Blogagem coletiva: Discos da minha vida

Abril foi um mês muito conturbado. Tanto que atrasei tudo e mais um pouco, e nisso incluo a proposta do mês do Rotaroots. Como vocês podem perceber, o último post foi com o tema de março. Mas não queria deixar esse aí passar em branco, então voilà, segue minha listinha de discos da vida :)

Millennium – Tim Maia

Morei no Mato Grosso do Sul durante a infância enquanto a família inteira continuou em Goiânia-GO. Ou seja, foram incontáveis os fins de semana e feriados de estrada. Meus pais, às vezes meus irmãos juntos, às vezes sozinha no banco de trás. A trilha sonora sempre foi da autoridade máxima, meu pai. E aquele “ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir” meio rouco foi o que marcou essas longas tardes de marasmo contemplando a estrada que parecia sem fim. Meu pai tinha uma pilha de coletâneas em casa e muitas delas se perdiam no carro toda vez que íamos viajar. Nem sabia que aprenderia a gostar de Tim Maia mais tarde e não largaria mais suas composições.

Faixa favorita: Azul da cor do mar.

In Utero – Nirvana

Como falar de álbuns da minha vida sem citar Nirvana? Nem imaginava que gostaria de rock até conhecê-los. Sim, eles vieram antes mesmo dos Beatles para mim. Deveras significativo: foram minha porta de entrada para conhecer um gênero completamente diferente do que eu estava habituada, e olha só, me ajudavam a estudar inglês. E o terceiro disco da banda foi um dos primeiros que ouvi do início ao fim sem pular nenhuma música.

Faixa favorita: Heart-shaped box

Deja Entendu – Brand New

Jesse Lacey sempre soube das coisas. Unprepared for a life full of lies and failing relationships, parecia até previsão (do mal) pro futuro. We’re concentrated on falling apart. Sempre achei bem visceral, amava essa coisa barulhenta que parecia desesperada para gritar as próprias angústias. Hoje quando me pego ouvindo esse álbum dá um aperto no peito e é como se voltasse um pouco no tempo e me prendesse àquela nada saudosa época de insônia, quando via o sol nascer da janela do quarto sem um pingo de sono, mas com Brand New me confortando.

Faixa favorita: Okay I believe you, but my tommy gun don’t.

Everything in transit – Jack’s Mannequin

Sim, era apreciadora de Something Corporate e Jack’s Mannequin foi mera consequência disso. E não sei o que via de tão especial nesse álbum, mas ouvia de cabo a rabo como se Andrew estivesse tocando piano e cantando no meu quarto. Acompanhou momentos intensos de angústia e com cada faixa descobri, pela primeira vez, o que era sentir nostalgia pelo que nunca vivi. Não tem apuro algum em termos de música, mas não consigo desprezá-lo depois de tanto tempo. Difícil falar sobre músicas que me marcaram sem falar sobre ele.

Faixa favorita: I’m Ready

Transatlanticism – Death Cab For Cutie

Pouco tempo depois veio The OC, e com ele veio a confirmação do que era se torturar pela nostalgia do que nunca vivi. E Death Cab marcou um sem número de despedidas e daquilo que seria meu primeiro contato com o desapego. Nessa pira de adolescente que sonhava em ter um Seth Cohen na vida, nunca superei essa banda. Queria ser a moça de Seth e acompanhá-lo em um show, para abraçá-lo com força ao ouvir aquele “I need you so much closer”. Mas não, nunca tive isso e nem vou ter. Ao menos a música ficou, e essa é até hoje uma das minhas bandas favoritas.

Faixa favorita: Tiny vessels (e toda a sua sinceridade)

Turn on the bright lights – Interpol

Muita gente despreza The OC, mas a série foi essencial para minha formação musical. Conheci tanta coisa! Bandas que apreciei por anos, comprava cada álbum novo e nem sonhava que um dia assistiria ao vivo. Interpol foi uma delas. Turn on the birght lights foi minha primeira aquisição, que comprei de imediato depois de procurar Interpol na internet e ficar ouvindo no youtube. I’m sick of spending those lonely nights training myself not to care, minha vida, Paul Banks. Nos amamos desde o início e não te largo por nada neste mundo. E embora Specialist (sim, essa era a faixa que tocou em OC) esteja no meu top 3 da vida, esse álbum reúne todas que mais gosto deles (coincidência ou não, Specialist caiu na edição especial de 10 anos do álbum, um eterno sonho de consumo).

