Meme: Palavras Cruzadas – 15 livros

A Julie me indicou para uma tag bem divertida sobre livros. Foi criada pela Inês, do InesBooks, com a ideia de listar 15 livros a partir de alguns temas. Já vi que muita gente respondeu – aproveitei para roubar algumas dicas, por sinal – então, caso ainda não tenha sido indicado, deixo em aberto para quem se interessar em fazer a própria lista (: (Adoraria ver as sugestões da Melissa, da Thais e da equipe do Livros Aquáticos)

1) Vox Populi (um livro para recomendar a toda gente)

Adiei por motivos de “síndrome do livro querido”. Todo mundo gostava e tinha a sensação de que detestaria quando começasse. Era até meio absurdo: estava quase no fim da faculdade de jornalismo sem nunca ter lido A Sangue Frio, de Truman Capote. Até um professor transformá-lo em leitura obrigatória. Logo entendi essa paixão desenfreada. Independente das especulações, a forma como o livro te prende é uma coisa absurda. Recomendo fácil para qualquer pessoa, pois embora seja um tema pesado, a escrita de Capote é bastante sedutora e tem essa vantagem de contar um fato real com pitadas de ficção.

2) Maldito plágio (o livro que gostaríamos de ter escrito)

Está permitido sonhar alto nessa categoria? Adoraria ter escrito Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes. Fiz o caminho inverso e li muita coisa teórica dele, até uma professora me pedir para ler A Câmara Clara para um trabalho acadêmico. A cada frase sentia um arrepio tão grande que o destino a Fragmentos aconteceu de forma natural. Que livro, minha gente. Barthes tinha uma habilidade incrível para falar sobre coisas que nos doem de uma maneira linda. Pelas letras dele sofrer parece até prazeroso. Queria ter pelo menos 5% do talento de Barthes (e sim, é claro que aceito uma cópia de presente porque minhas leituras se limitam a empréstimos de bibliotecas e da minha própria irmã, que já não vê a cara do livro há uns quatro anos).

3) Não vale a pena abater árvores por causa disso

Estou com a Anna: Por Isso a Gente Acabou, de Daniel Handler. Sabe quando você pega uma obra pensando que vai adorar e já sente aquela decepção nas páginas iniciais? Poisé. Antes de comprá-lo, folheei fascinada pelas ilustrações, o que me deixou ainda mais iludida. A ideia era boa, mas gente, quantos personagens insuportáveis. Ninguém se salva, juro que não é exagero. Tão crítico que nem mesmo o fato de ter esses desenhos bonitos o salvaria.

4) Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)

Clássico caso de O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. Preciso esclarecer que reconheço o valor da obra em termos de literatura e não acho nem um pouco ruim, pelo contrário. Foi uma boa leitura e até me identifico um pouco com Holden Caulfield, tínhamos muito em comum no auge dos meus 16 anos. Mas sabe quando você termina com aquela sensação de que queria ter gostado muito mais? Então.

5) Eu tentei… (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)

2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Arthur C. Clarke. Adoro o filme (Stanley Kubrick <3), apesar de toda a brisa, mas acabei empacando no livro. A leitura fluiu super bem até um dado momento, e confesso que o autor é bem minucioso na tentativa de fisgar o leitor. Infelizmente não funcionou tão bem comigo, e cheguei a uma altura da obra em que ficou difícil seguir adiante. Quem me acompanha no Goodreads deve ter visto que outros livros já atropelaram 2001. Ainda assim não quero desistir, pois até onde li foi fundamental para esclarecer algumas questões que não ficaram muito claras na adaptação. Ainda retomo, aguardem.

6) Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro com final surpreendente)

Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lionel Shriver (com essa capa tenebrosa mesmo). Já tinha visto o filme, que foi motivo suficiente para atiçar minha curiosidade e ficar maluca para ler o livro que o inspirou. Sabia o final, mas pela releitura feita pela diretora as explicações não ficaram tão claras. Tanto que durante a leitura fiquei bem surpresa com o desfecho. Hoje é um dos meus livros favoritos. Lembro que lia as páginas finais bem embasbacada, era tudo surreal demais pra ser verdade. Me desculpem o spoiler, mas gente, que autora maravilhosa. NÃO LEIA SE VOCÊ TEM AVERSÃO A SPOILERS: Você tem a impressão de que o marido está vivo a todo o momento, como se só houvesse ocorrido uma separação do casal e não, ele está morto, e você só descobre isso nas páginas finais. Baita livro.

7) Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)

Sou dessas que gosta de ler QUALQUER livro com calma. Dizer que “devorei” um livro é uma lenda, pois mesmo com uma leitura envolvente sou meio lerda. E tenho essa coisa de não querer acabar por nada neste mundo quando estou gostando, rola todo um apego. Até chegar a Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer. Peguei em uma biblioteca e tinha duas semanas de prazo para devolução, mas risos eternos, daria pra lê-lo cinco vezes. Chorava e abraçava o livro no transporte público, teve um efeito inesperado sobre mim. Terminei em três dias meio sem acreditar, mas o apego foi tão grande que mesmo a minha tradição de enrolar com uma leitura parecia absurda. Safran Foer é de coração.

8) Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)

Um livro chamado Gula – O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Veríssimo parece meio óbvio para essa categoria, mas não consegui pensar em outra coisa. Lembro que li quando estava na praia e era triste encarar um prato de peixe com arroz depois e ler a descrição de todas as comidas degustadas em Gula (aliás, fica a dica, a leitura flui que é uma beleza e também é vendido em versão pocket).

9) Fast forward (um livro que poderia ter menos páginas que não se perdia nada)

Podem me julgar, pois é daqueles que todos adoram e só insisti porque precisava resenhá-lo para uma atividade da faculdade. Não vejo a menor graça em Abusado, de Caco Barcellos. É possível que tenha lido na hora errada, não duvido. Só não entendia qual era o apelo, sendo que para mim foi custoso chegar à página 50 (imaginem então dar cabo ao livro, que é uma tora!). Cortaria facilmente várias páginas dele. Menção honrosa para Le Gone Du Chaaba, de Azouz Begag. Várias páginas descartáveis de um livrinho sem vergonha, desses que você fica contando quanto falta para acabar de tão insuportável. O de Barcellos tem momentos interessantes, confesso, mas o de Begag não tem nada que se salve.

10) Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)

Antes de ler O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar, passava pela livraria e perguntava pelo livro que tinha nome de brincadeira de infância. Pode não significar nada para vocês, mas para mim era de uma simplicidade absurda. Adoro a forma como o título brinca com a própria estrutura da obra e era desses que morria de medo de não gostar quando fosse ler. Grata surpresa. Também sou chegada a títulos esdrúxulos e não fosse minha antiga compulsão para ler tudo de Caio Fernando Abreu em um dado momento da adolescência, é certo que leria Os Dragões não Conhecem o Paraíso só pelo título.

11) O que vale é o interior (um livro bom com a capa feia)

Morro de dó porque nem é um livro muito conhecido e poxa, a capa não ajuda nem um pouco. Até incluiria na categoria anterior, pois o título desperta atenção. Era Uma Vez o Amor Mas Tive que Matá-lo, de Efraim Medina Reyes é maravilhoso, desses livros de quem só se ferra no amor mas aprecia uma boa música.

12) Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)

Nos dias de preparatório para o TCF pegava um trânsito daqueles na Faria Lima, o que pelo menos me ajudava a colocar a leitura em dia quando não estava com muita dor de cabeça. Depois de chorar muito com Junot Díaz e seu É Assim que Você a Perde, deixei de ser idiota e resolvi levar O Manual de Sobrevivência dos Tímidos, do Bruno Maron, comigo. Chorava de tanto rir sozinha no coletivo, sou dessas. Galera não entendia muito bem, mas a identificação era tanta que mal me aguentava.

13) Tragam-me os Kleenex, faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)

Tem alguém que chora bastante com qualquer livro, sou sensível e literatura me tira lágrimas com facilidade. Escolhi um exemplo recente para ilustrar. Levels of Life, de Julian Barnes, me deixou seca. A dor de Barnes me parecia bem próxima e quando me dava conta estava com o lencinho ao lado para conter o chorôrô. Vale citar também Uma Crença Silenciosa em Anjos, de R. J. Ellory, que tinha tanta catástrofe e um personagem central tão azarado que parecia até errado não me comover com a dor dele, como se fosse uma pessoa de verdade.

14) Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)

Sou super tranqüila, superei a fase de receio ao emprestar. Tanto que às vezes nem cobro o livro de volta, acabo me esquecendo (eu sei, o desapego precisa ter limites). Mas tenho ciúmes da minha edição de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Virou algo íntimo demais para estar nas mãos de outras pessoas. Depois do nosso estranhamento nas primeiras 100 páginas me entreguei sem medo à leitura e o livro ficou todo riscado. Grifos, comentários, tudo em excesso. É meu livro mais sujo e objeto de apego. Nem me imagino conseguindo emprestá-lo.

15) Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)

Fiquei atraída pelo autor quando um folder sobre suas obras caiu de pára-quedas de dentro de uma revista da Livraria Cultura. Citava trechos e discutia sobre o tema de cada livro. Depois de um bom tempo comprei Bartleby e Companhia, mas nunca li. Enrique Vilas Matas me parece incrível, mas mesmo com um livro em mãos fico adiando por algum motivo que me é desconhecido. Mas não é por mal, tanto que nunca nem comecei a lê-lo. Ainda não desisti dele.

