5 pratos para quebrar em 2014

Proposta do Rotaroots: 5 pratos para quebrar em 2014: quais sentimentos você quer deixar em 2014? O que mais te incomodou no ano de 2014 e que você pretende deixar neste ano e entrar em 2015 com tudo novo? Escolha 5 sentimentos ou situações, conte o porque e “quebre” os pratos:

Cinema

Começo pelo menos óbvio da lista. Basta uma olhada rápida neste blog para saber que gosto de cinema. Paguei mico em um vídeo sobre isso. Fazia resenhas feliz da vida. Então alguém poderia me explicar essa preguiça para filmes que brotou de repente? Algo me diz que foi culpa do meu projeto fracassado de pós-graduação, que tinha relações com cinema. Frustração acumulada, motivo suficiente para abandonar uma das poucas coisas que ainda gostava de fazer. No segundo semestre deste ano me peguei desistindo de cabines de imprensa em cima da hora, trocando a ida ao cinema por uma tarde no sofá e, pior ainda: trocando a escolha de um filme no Netflix por alguma procrastinação idiota em casa. Para 2015 quero tirar essa amargura do peito, esquecer meu projeto fail e voltar a ver pelo menos um filme por semana.

Consumismo

Clássico “tentei escapar não consegui”, esse pagodão da minha vida. Embora tivesse uma tendência ao consumismo, sempre fiz o possível para manter o controle. Em especial quando virei estagiária e ganhava pouco – era tudo controlado, anotava os gastos, algo bonito de se ver. Surtei aos poucos e comecei a gastar com coisas desnecessárias, meu jeitinho. Ainda tenho uma tendência a ser acumuladora que não ajuda nem um pouco. Um prato que quebro com gosto, já pensando em voltar a ser uma pessoa que cuida da própria grana de modo consciente.

Não se estressar por pouca bobagem

Esse serve para coisas, pessoas, situações, tudo. Tempestade em copo d’água: this is how I roll, infelizmente. Vou tentar configurar algum gadget e apanho: estresso a ponto de querer matar um. Chamo as pessoas para saírem e elas desistem no dia com alguma desculpa esfarrapada: fico extremamente decepcionada e remoendo isso por dias. Momento gente, qual a necessidade disso? Foi o que mais fiz em 2014 e só serviu pra me dar cabelos brancos. Ou seja, desnecessário. Em 2015 quero voltar a praticar o desapego intenso e zerar toda forma de nervoso por besteiras.

Ansiedade

Companheira de longa data. Consiste em uma luta diária que já teve seus altos e baixos e sempre atacou de formas distintas. Disfarço bem, já aconteceu umas tantas vezes de dizerem que eu aparentava estar tranquila em momentos tensos, como apresentação do TCC e do jazz. Sou uma pilha de nervos e desconto tudo (sem querer) no corpo. Exagero na preocupação, e o corpo costuma responder com dores nas costas e gastrite. É incontrolável e sempre acabo dando o braço a torcer, mesmo quando insisto na minha cabeça que não é motivo pra se desesperar tanto assim. Já quebrei esse prato inúmeras vezes, mas ele parece regenerar a cada ano. Vamos ver se desta vez quebro com mais força, provoco um impacto maior e aprendo a me preocupar menos. Quem sabe não consigo incluir mais uma modalidade de dança ou yoga para ajudar nesse processo?

Autoestima baixa/Insegurança

Essa também me acompanha há bastante tempo. Passei anos alimentando o ódio próprio (isso mesmo, o oposto extremo de amor próprio). Me sinto desconfortável em admitir minha insegurança, mas essa segue sendo uma das minhas características mais fortes. Não me sinto à vontade ao encarar o espelho, sinto dificuldades em me sentir parte de alguma coisa. Para qualquer acontecimento passo dias a fio me culpando, nunca passa pela minha cabeça que os erros podem ter sido dos outros. Qualquer comportamento/atitude estranha de amigos eu já interpreto como consequência de alguma burrada minha. Ainda vejo a ansiedade como uma missão tensa de ser combatida, mas a autoestima baixa+insegurança (uma é consequência da outra para mim) eram coisas que eu queria eliminar por completo da minha vida em 2015.