Faixa favorita: Stella was a diver and she was always down

When the pawn – Fiona Apple

Sou clichê, conheci a moça Apple com Paperbag. Vi o clipe da tevê e fiquei obcecada pela moça de voz forte, meio rouca, e com as letras mais sinceras do mundo. Para mim, ela sempre vai ser uma válvula de escape. Qualquer ameaça de dor no coração, solidão, essas coisas tolas (porém desconfortáveis) da vida é resolvida com o When the pawn no último volume, cantando junto como se tivesse o vozeirão dessa mulher. Marcou uma época, é lógico, e sou grata até hoje pela força que ela me deu (mesmo sem ter a menos ideia disso)

Faixa favorita: Get Gone

For Emma Forever Ago – Bon Iver

Outro presente de seriados. No caso, Skins. E era um das músicas mais bobinhas deles (Woods). Fui infectada de imediato, precisava saber que esquisitice era aquela. Até hoje não consigo explicar muito bem minha relação com Bon Iver. Só sei que ouvia o For Emma repetidas vezes sem enjoar sem entender bem o que tinha encontrado de tão especial naquele som. Quando tomei conhecimento do processo de gravação, então, fiquei ainda mais hipnotizada. Era como se sentisse mesmo a dor de Justin Vernon. Ouvia querendo abraçar, essas coisas toscas de quem surta fácil com música…

Faixa favorita: The Wolves (Act I and II) e seu eterno what might have been lost

Yankee Hotel Foxtrot – Wilco

Um amigo me apresentou Ashes of american flag e o “all my lies are only wishes” ficou em looping eterno na minha cabeça por dias. Era minha música de domingo, um afago em meio àquela melancolia pesada que me tomava no primeiro dia de cada semana. Rolou um repeat nervosinho e confesso que demorei algumas semanas para procurar o álbum completo. Quem conhece já pode imaginar o efeito do YHF. Era uma briga de repeats com todas as faixas. Ouço Jesus, Etc e saio dançando pela casa, celebrando toda a dor disfarçada na melodia. Ouço Heavy Metal Drummer e Kamera achando graça. Fico sofrida com Reservations e Radio Cure. Poderia tatuar a letra inteira de i am trying to break your heart, visto que a conheço há quase dez anos e nunca consegui parar de ouvir. Nunca mesmo. A música tem 6 minutos e 58 segundos que se transformam facilmente em meia hora quando coloco para tocar. Me marcou de uma forma absurda, sinto até dificuldade quando percebo que preciso parar e ouvir outra coisa. Confesso, por vezes me dói. Mas acho tão bonita que abstraio toda minha estrutura emocional na hora de dar o play (tá bom, eu também me entrego e choro bastante com ela quando o autocontrole vai para as cucuias).

Faixa favorita: I am trying to break your heart

In Rainbows – jigsaw falling into place

Quem me conhece sabe que Radiohead é uma das minhas bandas favoritas. Podem dizer que dá sono, que é depressivo demais. Vai ver é por isso mesmo que gosto tanto assim. Tenho dificuldades em escolher um álbum predileto porque gosto bastante de todos, In Rainbows veio para representar o todo porque era o disco de divulgação da primeira vez que vi a banda ao vivo. Aliás, foi uma grande surpresa: quando ouvi pela primeira vez, pensei que fosse me decepcionar com o IR, mas foi amor à primeira escutada (?). Um ano depois do vício (sério, não saía das minhas playlists) eles vieram ao Brasil e olha, até hoje ninguém conseguiu bater esse show. O mais incrível da minha vida (tá que não vi muita coisa, mero detalhe). Faust Arp ficou maravilhosa naquele palco imenso, só no violão. Quando acabou Paranoid Android e Karma Police o público não parou de cantar e Thom Yorke, que é estranho porém simpatia pura, pegou o violão e continuou conosco. Não tinha como esquecer. Saí hipnotizada. Aquela letra de chorôrô e eu lá, mal aguentando o sorriso na cara. Você já espera algo legal das faixas mais conhecidas, só que sim, o In Rainbows me surpreendeu mais uma vez ao vivo, ficando ainda mais interessante. Só amor e mais um pouquinho.