Nocilla Experience, de Agustín Fernández Mallo

Nocilla Experience, de Agustín Fernández Mallo, é a segunda publicação da trilogia Nocilla. Prefiro não chamar de sequência, visto que não há conexão direta com seu predecessor. São livros independentes. O que os une é a forma como são montados – uma sequência de microcapítulos de caráter – ao menos à primeira vista – independente. Conhecemos personagens diferentes, porém com o mesmo teor que atribuiu as três obras à categoria de literatura zapping – fatos e pessoas que vão e voltam sem necessariamente estabelecer laços.

A excentricidade se acentua por meio de situações de aparente banalidade. Este volume acumula também mais recortes de outros trabalhos. El pop después del fin del pop, de Pablo Gil, é citado com frequência, agregando aspas de artistas como Beck, Thom Yorke e Björk a respeito da música como arte. Julio Cortázar aparece de modo inesperado – com um peso equivalente ao de Guevara em Dream. Trechos de O Jogo da Amarelinha são reproduzidos, e o autor interfere algumas cenas como um velho maluco e sua “Teoria das Bolas Abertas”. Francis Ford Coppola também dá as caras de vez em quando com o capitão Willard, de Apocalypse Now.

Sua primeira aparição é no terraço de Marc, lugar que mais parece uma verdadeira instalação – Marc distribui suas teorias em folhas de papel penduradas no varal. Ele consulta o Guia agrícola Philips 1968 e tenta demonstrar em termos matemáticos que “a solidão é uma propriedade, um estado, conatural aos seres humanos superiores”. Um disco de Sufjan Stevens, o fato de ter sido abandonado por Sandra e a amizade com Josecho – que conheceu na internet e parece partilhar o mesmo ideal – o ajudam a desenvolver sua teoria.

Sandra morava, como Marc, em Palma de Mallorca, na Espanha, e vai para Londres estudar a história dos dinossauros. Lá conhece Jota, um peculiar artista plástico oriundo de Ulan Urge, cidade situada no sudoeste da Rússia. A cidade abriga uma espécie de museu do ludo, encerrado em uma imensa construção de vidro – abarrotada de coisas relacionadas ao jogo e tendo como único sinal de “vida” um rádio esquecido, que tagarela notícias do mundo para ninguém ouvir.

Entre as muitas figuras esquisitas que habitam a obra, há também Ernesto, cujo projeto arquitetônico mais ambicioso é a Torre para Suicidas; um senhor que ocupa os primeiros quatro andares de um prédio para a criação de porcos; e um americano que abandona o marasmo se sua residência para atravessar os EUA e chegar ao Canadá – tudo isso a pé.

Por vezes temos a impressão de que Mallo, em um processo metalinguístico, embarca no ambicioso projeto transpoético de Josecho: “escrever” uma obra que se constroi a partir dos primeiros parágrafos de diversos clássicos. Uma espécie de Romance Frankenstein intitulado “Ajudando os enfermos”. Embora esteja esquematizado como o primeiro volume da série, Experience possui mais citações e menos histórias paralelas, o que sem querer intensifica a conexão entre elas e, consequentemente, torna a leitura mais fluida. Cada fragmento parece puxar o outro, despertando o anseio para saber qual será o próximo ato ousado de um personagem; ou medindo o inesperado teor de estranheza que pode surgir no relato seguinte.

Há quem veja isso como um aspecto ruim – em teoria, não há tanto material escrito pelo autor – tipo de estranhamento esperado perante o aspecto do projeto. Desde o início é notável seu caráter experimental – uma obra que se constrói sobre outra e nesse ato faz mais uma homenagem, e não mera reprodução. É aconselhável abrir mão de preconceitos literários e abraçar a loucura do escritor.

MALLO, Agustín Fernández. Nocilla Experience. Editora Companhia das Letras, 2013. Tradução: Joana Angélica d’Avila Melo. 248 págs. Preço sugerido: R$37,00.

Para ler ouvindo:

Livro lido para o Desafio Literário do Tigre no mês de janeiro. O tema era “Na Estante”. Para saber mais sobre o Desafio, leia os posts do blog com a hashtag #DLdoTigre ou acesse a fanpage.

Nocilla Dream, de Agustín Fernández Mallo

Declarar que há um quê de road movie em Nocilla Dream, romance de Agustín Fernández Mallo, é bem apropriado. Percorrer suas páginas é como fazer uma viagem mundo afora – seus personagens não se limitam a um único lugar, espalhando-se pelos Estados Unidos, Argentina, China, entre tantos outros. Muitos dos microcapítulos que compõem a obra parecem curtas histórias independentes, sem uma conexão aparente. E então vem a pergunta: qual é o sentido de tudo isso? Seu grande trunfo é exatamente esse – não se descabelar em uma busca por coerência.