E que 2015 seja mais suave

E que 2015 seja mais suave

É preciso distância para reaprender a sentir

É preciso distância para reaprender a sentir. Saí com intuito de fuga, já não aguentava mais a rotina, os mesmos rostos e mesmos eventos. É uma frescura, nem nego: esse desespero para cair fora toda vez que as repetições se tornam um enfado. Cheguei a um ponto no qual ignorava qualquer indício de nostalgia e sentimentalismo barato. Fui embora sem me despedir e sem me sentir mal por isso. Larguei tudo para trás sem pensar duas vezes, e isso deu uma sensação de alívio, um desapego que não imaginei que conseguiria tomar como meu. Em 2015 completo cinco anos de São Paulo e fico meio assustada com essa constatação: passou rápido, não imaginei que acumularia tanto tempo nessa cidade louca. Era natural que me afastasse – perdi contato com 90% das minhas “amizades” de Campo Grande, o que foi fundamental para entender quais pessoas eram amigas de verdade naquele momento de só visitar minha cidade natal umas três vezes por ano. E isso vem de mim também, nunca houve muita disposição para correr atrás.

A distância sempre me pareceu destruidora, nada piedosa. No fundo ignorava o lugar comum de que ela “nos deixa mais forte”, algo que era de fato bem real. A distância fortalece laços como ninguém. Só se torna avassaladora quando o vínculo é fraco. Doeu quando senti isso de pessoas pelas quais nutria uma consideração enorme. Relutei em aceitar, nunca foi agradável acompanhar o processo de virar nada na vida dos outros. Mas acontece, é o curso da vida.

Nesse caminho surgiram pessoas incríveis, algo que vejo hoje como uma compensação: daqueles que me apagaram e que me vi forçada a esquecer. Fico com boas memórias bem pontuais. Hoje em dia não sinto mais mágoa, não guardo rancor. Nós amadurecemos, aprendemos a reconhecer os próprios erros e a entender as frustrações dos outros. Ainda bem. Pode faltar um pouco de coerência, mas uma hora tudo faz sentido.

Em uma dessas esporádicas visitas à Campo Grande enfim compreendi minha lição sobre pessoas e a distância. Foi importante passar uns poucos dias por perto para entender o peso de alguns na minha vida – gente que posso ficar sem trocar uma palavra por meses, e que quando encontro tenho uma identificação maluca, como se a pessoa fizesse parte do meu cotidiano, me encontrasse todos os dias. Chamo de nostalgia “tranquila”, daquela que causa zero desconforto, e que, contrariando expectativas, parece nos trazer alívio imediato para dores do presente. Aquela carga de outrora, o i’m gonna stay eighteen forever do Brand New, que hoje poderia me parecer tolo. Agora tenho a liberdade de falar dos meus sentimentos, das coisas que me incomodam. E ao mesmo tempo me sinto confortável para compartilhar felicidade, comemorar momentos de satisfação com pessoas que, tenho certeza, me apoiam. Sem uma gota de inveja. Que torcem para me ver bem, que querem me ver forte para aproveitar cada momento em companhia. Nunca sozinha, nunca com o receio que me faz guardar tudo para mim por medo de ser prejudicada por ser um livro aberto e “compartilhar demais”.

Cansei de gritar aos quatro ventos que sou insensível, me falta tato, comoção. Sou fria e quando sinto qualquer ameaça de sentimentalismo falto sair no tapa comigo mesma para derrubar esse lado brega. Não chega a ser uma mudança drástica, também vai levar tempo para me adaptar, mas tá aí, assumo, confesso que larguei mão de ser forte e deixei meu lado molenga aflorar. Tenho muito amor sim, quero cuidar dos meus amigos e tê-los por perto, mesmo que em outro estado, país… nessas horas vejo que envelhecer não é tão ruim assim. Anos atrás não teria como domar minha teimosia. Com a idade ganhei uma dose apropriada de serenidade, para encarar tudo com mais naturalidade e deixar que o sentimentalismo se se manifeste em momentos apropriados.

Meus amigos – os de verdade, claro – de Campo Grande nem devem ler esse blog, e felizmente isso não faz diferença no momento. Quero deixar um registro de agradecimento aberto por terem me libertado desse receio bobo. Por me apoiarem independente das circunstâncias, por me despertarem essa vontade de gostar, ter por perto, zelar por alguma coisa. Meus pais passaram anos tentando me ensinar isso, por sorte tive amigos que sem querer os ajudaram a reforçar a importância de não guardar nada para si. De compartilhar para doer menos, de compartilhar, abstraindo o egoísmo. As pessoas trazem consigo um aprendizado imenso e me sinto madura o suficiente para tirar o melhor disso para a minha vida. Coisas boas e ruins estão aí para serem compartilhadas, precisamos do próximo para aprender a trabalhar tudo isso. E é um alívio assumir isso sem culpa neste momento.