The nature of ambition

Para pensar um pouco. Em especial para quem também encara problemas de euforia e sempre acaba voltando para o ponto de partida. Esse blog já foi e voltou umas tantas vezes, mas Grant Snider já virou figura carimbada. Que posso fazer se ele sempre entende o meu medo de atropelar as coisas?

Música para acompanhar os pensamentos:

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Quando o Descartável Vira Arte

Não há limites para a criatividade de um artista. Não importa a preferência – pinturas, colagens, desenhos. O interessante é poder explorar as ideias, transformar aquilo que têm em mente em “objeto”. No momento, alguns artistas aproveitam o ideal de sustentabilidade em suas artes. Por que jogar fora um rolo de papel higiênico, por exemplo, se é possível fazer arte contar histórias com eles? Pode parecer inusitado a primeira vista, mas sim: é possível criar cenários em rolos que enganam pela aparência descartável.

Da série Patron Saints

A francesa Anastassia Elias realiza este tipo de arte. Para aproveitar a preferência por colagens, ela recorta silhuetas de papel e cola os pequenos desenhos no interior dos rolos. O uso do papel com a mesma tonalidade passa a impressão de imagens que saíram diretamente do rolo. Com jogos de luz diferentes, é possível criar histórias a partir destas pequenas cenas do cotidiano representadas pela artista. Um homem pescando, mãe e filho visitando um zoológico, lutadores de box e até mesmo uma representação do tango – situações inspiradoras e presentes no trabalho de Anastassia.

Além da criação, ela também explora as habilidades com a fotografia ao conciliar o posicionamento dos recortes de forma estratégica para criar um jogo de sombras. A artista plástica ilustrou também livros infantis, e já havia trabalhado com materiais reciclados anteriormente. Para a coleção , utilizou cds antigos. Os rolos de papel higiênico “personalizados” podem ser obtidos por 100 euros cada no site oficial da parisiense.

Artistas Brasileiros Homenageiam Kaith Haring

Terminou no mês passado a exposição Selected Works, de Keith Haring, em São Paulo (SP). Para a felicidade dos admiradores, novidades relacionadas ao artista estavam por vir. Em parceria com a galeria Choque Cultural e a Livraria Cultura, a Editora Cosac Naify convidou artistas a ilustrarem O Livro da Nina Para Guardar Pequenas Coisas. Publicado no Brasil em abril deste ano, a obra era originalmente um presente de Haring para Nina, filha do pintor Francisco Clemente. Para o aniversário de 7 anos da menina, em 1988, ele criou um livro que era praticamente um convite ao bom uso da imaginação.

Nas instruções iniciais, o norte-americano avisa “Se quiser colecionar coisas grandes, arrume uma caixa”, apontando o objetivo principal do livro: guardar pequenos detalhes. Completar um desenho, iniciar outro, colar adesivos, recortar e colar figuras, eram apenas algumas das sugestões para completar os espaços em branco. O pai da menina, admirado, achou melhor deixar o livro intacto, o que facilitou a publicação do mesmo nos EUA em 1994. Embora seja uma sugestão ideal para presente no dia das crianças, os adultos não resistem. Basta dar uma olhada nas páginas para sentir vontade de passar horas completando esta caixinha de recordações em forma de livro.

Entre os artistas da galeria Choque Cultural, MZK, Presto e SHN foram responsáveis pelo preenchimento de três páginas duplas do livro, ampliadas. Outros, como Carla Barth, Mariana Martings e Speto ilustraram as páginas do exemplar. O resultado do projeto ficará exposto na vitrine da Livraria Cultura do Conjunto Nacional (na unidade de Artes) até o dia 24 de outubro. Vale conferir e notar a mistura do trabalho de Haring com as características de cada participante.

O artista norte-americano foi um dos pioneiros da mistura entre arte moderna e grafitti. Tudo começou com desenhos feitos a giz nas estações de metrô e trem de Nova York. Foi ali que seu trabalho obteve destaque, na década de 80. Posteriormente, tornou-se conhecido também pela dedicação a causas sociais – presentes em suas obras, marcadas por questões como direitos civis e a busca pela paz.

Quem perdeu a exposição Selected Works em São Paulo pode conferi-la no Rio de Janeiro. A Caixa Cultural da capital carioca recebe as obras até o dia 14 de novembro.

Endereços e Horários

[Exposição em Homenagem a Kaith Haring, em São Paulo-SP]
De 4 a 24/10
De segunda à sábado, das 9h às 22h; domingos e feriados, das 12h às 20h
Na Livraria Cultura | Loja de Arte
Av. Paulista 2073, Conjunto Nacional

[Selected Works, no Rio de Janeiro-RJ]
De 28/09 a 14/11
Na Caixa Cultural – Av. Almirante Barroso, 25
Entrada franca
Informações: (21) 2544-4080