A depender do ponto de vista, o livro pode ser visto como uma bagunça organizada, a julgar pelo caminho tomado perto de suas páginas finais, quando alguns elementos da história passam a se repetir – em especial o álamo próximo a Carson City, cheio de calçados pendurados em seus galhos, um “objeto” que se transforma em referência para vários personagens.

Mallo quer nos passar, por meio das letras, a sensação de sucumbir em meio ao excesso de informações tão característico dos nossos tempos. É, de fato, como apontado na orelha do livro, semelhante ao ato de abrir múltiplas abas no navegador e perder a noção do que te levou a uma página específica. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em maio de 2013, ele declarou: “Acredito numa arte feita de mistura e de fragmentos, de cenas e de outras artes, porque assim é a vida contemporânea. Não lidamos com a linearidade nem com a homogeneidade em nosso dia a dia. Penso que a arte deve refletir isso”. De certa forma, Nocilla Dream nos leva a explorar a nossa realidade, a avaliá-la com distanciamento crítico. Ao comparar o homem a maquina, suscita também a questão da solidão, que está impregnada em boa parte dos fragmentos.

“Payne gostava de todos os hotéis pelo que cada andar possuía de estrato de solidão; lá no alto, no último estrato, a solidão alcança seu ponto máximo, mas também o alcançam a bela vista e o conforto. Uma solidão narcótica, acolhedora, que jamais te obriga a sair”

Em meio a essa chuva de dados o autor sempre encontra um elemento peculiar para prender a atenção do leitor – personagens esquisitos, situações peculiares e citações colhidas em sites (acrescidas da fonte online, inclusive) que confundem realidade e ficção. Em Nocilla Dream há o conceito de micronações, um homem em conflito ante o seu fascínio por Jorge Luis Borges (ele cria um templo para seu ídolo), um designer de tampas de bueiros (que se diz parte de um seleto grupo pertencente a mesma profissão), Kenny, um homem que após complicações com o passaporte decidiu por bem habitar na extensão de um aeroporto, um trabalhador que cria uma nova atividade esportiva – a Passagem a Ferro Radical. Até Che Guevara vira personagem ficcional ao forjar a própria morte – e aparecer rindo da sua imagem estampada em camisetas.

Para esclarecer a quem não sabe, Nocilla é uma pasta de avelã da Espanha, semelhante a Nutella. Também foi homenageada pelo grupo punk Siniestro Total, e inspirou Mallo a chamar sua trilogia de “Nocilla”. Nocilla Dream inaugura a “série”, composta também por Nocilla Experience – lançada recentemente no Brasil; e Nocilla Lab, ainda sem tradução.

É notável o apuro ao colher referências de outros escritores e de sua própria formação profissional – Mallo é físico e, ao menos até 2008, segundo matéria do El País, seguia seu trabalho conciliando o ofício de escritor como uma ocupação “extra”. Não é um livro que conquista de imediato, muitos podem estranhar o seu formato e torcer o nariz à proposta do autor. Ainda assim, vale como um exemplar digno de apreciação do que tem sido feito em termos de literatura contemporânea em língua espanhola.

MALLO, Agustín Fernández. Nocilla Dream. Editora Companhia das Letras, 2013. Tradução: Joana Angélica d’Avila Melo. 216 págs. Preço sugerido: R$35,00.

Desafio Literário do Tigre 2014

Não queria mais reclamar de 2013, mas não posso negar que foi um desastre. Em termos literários, então, foi quase lamentável. Li coisas muito boas, é fato, e disso não posso reclamar. Só que essa lista escassa de leituras me deixa um tanto decepcionada, ainda mais para uma pessoa tão apaixonada por literatura.

Pensando nisso, resolvi encarar a empreitada de um desafio literário neste ano. O Desafio Literário do Tigre 2014 foi criado pela querida Tadsh, outra traça do mundo blogueiro (já aproveito para recomendar a leitura do blog dela!). Estou bem empolgada com a ideia. Não quero que seja uma “resolução de ano novo”, detesto essa ideia e já abri mão de fazer planos há muito tempo. Pensei que seria legal participar mais pela brincadeira, pela possibilidade de trocar opiniões sobre livros, pegar dicas e ainda fazer recomendações.

Vou postar a imagem com a lista de temas, mas quem quiser participar e saber mais detalhes pode clicar aqui!

