Meme: Palavras Cruzadas – 15 livros

A Julie me indicou para uma tag bem divertida sobre livros. Foi criada pela Inês, do InesBooks, com a ideia de listar 15 livros a partir de alguns temas. Já vi que muita gente respondeu – aproveitei para roubar algumas dicas, por sinal – então, caso ainda não tenha sido indicado, deixo em aberto para quem se interessar em fazer a própria lista (: (Adoraria ver as sugestões da Melissa, da Thais e da equipe do Livros Aquáticos)

1) Vox Populi (um livro para recomendar a toda gente)

Adiei por motivos de “síndrome do livro querido”. Todo mundo gostava e tinha a sensação de que detestaria quando começasse. Era até meio absurdo: estava quase no fim da faculdade de jornalismo sem nunca ter lido A Sangue Frio, de Truman Capote. Até um professor transformá-lo em leitura obrigatória. Logo entendi essa paixão desenfreada. Independente das especulações, a forma como o livro te prende é uma coisa absurda. Recomendo fácil para qualquer pessoa, pois embora seja um tema pesado, a escrita de Capote é bastante sedutora e tem essa vantagem de contar um fato real com pitadas de ficção.

2) Maldito plágio (o livro que gostaríamos de ter escrito)

Está permitido sonhar alto nessa categoria? Adoraria ter escrito Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes. Fiz o caminho inverso e li muita coisa teórica dele, até uma professora me pedir para ler A Câmara Clara para um trabalho acadêmico. A cada frase sentia um arrepio tão grande que o destino a Fragmentos aconteceu de forma natural. Que livro, minha gente. Barthes tinha uma habilidade incrível para falar sobre coisas que nos doem de uma maneira linda. Pelas letras dele sofrer parece até prazeroso. Queria ter pelo menos 5% do talento de Barthes (e sim, é claro que aceito uma cópia de presente porque minhas leituras se limitam a empréstimos de bibliotecas e da minha própria irmã, que já não vê a cara do livro há uns quatro anos).

3) Não vale a pena abater árvores por causa disso

Estou com a Anna: Por Isso a Gente Acabou, de Daniel Handler. Sabe quando você pega uma obra pensando que vai adorar e já sente aquela decepção nas páginas iniciais? Poisé. Antes de comprá-lo, folheei fascinada pelas ilustrações, o que me deixou ainda mais iludida. A ideia era boa, mas gente, quantos personagens insuportáveis. Ninguém se salva, juro que não é exagero. Tão crítico que nem mesmo o fato de ter esses desenhos bonitos o salvaria.

4) Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)

Clássico caso de O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. Preciso esclarecer que reconheço o valor da obra em termos de literatura e não acho nem um pouco ruim, pelo contrário. Foi uma boa leitura e até me identifico um pouco com Holden Caulfield, tínhamos muito em comum no auge dos meus 16 anos. Mas sabe quando você termina com aquela sensação de que queria ter gostado muito mais? Então.

5) Eu tentei… (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)

2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Arthur C. Clarke. Adoro o filme (Stanley Kubrick <3), apesar de toda a brisa, mas acabei empacando no livro. A leitura fluiu super bem até um dado momento, e confesso que o autor é bem minucioso na tentativa de fisgar o leitor. Infelizmente não funcionou tão bem comigo, e cheguei a uma altura da obra em que ficou difícil seguir adiante. Quem me acompanha no Goodreads deve ter visto que outros livros já atropelaram 2001. Ainda assim não quero desistir, pois até onde li foi fundamental para esclarecer algumas questões que não ficaram muito claras na adaptação. Ainda retomo, aguardem.

6) Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro com final surpreendente)

Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lionel Shriver (com essa capa tenebrosa mesmo). Já tinha visto o filme, que foi motivo suficiente para atiçar minha curiosidade e ficar maluca para ler o livro que o inspirou. Sabia o final, mas pela releitura feita pela diretora as explicações não ficaram tão claras. Tanto que durante a leitura fiquei bem surpresa com o desfecho. Hoje é um dos meus livros favoritos. Lembro que lia as páginas finais bem embasbacada, era tudo surreal demais pra ser verdade. Me desculpem o spoiler, mas gente, que autora maravilhosa. NÃO LEIA SE VOCÊ TEM AVERSÃO A SPOILERS: Você tem a impressão de que o marido está vivo a todo o momento, como se só houvesse ocorrido uma separação do casal e não, ele está morto, e você só descobre isso nas páginas finais. Baita livro.

7) Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)

Sou dessas que gosta de ler QUALQUER livro com calma. Dizer que “devorei” um livro é uma lenda, pois mesmo com uma leitura envolvente sou meio lerda. E tenho essa coisa de não querer acabar por nada neste mundo quando estou gostando, rola todo um apego. Até chegar a Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer. Peguei em uma biblioteca e tinha duas semanas de prazo para devolução, mas risos eternos, daria pra lê-lo cinco vezes. Chorava e abraçava o livro no transporte público, teve um efeito inesperado sobre mim. Terminei em três dias meio sem acreditar, mas o apego foi tão grande que mesmo a minha tradição de enrolar com uma leitura parecia absurda. Safran Foer é de coração.

8) Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)

Um livro chamado Gula – O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Veríssimo parece meio óbvio para essa categoria, mas não consegui pensar em outra coisa. Lembro que li quando estava na praia e era triste encarar um prato de peixe com arroz depois e ler a descrição de todas as comidas degustadas em Gula (aliás, fica a dica, a leitura flui que é uma beleza e também é vendido em versão pocket).

9) Fast forward (um livro que poderia ter menos páginas que não se perdia nada)

Podem me julgar, pois é daqueles que todos adoram e só insisti porque precisava resenhá-lo para uma atividade da faculdade. Não vejo a menor graça em Abusado, de Caco Barcellos. É possível que tenha lido na hora errada, não duvido. Só não entendia qual era o apelo, sendo que para mim foi custoso chegar à página 50 (imaginem então dar cabo ao livro, que é uma tora!). Cortaria facilmente várias páginas dele. Menção honrosa para Le Gone Du Chaaba, de Azouz Begag. Várias páginas descartáveis de um livrinho sem vergonha, desses que você fica contando quanto falta para acabar de tão insuportável. O de Barcellos tem momentos interessantes, confesso, mas o de Begag não tem nada que se salve.

10) Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)

Antes de ler O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar, passava pela livraria e perguntava pelo livro que tinha nome de brincadeira de infância. Pode não significar nada para vocês, mas para mim era de uma simplicidade absurda. Adoro a forma como o título brinca com a própria estrutura da obra e era desses que morria de medo de não gostar quando fosse ler. Grata surpresa. Também sou chegada a títulos esdrúxulos e não fosse minha antiga compulsão para ler tudo de Caio Fernando Abreu em um dado momento da adolescência, é certo que leria Os Dragões não Conhecem o Paraíso só pelo título.

11) O que vale é o interior (um livro bom com a capa feia)

Morro de dó porque nem é um livro muito conhecido e poxa, a capa não ajuda nem um pouco. Até incluiria na categoria anterior, pois o título desperta atenção. Era Uma Vez o Amor Mas Tive que Matá-lo, de Efraim Medina Reyes é maravilhoso, desses livros de quem só se ferra no amor mas aprecia uma boa música.

12) Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)

Nos dias de preparatório para o TCF pegava um trânsito daqueles na Faria Lima, o que pelo menos me ajudava a colocar a leitura em dia quando não estava com muita dor de cabeça. Depois de chorar muito com Junot Díaz e seu É Assim que Você a Perde, deixei de ser idiota e resolvi levar O Manual de Sobrevivência dos Tímidos, do Bruno Maron, comigo. Chorava de tanto rir sozinha no coletivo, sou dessas. Galera não entendia muito bem, mas a identificação era tanta que mal me aguentava.

13) Tragam-me os Kleenex, faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)

Tem alguém que chora bastante com qualquer livro, sou sensível e literatura me tira lágrimas com facilidade. Escolhi um exemplo recente para ilustrar. Levels of Life, de Julian Barnes, me deixou seca. A dor de Barnes me parecia bem próxima e quando me dava conta estava com o lencinho ao lado para conter o chorôrô. Vale citar também Uma Crença Silenciosa em Anjos, de R. J. Ellory, que tinha tanta catástrofe e um personagem central tão azarado que parecia até errado não me comover com a dor dele, como se fosse uma pessoa de verdade.

14) Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)

Sou super tranqüila, superei a fase de receio ao emprestar. Tanto que às vezes nem cobro o livro de volta, acabo me esquecendo (eu sei, o desapego precisa ter limites). Mas tenho ciúmes da minha edição de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Virou algo íntimo demais para estar nas mãos de outras pessoas. Depois do nosso estranhamento nas primeiras 100 páginas me entreguei sem medo à leitura e o livro ficou todo riscado. Grifos, comentários, tudo em excesso. É meu livro mais sujo e objeto de apego. Nem me imagino conseguindo emprestá-lo.

15) Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)

Fiquei atraída pelo autor quando um folder sobre suas obras caiu de pára-quedas de dentro de uma revista da Livraria Cultura. Citava trechos e discutia sobre o tema de cada livro. Depois de um bom tempo comprei Bartleby e Companhia, mas nunca li. Enrique Vilas Matas me parece incrível, mas mesmo com um livro em mãos fico adiando por algum motivo que me é desconhecido. Mas não é por mal, tanto que nunca nem comecei a lê-lo. Ainda não desisti dele.

I’m moving past the feeling

Em alguns momentos de 2011 tentei me dedicar de corpo e alma ao curso de francês, apesar das circunstâncias pouco favoráveis. Ano difícil aquele, parecia insanidade ter boas expectativas naquele momento. Ia me desprendendo cada vez mais de mim e nessa loucura toda consegui meu primeiro emprego, o que me forçou a trocar as aulas para o sábado. Desde os tempos de escola sei que essas amizades para vida toda são furadas e fazer amigos em um sábado de manhã era algo improvável demais para ser verdade. Só que aconteceu.

