Meme: Palavras Cruzadas – 15 livros

A Julie me indicou para uma tag bem divertida sobre livros. Foi criada pela Inês, do InesBooks, com a ideia de listar 15 livros a partir de alguns temas. Já vi que muita gente respondeu – aproveitei para roubar algumas dicas, por sinal – então, caso ainda não tenha sido indicado, deixo em aberto para quem se interessar em fazer a própria lista (: (Adoraria ver as sugestões da Melissa, da Thais e da equipe do Livros Aquáticos)

1) Vox Populi (um livro para recomendar a toda gente)

Adiei por motivos de “síndrome do livro querido”. Todo mundo gostava e tinha a sensação de que detestaria quando começasse. Era até meio absurdo: estava quase no fim da faculdade de jornalismo sem nunca ter lido A Sangue Frio, de Truman Capote. Até um professor transformá-lo em leitura obrigatória. Logo entendi essa paixão desenfreada. Independente das especulações, a forma como o livro te prende é uma coisa absurda. Recomendo fácil para qualquer pessoa, pois embora seja um tema pesado, a escrita de Capote é bastante sedutora e tem essa vantagem de contar um fato real com pitadas de ficção.

2) Maldito plágio (o livro que gostaríamos de ter escrito)

Está permitido sonhar alto nessa categoria? Adoraria ter escrito Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes. Fiz o caminho inverso e li muita coisa teórica dele, até uma professora me pedir para ler A Câmara Clara para um trabalho acadêmico. A cada frase sentia um arrepio tão grande que o destino a Fragmentos aconteceu de forma natural. Que livro, minha gente. Barthes tinha uma habilidade incrível para falar sobre coisas que nos doem de uma maneira linda. Pelas letras dele sofrer parece até prazeroso. Queria ter pelo menos 5% do talento de Barthes (e sim, é claro que aceito uma cópia de presente porque minhas leituras se limitam a empréstimos de bibliotecas e da minha própria irmã, que já não vê a cara do livro há uns quatro anos).

3) Não vale a pena abater árvores por causa disso

Estou com a Anna: Por Isso a Gente Acabou, de Daniel Handler. Sabe quando você pega uma obra pensando que vai adorar e já sente aquela decepção nas páginas iniciais? Poisé. Antes de comprá-lo, folheei fascinada pelas ilustrações, o que me deixou ainda mais iludida. A ideia era boa, mas gente, quantos personagens insuportáveis. Ninguém se salva, juro que não é exagero. Tão crítico que nem mesmo o fato de ter esses desenhos bonitos o salvaria.

4) Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)

Clássico caso de O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. Preciso esclarecer que reconheço o valor da obra em termos de literatura e não acho nem um pouco ruim, pelo contrário. Foi uma boa leitura e até me identifico um pouco com Holden Caulfield, tínhamos muito em comum no auge dos meus 16 anos. Mas sabe quando você termina com aquela sensação de que queria ter gostado muito mais? Então.

5) Eu tentei… (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)

2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Arthur C. Clarke. Adoro o filme (Stanley Kubrick <3), apesar de toda a brisa, mas acabei empacando no livro. A leitura fluiu super bem até um dado momento, e confesso que o autor é bem minucioso na tentativa de fisgar o leitor. Infelizmente não funcionou tão bem comigo, e cheguei a uma altura da obra em que ficou difícil seguir adiante. Quem me acompanha no Goodreads deve ter visto que outros livros já atropelaram 2001. Ainda assim não quero desistir, pois até onde li foi fundamental para esclarecer algumas questões que não ficaram muito claras na adaptação. Ainda retomo, aguardem.

6) Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro com final surpreendente)

Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lionel Shriver (com essa capa tenebrosa mesmo). Já tinha visto o filme, que foi motivo suficiente para atiçar minha curiosidade e ficar maluca para ler o livro que o inspirou. Sabia o final, mas pela releitura feita pela diretora as explicações não ficaram tão claras. Tanto que durante a leitura fiquei bem surpresa com o desfecho. Hoje é um dos meus livros favoritos. Lembro que lia as páginas finais bem embasbacada, era tudo surreal demais pra ser verdade. Me desculpem o spoiler, mas gente, que autora maravilhosa. NÃO LEIA SE VOCÊ TEM AVERSÃO A SPOILERS: Você tem a impressão de que o marido está vivo a todo o momento, como se só houvesse ocorrido uma separação do casal e não, ele está morto, e você só descobre isso nas páginas finais. Baita livro.

7) Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)

Sou dessas que gosta de ler QUALQUER livro com calma. Dizer que “devorei” um livro é uma lenda, pois mesmo com uma leitura envolvente sou meio lerda. E tenho essa coisa de não querer acabar por nada neste mundo quando estou gostando, rola todo um apego. Até chegar a Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer. Peguei em uma biblioteca e tinha duas semanas de prazo para devolução, mas risos eternos, daria pra lê-lo cinco vezes. Chorava e abraçava o livro no transporte público, teve um efeito inesperado sobre mim. Terminei em três dias meio sem acreditar, mas o apego foi tão grande que mesmo a minha tradição de enrolar com uma leitura parecia absurda. Safran Foer é de coração.

8) Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)

Um livro chamado Gula – O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Veríssimo parece meio óbvio para essa categoria, mas não consegui pensar em outra coisa. Lembro que li quando estava na praia e era triste encarar um prato de peixe com arroz depois e ler a descrição de todas as comidas degustadas em Gula (aliás, fica a dica, a leitura flui que é uma beleza e também é vendido em versão pocket).