La petite fille de Monsieur Linh, de Philippe Claudel

Nas primeiras páginas conhecemos um homem que perdeu tudo – a comunidade da qual fazia parte foi devastada pela guerra, os familiares faleceram, e as lembranças físicas se limitam a uma foto, um saco com um pouco de terra de sua pátria, e uma bebê “mais leve que a mala”. A criança em questão é sua neta, única sobrevivente junto a ele. Ainda desorientado com todas essas circunstâncias, ele é levado, junto a pessoas em situação semelhante, para outro país, na esperança de reconstituir a vida em uma nação que não foi destruída.

Nós não sabemos de onde ele saiu, muito menos para onde se destina. Em nenhum momento essa informação é fornecida de prontidão ao leitor. Há indícios de que Linh saiu de alguma parte da Ásia e foi parar em território Europeu. Em La Petite Fille de Monsieur Linh, Philippe Claudel nos convida a juntar os pontos e descobrir que terras desconhecidas são essas – proposta que parece insana a princípio. Percebemos, no decorrer da obra, que é um recurso sensato do autor para mostrar que sua história poderia acontecer em qualquer parte do mundo.

Recém-chegado em terras estrangeiras, Monsieur Linh é direcionado a um dormitório. Das diversas pessoas ali instaladas, com exceção da assistente do local, ninguém fala a mesma língua – o que intensifica o sentimento de deslocamento. Ele não sai para dar uma volta e pouco fala. Ocupa seu tempo apenas com a neta, uma bebê tranquila que pouco reage aos acontecimentos dos arredores.

Quando Linh resolve dar uma volta, apesar do medo de se perder e não encontrar o caminho de volta, descobre um parque logo a frente do dormitório. Um dia, sentado em um dos bancos, é surpreendido por Monsieur Bark – um senhor falante que executa um verdadeiro monólogo ao seu lado. Ele estranha, não compreende uma palavra, mas sente um crescente conforto na companhia de um desconhecido que lhe dedica atenção. Incomunicabilidade é um problema apenas àqueles que a permitem – inicia-se assim uma verdadeira amizade baseada unicamente em expressões corporais.

Claudel adota um vocabulário de fácil compreensão, mas faz descrições apuradas das sensações experimentadas pelos seus personagens. É um verdadeiro tradutor das coisas não físicas que cremos serem indescritíveis. Colocar-se na pele de Linh é quase uma ação automática durante a leitura – seus medos e anseios não parecem impossíveis e, com o desenrolar da história, deixam o leitor tão angustiado quanto o personagem.

Para quem não sabe, o autor também já trabalhou como diretor e as marcas de um cineasta são bem evidentes nesse livro. Ele esteve na primeira edição da Pauliceia Literária e enfatizou as diferenças mais pontuais dessas duas formas de trabalho. Reforçou a facilidade que a literatura oferece ao dar liberdade à imaginação do autor. No cinema, a dificuldade é redobrada: as imagens entregam tudo sem grandes mistérios – é necessário construir os enigmas da trama por meio de expressões físicas, por exemplo, criar uma ambientação que seja tão desafiadora quanto os cenários criados na escrita.

Pela metade do livro, temos a impressão de que tudo atingiu um nível de estabilidade e paz. Até o momento em que o enredo altera seu rumo por completo com a mudança do velho senhor para outra residência. Indícios mostram um local como um sanatório – pessoas vestidas com as mesmas roupas, nenhuma interação, gente que mal se comunica. Linh fica ainda mais sozinho. Perde o contato com Bark, não possui mais uma única pessoa capaz de compreender sua língua.

Nesse ponto fica complicado desenvolver alguns pontos sem entregar informações cruciais, que podem ser vistas como spoilers. Ao leitor, é o momento em que diversas interrogações começam a ser respondidas e tentar imaginar-se no lugar do personagem central passa a ser uma missão ainda mais dolorosa que nas primeiras páginas.

Sem entregar mais spoilers, digo que a amizade entre Linh e Bark é uma das mais bonitas que já vi na literatura – é impressionante a intensidade dos laços estabelecidos entre ambos embora não saibam uma mísera palavra em comum que lhes permita a comunicação verbal. Uma cumplicidade tão real que valida toda a proposta de Claudel – pouco importa a origem e o destino de cada um. Amizades de verdade destroem qualquer barreira.

CLAUDEL, Philippe. La Petite Fille de Monsieur Linh. Editora Livre de Poche, 2007. 151 págs. Preço sugerido: R$29,70

Sobre a brevidade das coisas e o seu efeito devastador

Nunca se engane pela brevidade. Ao ser objetivo, por vezes, um autor engana com suas frases curtas – um toque sutil que pode ser mais mais doloroso que um discurso longo e cheio de pompa. Se há um escritor contemporâneo entendedor desse recurso, é o chileno Alejandro Zambra. Seus dois livros traduzidos e publicados no Brasil, Bonsai e A Vida Privada das Árvores, são bem curtos. Daquelas leituras que você finaliza tranquilamente em uma tarde. Isso, claro, se você tiver o psicológico forte o suficiente para encarar todas as páginas em uma única tomada.

