uma boa bagagem literária.

Desafio Literário 2011 – Prosa de Gaveta

Esclarecimento: Não resenharei Amostragem Complexa. Ao incluí-lo na minha lista, confundi com outro livro e só depois de lê-lo me dei conta – um pouco tarde – que a autora já havia publicado três livros. Para não deixar o tema do mês em branco, troquei por um livro que li no mesmo mês. Esse, sim, publicado este  ano. Novíssimo. :)

Tomarei a liberdade de mesclar primeira e terceira pessoa na resenha. O contato mais imediato permite, certo? Explico. Não conheço o autor pessoalmente, mas arrisco dizer que o conheço indiretamente via internet. Embora tenha me ausentado, faço questão de dizer que o fórum do Meia Palavra é um presente, desses recebidos em singelas partes a cada dia.

Foi a base para investigar melhor a minha curiosidade perante um livro que pretendia ler. Uma fonte para encontrar blogs que tiveram um início quase despretensioso, mas sempre se mostraram excelentes desde o princípio – e cresceram bastante com o passar do tempo. Logo, não seria surpresa ligar essa caixa responsável pelo armazenamento de tantas maravilhas a um livro escrito por um dos usuários.

Em poucas páginas, Guilherme Tauil consegue agregar um humor sutil e inteligente a todas as crônicas do seu primeiro livro, Prosa de Gaveta. Ele transforma situações banais do cotidiano em episódios curiosos, sempre com muita criatividade.

A dificuldade para remediar um bicho de estimação e para se movimentar pela cidade com um guarda-chuva, por exemplo, foram transformados em manuais. Há até mesmo um guia que indica maneiras rápidas para identificar pseudo-intelectuais. Intelectualóides é um dos muitos textos que evidenciam o humor ácido.

Ocasiões que de tão corriqueiras passam despercebidas e as usuais dúvidas de todo ser humano são ironizadas em contos como Religião de Botequim e Do lado de fora. Mas Tauil também consegue atribuir uma posição honrosa a algo aparentemente ordinário. É o caso de Ode ao miojo, um agradecimento quase poético ao macarrão instantâneo. Para concluir o livro, o autor mostra seu potencial para outras vertentes literárias com a poesia Síntese e no conto O Gato Manchado.

Prosa de Gaveta apresenta o mesmo prazer experimentado por leitores que aguardam um suplemento literário que só acompanha o jornal uma vez por semana. Um fato, aliás, que desperta a atenção é a ausência de pretensão. A narrativa flui bem, desenvolve-se com leveza. Percebe-se de imediato que o autor estava mais preocupado em transmitir uma ideia. Pois tenho percebido, em muitas obras de novos autores, um esforço muito grande em demonstrar o bom conhecimento do português – consequentemente, o enredo perde sua força.

Os grandes autores costumam ignorar a primeira obra escrita, pois sempre a consideram primária – até desprezível, em certos casos – com relação à evolução literária posterior. Espero que não seja o caso de Tauil, por ter começado tão bem e ter um futuro promissor.

Prosa de Gaveta infelizmente não está à venda. Mas vocês podem acompanhar a coluna de Tauil no Artilharia Cultural – e até mesmo ler a primeira crônica do livro, Destino Traçado.

Correspondente ao tema de Julho do Desafio Literário 2011

Desafio Literário 2011 – O Pagador de Promessas

Há um ditado recorrente no discurso cotidiano do brasileiro – “promessa é dívida”. Se ela é seguida à risca ou não, poucos sabem. Mas José Dias Gomes soube aproveitar para mostrar, por meio de um personagem, os níveis extremos encarados por um indivíduo para cumprir a promessa feita. Em O Pagador de Promessas, a dívida é levada a sério. E Zé do Burro, religioso casto, enfrenta o que for possível para agradecer pela graça concedida por Santa Bárbara.

A tarefa de Zé do Burro consistia em carregar uma cruz de sua cidade no interior da Bahia até a capital, Salvador. Um trajeto a ser percorrido a pé – o que consistia em mais ou menos 24 horas de caminhada. E ao chegar, depositaria a cruz no altar da Igreja de Santa Bárbara. Todavia, sua chegada estaria envolta por muitos percalços.

Acompanhado pela esposa e exausto, apesar de todo o esforço, o padre não permite que ele entre na igreja, pois a promessa foi feita em um terreno de Candomblé. Afinal, para Zé do Burro, a Iansã do Candomblé era a mesma Santa Bárbara, apenas com outra representação.

Por ser uma peça teatral, a história se apresenta com uma linguagem simples – em conjunto com a modesta extensão do texto. Em três atos, apesar de proporcionar uma leitura rápida, o autor faz críticas pesadas a preconceitos e estereótipos recorrentes na cultura brasileira.

Apesar do cunho religioso como norteador, a religião não é o tema central. Cada crítica não se apresenta de forma mordaz, mas sim concentrados em um campo de pura ironia. Algo que lembra, em muitos momentos, o “jeitinho brasileiro” de contornar todos os tipos de situações.

O autor concentra inúmeras tensões sociais em um único núcleo de personagens. É possível mesmo dizer que ele concentra as divergências em uma praça pública ao longo de um dia.

A obra apresenta um grande valor tanto para a literatura quanto para o cinema brasileiro. Para se ter uma ideia, basta lembrar que a versão cinematográfica ganhou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro em Cannes, no ano de 1962.

Esta resenha corresponde ao tema de junho do Desafio Literário 2011.

Paris e Londres sem glamour

A imagem imediata que se tem quando o assunto são os países europeus remete, para muitos, a uma paisagem interessante e raramente decadente. Difícil, por exemplo, imaginar Paris sem os cenários românticos e os belos monumentos históricos. O que dizer, então, de Londres, com toda sua sofisticação e perante o glamour da Família Real?

