Expressionista

Acordei, olhei para o espelho e vi O Grito, de Edvard Munch. Meio distorcida, um pouco cinza, com um colorido psicodélico ao meu redor, e essa expressão maluca de pânico. Não sei como chegou até mim, mas aí está e se acomodou e já se sente dona de casa. Virei chef-d’oeuvre do expressionismo. As pessoas olham para mim e enxergam todas as angústias e ansiedades do ser humano.

Fiz o movimento retrógrado. Sempre fui desconexa e de difícil apreensão – ou aberta a interpretações bem subjetivas. Se fosse necessário rotular, estava mais para o surrealismo. Embora tivesse esse toque de arte contemporânea, que você olha, pensa  “que merda, isso aí não diz nada e até eu conseguiria fazer uma ‘obra de arte’ assim”; enquanto outra pessoa observa e encontra toda uma razão de ser para aquela mistureba aparentemente sem sentido.

E aí fui voltando, fui ganhando uns tons escuros, por vezes achei que fosse obra do Barroco. Depois de muito transitar, é definitivo: estacionei no expressionismo. Devo ter me acomodado, a carapuça serviu, essas coisas. Só me dei conta ao fazer um exame minucioso frente ao espelho. Virei uma cópia fajuta de Munch, céus. E não sinto que valha nem metade dos milhões pelo qual foi arrematado em um leilão.

ogrito

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