Bonsai, por sinal, rendeu um projeto gráfico bem interessante da CosacNaify, que dialoga com o título e com a tradição japonesa de dobraduras. Não se sintam mal com a vontade de cortar essas margens e deixar a obra mais minimalista. Parece até um recurso para reduzir a carga emocional da trama.

O livro conta a história de Julio e Emilia. Na sinopse, um aviso – não existe um desfecho feliz. “No final ela morre e ele fica sozinho”. A curiosidade do leitor não morre aí. Resta saber como o caminho deles se cruzou, o que os tirou da mesma rota e quais foram os acontecimentos que os mantiveram juntos nesse meio tempo. Eles estudam Letras, motivo que permeia o texto com diversas referências literárias. Entre elas, um lugar-comum entre os amantes da literatura. Ambos mentem que já leram Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust – e sustentam a mentira como ninguém. Para um relacionamento que mantinha tudo às claras, talvez fosse essa a única mentira entre eles. Tudo parecia promissor a ponto de entregar destino do relacionamento a uma planta – o bendito Bonsai.

Em meio ao interesse pelos livros, antes do sexo eles compartilham passagens de diversas obras. Entre elas, um conto de Macedonio Fernández. Intitulado “Tantalia”, o enredo apresenta um casal que compra uma planta para representar o sentimento que os une. Um dia, percebem que se ela morrer, morrerá também o amor que os une. Em uma metáfora bem direta aos descaminhos dos relacionamentos, eles resolvem misturar a planta em meio a uma multidão de plantinhas semelhantes – que acaba desviando suas intenções, tornando-os infelizes ao perceberem que jamais a encontrarão novamente.

A leitura é tão forte que a realidade torna-se insustentável. Emilio segue seu rumo com as letras, Julia vai embora para Madri. Em uma circunstância comum, cada um segue seu rumo. As marcas do passado os perseguem de certa forma, mas a vida segue seu fluxo de uma forma tão natural que chega a provocar certo desconforto no leitor. Aquela constatação de que a vida nos pesa com coisas mínimas, que parecem superficiais, mas são essenciais à nossa construção como ser humano maduro.

Em A Vida Privada das Árvores, é como se observássemos uma extensão do tema abordado em Bonsai. Até o personagem central leva um nome parecido. Aqui, quem protagoniza a história é Júlian. Casado com Verónica, o escritor passa um dia em casa à espera da esposa. Entre os afazeres domésticos e seu trabalho, cuida de Daniela, sua enteada. A garota é novinha e pede uma história ao padrasto antes de dormir. Daí o título. Júlian improvisa diálogos entre duas árvores – o álamo e o baobá. Ambas se veem confrontados por questões existenciais e refletem as angústias de seu narrador.

Preso à espera, ele encara a passividade de quem alimenta uma expectativa já sem grandes esperanças. Ele trabalha em um romance, no qual cria a história de um homem jovem que se dedica a cuidar de um bonsai – quiçá uma coincidência, visto que a obra não é extensa.

Esse “marasmo” caseiro o leva a rememorar passagens marcantes e confabular sobre o futuro. Ele se lembra de seu relacionamento anterior, com Karla, e de todos os seus descaminhos. Ele ainda não compreende os motivos do término. Da mesma forma, pensa no primeiro – e rápido – casamento de Verónica. Chega até a imaginar o comportamento de Daniela ao se deparar com o padrasto já na vida adulta.

Júlian preenche o vazio de suas expectativas com experiências inconclusas, como se não conseguisse manter o controle sobre suas próprias ações e tivesse certo temor pelo porvir. Em uma avaliação geral, seu posicionamento não é nada extraordinário. É justamente esse o ponto da ficção de Zambra nesses dois livros: uma história inventada, porém impregnada de realidade a ponto de provocar inquietações nos leitores.

Em dada medida, ele nos convida a experimentar a sensação de ser uma árvore – um estado de mobilidade momentânea, de permanecer em um local sem perspectivas de mudanças, apenas fincando suas raízes. A realidade de Zambra trata do desconforto de estar na própria pele sem saber ao menos por onde começar para escapar ou mesmo se livrar dessa sensação.

Com sua objetividade, torna tudo ainda mais pontual e agudo. Daquelas coisas que nos incomodam, mas ficam terrivelmente interessantes quando retratadas na literatura.

ZAMBRA, Alejandro. Bonsai. Editora CosacNaify, 2012. Tradução: Josely Vianna Baptista. 64 págs. Preço sugerido: R$27,00.