Embora não se trate de um cenário atual, o escritor George Orwell, – pseudônimo de Eric Arthur Blair – desconstrói a imagem de perfeição das duas capitais. Ele mostra o lado da pobreza através de relatos do cotidiano e as dificuldades enfrentadas por pessoas com pouco ou nenhum dinheiro. Na Pior em Paris e Londres integra a coleção Jornalismo Literário, da Editora Companhia das Letras. Afora as experiências das pessoas de seu convívio, Orwell viveu todos os escritos.

Em uma narrativa hábil e bem construída, o autor expõe a realidade sem atribuir-lhe caráter ficcional. Certamente, por ser escrito após a experiência por ele vivida, há detalhes que fogem um pouco da situação real. Mas o tom de romance é responsável apenas pelo estímulo – cada etapa desperta a curiosidade para aquela que a sucederá. Mas é importante destacar que não há floreios nas descrições. Apesar do humor sarcástico presente em boa parte das passagens, o escritor relata com crueza todos os agouros de não enxergar uma perspectiva de amparo e ter de lidar diariamente com as incertezas. Ele passa, por exemplo, muitos dias sem se alimentar – ou sobrevivendo apenas com pão seco e chá.

Após a temporada em Paris, onde disputava espaço com percevejos e encarou o temível emprego como plongeur, Orwell partiu para Londres. O plano era iniciar um trabalho arranjado por um amigo. Para o azar do autor, o início não era imediato. Na capital francesa, o trabalho pecaminoso lhe dava poucas horas de sono – o dia era preenchido pelo espaço sujo do restaurante do hotel.

Ao chegar em Londres, sem perspectiva de emprego, foi preciso lidar com um agravante. Há uma lei que proíbe a permanência na rua – não se pode pedir esmola, muito menos se sentar no chão. Fato que o leva a peregrinar ao longo do dia até encontrar um novo albergue. Pois, como se não bastasse lidar com tantos descaminhos, os indivíduos não podem passar pelo mesmo albergue duas vezes.

Felizmente, Orwell conviveu com pessoas de personalidades bastante peculiares. São eles os responsáveis pela tônica do livro – contemplando, sempre, a forma como encontrar forças para a sobrevivência diária.

É curioso notar que, apesar das tentativas de publicação de seus livros falharem na maior parte do tempo, o escritor jamais desistiu. Tanto que hoje é mundialmente conhecido pelas obras A Revolução dos Bichos e 1984Na Pior em Paris e Londres, em um discurso franco, não quer despertar a sensação de comiseração em ninguém. Alerta apenas às dificuldades mais profundas da miséria, muitas vezes invisíveis aos transeuntes. Para pensar duas vezes antes de se fixar aos estereótipos.

ORWELL, George. Na Pior em Paris e Londres.  Editora Companhia das Letras, 2006. Tradução: Pedro Maia Soares. 256 págs. Preço sugerido: R$49,00.

[Publicado também no Site de Cultura Geral da Faculdade Cásper Líbero]

Correspondente ao tema de Maio do Desafio Literário 2011

Desafio Literário 2011 – Até Mais, E Obrigado Pelos Peixes!

Não é novidade ouvir alguns leitores da série O Guia do Mochileiro das Galáxias dizendo que Douglas Adam deveria estar caído de amores ao escrever o quarto volume da coleção. Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes, é o adendo quase perfeito à “trilogia de cinco”. A narrativa é permeada por um tom poético. Até os elementos mais sem sentido são amenizados por descrições delicadas na maior parte do tempo.

Mais uma vez Arthur Dent aparece deslocado e confuso, sensação intensificada ao descobrir as desventuras do amor. Ele aparece na Terra, e aparentemente tudo continua exatamente como no momento que antecedeu a destruição do planeta. O prelúdio da destruição é colocado como mera intervenção do governo para confundir a nação.

Mesmo atrapalhado durante a fase inicial de reconhecimento, ele logo se adapta. Mas passa a dividir o tempo entre a curiosidade para saber o que aconteceu na Terra durante seus oito anos de viagem pelo universo e a sua nova namorada. Até o nome atribuído à personagem parece uma referência ao ridículo do amor: Fenchurch.

A trama se concentra no casal. Não há mais acontecimentos mirabolantes, ação, e o humor inteligente também diminui a frequência nas passagens. Há apenas um ponto a ser desvendado – o motivo do sumiço dos golfinhos do mundo, bem como a presença de um misterioso e belo aquário na casa de Arthur. Sem contar o fato que a cada página deixará o leitor mais curioso – o paradeiro de Marvin, Trillian e Zaphod.

Entre os quatro livros, sem dúvidas este é o responsável pela leitura mais leve. Os acontecimentos não despertam sensações, e parecem moldados para puro entretenimento. O que não é de todo ruim. Afinal, o autor mantém uma boa escrita e consegue estabelecer uma boa ligação entre os fatos. Por outro lado, muitos aspectos deixam a desejar. Se em A Vida, O Universo e Tudo Mais havia uma preocupação em explicar todas as interrogações deixadas pelos volumes anteriores, Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes deixa várias lacunas no enredo. Sem entrar em detalhes do desfecho, que não poderia ser mais triste.

Mas seria maldade não atribuir os devidos créditos à Adams pela montagem do quarto livro da série. Nada mais sensato do que redigir um prólogo curto e inteiramente envolvente como degustação no início da obra. Estratégia de gênio para capturar a concentração e interesse do leitor.

ADAMS, Douglas. Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes! Editora Arqueiro, 2009. Tradução: Marcia Heloisa Amarante Gonçales. 142 páginas. Preço sugerido: R$19,90.

Esta resenha corresponde ao tema de Abril do Desafio Literário 2011.