Faixa favorita: Jigsaw falling into place

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6 comentários sobre “Blogagem coletiva: Discos da minha vida

  1. Lidy do céu! Sempre soube que somos diferentes, mas musicalmente, uau! rs. O único álbum que eu conheço (veja bem, nem disse que desgosto dos demais, simplesmente os desconheço!) é o primeiro e de fato o tenho em casa. Estou até pondo pra tocar.
    Quanto ao restante vou dar uma pesquisada!

    ps: saudade de vc!

    • Tudo culpa da minha mania de ficar “caçando” bandas pela internet, Flá! Citei The OC diversas vezes por isso. Procurava a trilha e acabava dando uma conferida nas bandas semelhantes. Era descontrolada. Deve ser por isso que esses discos ganharam tanta importância na minha vida, eles tem um quê de conquista das minhas buscas incansáveis. Saudade também, sumidinha! Ainda precisamos tomar aquele café ;)

  2. Nossa, quanta identificação musical. Doutrinadas musicalmente por The OC, dá cá um abraço <3 Vou aproveitar pra anotar tudo que eu não conheço, porque é certeza que vou gostar. Achei engraçado que você citou alguns discos que deixei de fora da minha lista com muita dor no coração, tipo o Transatlanticism porque nunca superei Seth Cohen e jamais superarei Tiny Vessels. In Rainbows também é amor verdadeiro. Eu estava naquele show e pensei que fosse derreter e ficar enterrada na Chácara do Jockey depois daquele momento Paranoid Android. Até hoje lembrar do Thom Yorke sendo tão incrivelmente simpático me dá um quentinho no coração absurdo.

    E Wilco, ai Wilco <3 Dói mesmo, dói demais. Também não consigo colocar o YHF pra tocar sem perder algumas horas no processo, porque preciso ouvir algumas músicas umas três, quatro vezes. I Am Trying To Break Your Heart é a favorita que reina absoluta porque é a música mais dolorida e linda do mundo. Eu amo ela ao vivo, na versão do Kicking Television, porque o modo como o Tweedy canta 'what was I thinking when we said…hello?" é demais pra mim. Esse cd é absolutamente perfeito. <3 <3 <3 <3

    beijos!

    • Siim, fiz parte da escola de música de Seth Cohen <3 Não tenho vergonha em admitir. Não fosse OC e um amigo meio guru de música e hoje não conheceria nem metade do que conheço. Se quiser dicas mais específicas de uma dessas bandas me manda uma inbox, adoro trocar dicas de bandas :) Tiny Vessels é de cortar o coração. Depois de tanto tempo é difícil ouvir Death Cab, porque tudo parece bem lindo mas é destruidor. Você também viu Radiohead em São Paulo? Também desmanchou apesar da lama? Olha, aquele dia foi uma das coisas mais incríveis da minha vida. Me deu vontade de colocar a banda inteira em um potinho naquele dia, conseguiram quebrar toda a bad vibe que assombra as músicas da banda. Hoje ouço quando não estou bem e logo me sinto melhor, tem um efeito mágico.

      Olha, repetindo a frase do post anterior: passei 23 anos da minha vida achando que ninguém entenderia meu arrepio ao ouvir o Tweedy e seu singelo "what was I thinking when we said…hello?" ~~: de cá um abraço! Acredito que vou ter um belo de um ataque cardíaco caso tenha a oportunidade de conferir essa música ao vivo. Ela tem um efeito absurdo sobre mim, parece que fico meio em transe. Entra fácil na lista de músicas favoritas da vida. Posso ouvir tudo de Wilco que sempre acabo voltando ao Yankee, visto que não consigo pular uma faixa sequer. Ele é maravilhoso ~:

    • Aline, obrigada pelo carinho, bonita! O In Rainbows é um álbum belíssimo do início ao fim, não é? O tempo passa e mesmo assim não consigo deixar de gostar de cada faixa como se fosse a primeira vez que estivesse ouvindo. Beijo e obrigada pela visita!

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