9) Fast forward (um livro que poderia ter menos páginas que não se perdia nada)

Podem me julgar, pois é daqueles que todos adoram e só insisti porque precisava resenhá-lo para uma atividade da faculdade. Não vejo a menor graça em Abusado, de Caco Barcellos. É possível que tenha lido na hora errada, não duvido. Só não entendia qual era o apelo, sendo que para mim foi custoso chegar à página 50 (imaginem então dar cabo ao livro, que é uma tora!). Cortaria facilmente várias páginas dele. Menção honrosa para Le Gone Du Chaaba, de Azouz Begag. Várias páginas descartáveis de um livrinho sem vergonha, desses que você fica contando quanto falta para acabar de tão insuportável. O de Barcellos tem momentos interessantes, confesso, mas o de Begag não tem nada que se salve.

10) Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)

Antes de ler O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar, passava pela livraria e perguntava pelo livro que tinha nome de brincadeira de infância. Pode não significar nada para vocês, mas para mim era de uma simplicidade absurda. Adoro a forma como o título brinca com a própria estrutura da obra e era desses que morria de medo de não gostar quando fosse ler. Grata surpresa. Também sou chegada a títulos esdrúxulos e não fosse minha antiga compulsão para ler tudo de Caio Fernando Abreu em um dado momento da adolescência, é certo que leria Os Dragões não Conhecem o Paraíso só pelo título.

11) O que vale é o interior (um livro bom com a capa feia)

Morro de dó porque nem é um livro muito conhecido e poxa, a capa não ajuda nem um pouco. Até incluiria na categoria anterior, pois o título desperta atenção. Era Uma Vez o Amor Mas Tive que Matá-lo, de Efraim Medina Reyes é maravilhoso, desses livros de quem só se ferra no amor mas aprecia uma boa música.

12) Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)

Nos dias de preparatório para o TCF pegava um trânsito daqueles na Faria Lima, o que pelo menos me ajudava a colocar a leitura em dia quando não estava com muita dor de cabeça. Depois de chorar muito com Junot Díaz e seu É Assim que Você a Perde, deixei de ser idiota e resolvi levar O Manual de Sobrevivência dos Tímidos, do Bruno Maron, comigo. Chorava de tanto rir sozinha no coletivo, sou dessas. Galera não entendia muito bem, mas a identificação era tanta que mal me aguentava.

13) Tragam-me os Kleenex, faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)

Tem alguém que chora bastante com qualquer livro, sou sensível e literatura me tira lágrimas com facilidade. Escolhi um exemplo recente para ilustrar. Levels of Life, de Julian Barnes, me deixou seca. A dor de Barnes me parecia bem próxima e quando me dava conta estava com o lencinho ao lado para conter o chorôrô. Vale citar também Uma Crença Silenciosa em Anjos, de R. J. Ellory, que tinha tanta catástrofe e um personagem central tão azarado que parecia até errado não me comover com a dor dele, como se fosse uma pessoa de verdade.

14) Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)

Sou super tranqüila, superei a fase de receio ao emprestar. Tanto que às vezes nem cobro o livro de volta, acabo me esquecendo (eu sei, o desapego precisa ter limites). Mas tenho ciúmes da minha edição de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Virou algo íntimo demais para estar nas mãos de outras pessoas. Depois do nosso estranhamento nas primeiras 100 páginas me entreguei sem medo à leitura e o livro ficou todo riscado. Grifos, comentários, tudo em excesso. É meu livro mais sujo e objeto de apego. Nem me imagino conseguindo emprestá-lo.

15) Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)

Fiquei atraída pelo autor quando um folder sobre suas obras caiu de pára-quedas de dentro de uma revista da Livraria Cultura. Citava trechos e discutia sobre o tema de cada livro. Depois de um bom tempo comprei Bartleby e Companhia, mas nunca li. Enrique Vilas Matas me parece incrível, mas mesmo com um livro em mãos fico adiando por algum motivo que me é desconhecido. Mas não é por mal, tanto que nunca nem comecei a lê-lo. Ainda não desisti dele.

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7 comentários sobre “Meme: Palavras Cruzadas – 15 livros

  1. Amei a tag, Lidy! Quanto livro bom hein?
    Eu também só peguei o A sangue frio para ler depois que o Heitor pediu para a aula haha
    Adorei ter lido Precisamos falar sobre Kevin, mesmo depois de ver o filme também! Obrigada por me indicar fazer no Ls :)

    • Que bom que gostou, Mel! Fiquei curiosa pra saber o que você escolheria. A ideia é bem boa, foi divertido completar a lista. Olha, o pior é que a maioria das pessoas ignorava as leituras obrigatórias da Cásper, mas com “A Sangue Frio” senti que não dava mais para adiar. Kevin é demais, um dos poucos filmes que me deixou bastante intrigada para ler em seguida :)

  2. Mas você é mesmo muito culta! Eu adoro ver as suas indicações literárias pois acabo sempre fisgando uma ou duas. E saber que você toda culta do jeito que é também ficou sem entender e achar verdadeira graça em O Apanhador no Campo de Centeio me conforta, rs. E o que falar sobre Kevin? O livro é uma surra a cada página e continuo amando fervorosamente, história muito bem construída.
    Preciso ler Extremamente Alto & Incrivelmente Perto pra ontem. Todos falam bem, mas acabei vendo o filme antes e acho que estraga um pouco (muito!) sabe?

    Beijinhos

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