ZAMBRA, Alejandro. A Vida Privada das Árvores. Editora CosacNaify, 2013. Tradução: Josely Vianna Baptista. 96 págs. Preço sugerido: R$27,00.

Antônio Xerxenesky e Daniel Pellizzari debatem o mercado editorial brasileiro no CCSP

Nos últimos tempos, tenho notado muitas discussões sobre a dificuldade em transferir os livros impressos para o formato digital. O mesmo acontece com aparecimento de inúmeras editoras independentes. Fico feliz ao perceber que o debate desses tópicos não só evoluiu, como também deixou de se limitar a internet. Parte do Mês da Cultura Independente, o Centro Cultural São Paulo promove um debate sobre o mercado editorial brasileiro. O encontro acontece neste sábado, dia 14 de setembro, às 16h30, e recebe os escritores Antônio Xerxenesky e Daniel Pellizzari.

Fiz uma matéria para a Revista Em Cartaz deste mês, que vocês podem ler aqui, na página 56. Pensei que seria bacana compartilhar as entrevistas na íntegra no blog. Quem for ao evento já pode ter uma ideia do que será colocado em pauta amanhã. Espero que gostem!

1 – O que te impulsionou a criar a Não Editora e, no caso do Daniel, a criar a Livros do Mal? Na época, como você avaliava o mercado editorial? E como conciliou essa avaliação com a criação da sua própria editora?

Antônio Xerxenesky: Não existe um “Criei a Não Editora”, mas um “criamos”. Éramos um grupo de jovens autores que sentia falta de uma editora no sul do país focada em descobrir novos escritores e que desse um tratamento – de revisão, projeto gráfico, divulgação – decente ao livro. Uma editora capaz de “fazer um livro acontecer”, usando uma expressão tão popular no meio editorial.

Daniel Pellizzari: Na verdade, quando criamos a Livros do Mal em 2001 nem pensamos no mercado editorial. Eu, o Daniel Galera e o Guilherme Pilla (artista plástico) queríamos apenas fazer nossos próprios livros. Estávamos com nossos livros de estreia prontos, eu e o Galera, mas nem cogitamos em mandar para alguma editora: queríamos cuidar sozinhos de todas as partes do processo, tanto da criação do objeto livro quanto da divulgação etc, e depois fazer o mesmo por outros autores.

2 – Quais foram os principais desafios enfrentados no período de consolidação da editora? E hoje, como avalia a atuação da editora no mercado?

A. X.: Quando começamos, não sabíamos quase nada do assunto, apenas tínhamos os talentos necessários (Samir Machado era um excelente capista, Rodrigo Rosp um excelente revisor, e assim por diante). Fomos aprendendo sobre mercado editorial ao passo que íamos lançando livros. O maior desafio, no início, foi a questão da distribuição. Lembro de, nos primórdios da editora, colocar caixas de livro no porta-malas do meu Palio 96 (o guerreiro Cerejão) e transportá-las até as livrarias, o que em pouco tempo se tornou inviável. Hoje, nos profissionalizamos completamente nesse sentido, e um editor não precisa mais andar com o porta-malas atrolhado.

D. P.: O principal problema ocorreu quando o catálogo começou a aumentar e tivemos que lidar com distribuição, contabilidade, essas coisas. Foi aí que começamos a ver que, se continuássemos crescendo, teríamos de virar uma empresa, uma editora “de verdade” – porque até então tudo sempre tinha funcionado da forma mais informal possível. Pouco tempo depois nos demos conta de que teríamos de decidir se queríamos ser empresários ou escritores que também trabalham com livros (como tradutores e editores), e optamos pela segunda opção – porque foi justamente essa vontade e essa aptidão que nos levaram à criação da Livros do Mal, não algum ímpeto empreendedor ou administrativo.

3 – A internet tem mudado a forma de recepção dos livros. Você pensa que essa mudança foi favorável? Acredita que as redes sociais foram favoráveis à divulgação dos lançamentos das editoras?

A. X.: Sim, sem dúvida. Os livros da Não Editora conseguiram atingir o território nacional (e não ficar apenas restrito ao minúsculo bairro chamado de Rio Grande do Sul) graças às redes sociais. A internet é a maior amiga dos selos independentes, e só tende a melhorar. Quando começamos, redes como o Skoob e o Goodreads nem existiam (ou, se existiam, não eram muito acessadas).

D. P.: (Ele já respondeu as perguntas 4 e 5) A internet é essencial, até porque não existe mais aquela separação forçada entre “mundo online” e “mundo real”. É tudo uma coisa só. A própria Livros do Mal só foi tão bem-sucedida, imagino, porque eu e o Galera já havíamos construído um público na internet nos anos anteriores – tudo de uma forma ainda rudimentar, antes de existirem blogs e redes sociais. Esse boca-a-boca e as manifestações públicas dos leitores são formidáveis e, quando pegam fogo, valem tanto quanto uma campanha publicitária de alto orçamento. Hoje, além dos comentários espontâneos em redes sociais genéricas, como Facebook e Twitter, existe também todo um sistema que facilita a circulação e divulgação das obras, seja em redes sociais específicas para leitura, como Goodreads e Skoob, quanto na vasta rede de blogs dedicados a resenhas não profissionais. É um envolvimento direto do público na discussão e divulgação de uma obra, numa escala que só a internet permite.

4 – Como editor, quais procedimentos costuma adotar para usar a internet a favor da editora?

A. X.: A internet serve principalmente para divulgar o trabalho. E, logo no início, nos valíamos do fato de que a Livraria Cultura vendia para o mundo todo pela internet. Entregávamos os livros na filial de Porto Alegre e voilá, os livros podiam ser adquiridos por um leitor em Portugal. Hoje avançamos muito no sentido de e-commerce, é claro, mas acho que selos independentes que ainda não conseguem criar e manter uma loja virtual tendem a ganhar muito disponibilizando seus livros em grandes redes que possuem um sistema forte de venda pela internet.

5 – Do seu ponto de vista, como escritor, a internet facilitou o alcance de suas obras ao público?

A. X.: A importância da internet nesse sentido foi inestimável. Muitos leitores descobriram meus livros graças ao twitter (que hoje nem uso mais). E nunca fui um escritor marketeiro, do tipo que só fala das suas obras etc. Muito pelo contrário. E justamente por isso, acredito, muitos acabaram conhecendo o meu trabalho.

6 – Qual é a sua avaliação com relação às novas plataformas de leitura, como o Kindle, por exemplo? O que tem a dizer sobre o mercado de e-books? Como escritor, sente que a inserção dos livros eletrônicos foi favorável ao seu trabalho, facilitando o acesso de possíveis leitores à sua obra?

A. X.: Adoro ler no Kindle e sinto que finalmente o Brasil está acordando para os e-books, embora ainda tenha muito o que crescer nesse sentido. Não obstante, os meus livros ainda não estão disponíveis digitalmente, o que acho uma pena. A maioria do meu público leitor é jovem e sinto que terei mais leitores quando meus livros forem convertidos para e-book, mas enfim, isso não depende de mim (se eu continuasse publicando independentemente, já teria feito a conversão).

D. P.: Acho leitores de ebook formidáveis e acompanho desde o início seu desenvolvimento. É muito prático e facilita a leitura para quem se locomove todos os dias via transporte público, por exemplo. Eu mesmo passei a ler quase o dobro de páginas por ano desde que comprei meu primeiro Kindle. Em termos de alcance, ajuda bastante também numa coisa que é um gargalo crucial para editoras de todos os tamanhos (mas principalmente as pequenas, claro) num país com as dimensões do Brasil: a distribuição. Mandar livros para todos os cantos do país é um pesadelo de logística, e sai muito caro. Com os ebooks isso se resolve automaticamente, até porque a infraestrutura de distribuição eletrônica já está pronta.

7 – Sua avaliação sobre os selos independentes que surgiram recentemente é positiva?

A. X.: Sem dúvida. Há novas editoras muito bacanas surgindo por toda a parte. Gosto muito, por exemplo, da A Bolha, que traz um trabalho gráfico ousado e publica livros no mínimo incomuns. Acho que esse é um caminho para se destacar no cenário: com projetos gráficos radicais, que fogem de modelos comportados adotados pelas grandes editoras.

D. P.: (ele já respondeu as questões 7 e 8) Um país com mercado literário saudável precisa de pequenos selos, sempre, porque é daí que vem a sempre importante renovação. Editoras com um viés mais autoral, tanto na curadoria de publicações quanto na própria cara dos livros (ou ebooks), acabam com o tempo forçando as grandes editoras a avaliarem o que estão fazendo e pensar em outros caminhos, e sem isso o cenário acabaria estagnado. As principais dificuldades continuam as mesmas: lidar com distribuição, pontos de venda etc. É complexo a ponto de se tornar um pesadelo para quem tem uma visão mais romântica de como o mercado do livro funciona.

8 – Quais são, para você, as maiores dificuldades enfrentadas pelos selos independentes na atualidade?

A. X.: O drama, até pouco tempo, ainda era a distribuição, logística etc. O nosso país é imenso geograficamente, e é muito difícil colocar um livro independente publicado no Nordeste à venda numa livraria do Sul. Mas, agora que o Brasil finalmente reconheceu a existência dos e-books, isso vai mudar. A chegada da Amazon ao Brasil, o avanço da Kobo, tudo isso favorece muito as pequenas editoras. Vejo o futuro com muito otimismo.