Tem todo aquele drama de saber que uma hora o curso vai acabar e nunca mais nos veremos, mas oras, qual é a necessidade de se desesperar por algo que mal começou, era melhor aproveitar o momento sem pesar as futuras despedidas. Tanta coisa aconteceu nesses escassos (quase três anos). Parecia que estávamos fortalecendo nossos laços de 10, 15 anos de amizade. Tudo tão intenso e ao mesmo tempo tão inesperado que olho o calendário e é estranhíssimo saber que dois deles debandaram, juntos, para os cantos mais frios do Canadá. Começar uma vida nova, tudo do zero, abandonar a rotina da qual reclamávamos juntos e que talvez venha a ser motivo de saudade para eles em pouco tempo. Nem parece que abandonamos o curso há cinco meses e os encontros de sábado da turma já não acontecem há um tempo considerável.

No início do mês passado, durante o show do Arcade Fire, Win Butler disse que a próxima música “é sobre saudade”. Ia dizer que The Suburbs nunca mais foi a mesma, só que nenhuma música do Arcade Fire foi a mesma depois daquele dia. Um desses amigos gosta muito da banda, e oras, ele vai para a terra deles. E ainda assim gastou uns tostões só para me acompanhar nesse show que, me desculpem, era imperdível. Afora toda a saga até Interlagos, roubaram o celular dele durante o show do Pixies e ainda assim ele teve ânimo para se enfiar no meio do povão comigo para ver Arcade Fire.

A banda sempre teve um feeling gostoso para lidar com todos os tipos de angústias cotidianas. Sempre foi uma delícia colocar Rebellion (Lies) no último volume e sair fazendo dancinhas estranhas pelos cantos. Sabe, no fundo eu estava puta da vida, querendo meter um murro na cara de cada pessoa mentirosa que andava me incomodando. Só que era ótimo pensar nisso acompanhada por uma música animada, no maior estilo dançando com a própria desgraça. E eles fazem isso de uma forma tão delicada que nunca me ocorreu chorar com nenhuma composição, mesmo que estivesse soçobrando em angústia. Para minha surpresa (em dia de show pode tudo), levei pouco tempo me emocionar. Era como se todas as sensações do mundo tivessem me devorado naquela hora: uma banda que eu adoro, um show super cuidadoso e cheio de detalhes encantadores, a despedida de um grande amigo. Confesso minha fragilidade para canções tipo Wake Up, acompanhada por chuva de papel picado e até fogos de artifício, que talvez nem fossem parte do show, mas prefiro pensar que eram. Chorei com um sorriso que me rasgava a face, naquela expressão de decadência e alívio. Também teve dancinha, toda desengonçada e pisando nos pés de quem estivesse por perto.

Sou tão acostumada a essa ideia de fazer as coisas sozinha que quando vem a calhar de ter companhia tudo fica muito estranho. E no fim das contas correu tudo bem, e essas coisas me fazem valorizar muito mais esses casos raros de partilhar momentos – principalmente em shows, justo comigo que vi tantos sem a menor expectativa de companhias. Para alguns talvez não passe de um dramalhão exagerado, mas aquela foi a nossa despedida e eu nunca imaginei que algo que costuma ser tão doloroso poderia me marcar sem provocar dor alguma. É surreal juntar memórias desse dia querendo voltar, mas sem sentir um pingo de tristeza. Isso não se deve exclusivamente ao jeito Arcade Fire de fazer shows, pelo contrário. É o conjunto. Uma pessoa positiva consegue te trazer isso. Em meio a todo o meu pessimismo contumaz é até esquisito aceitar algo positivo com tanta naturalidade, mas abraço a causa de bom grado.

Raffa, espero que a vida me dê pelo menos uma parcela da sua sabedoria para um dia observar as situações da vida com um olhar mais brando. Queria aprender um pouco sobre ser uma pessoa otimista sem soar pedante, sem parecer que fui cuspida direto de um comercial de margarina. Sem essa de encarar cada etapa da vida como um monstro, um fardo insuportável a ser sustentado em nossas costas. Espero que essa sua essência não mude nunca, que mesmo tendo que se adaptar a uma cultura distinta você não deixe que isso se perca. Você sobreviveu a frieza da (insana) sociedade paulistana, não vá ceder ao clima frio! Ale, o mesmo serve pra você. Somos assim, de natureza ranzinza, o que naturalmente nos deixa mais forte. Se um dia alguém te disse isso como crítica negativa, está mais que permitido rir alto na cara da pessoa. Veja bem, um dia quero ser tão dedicado quanto você para assustar todos os colegas em sala de aula (a gente corre, mas sempre acaba voltando aos estudos. Taurinos teimosos que somos).

Sei que não é uma mudança definitiva, nem vocês sabem quanto tempo vão ficar por lá. Visita-los não é tão simples quanto ir ao Mato Grosso do Sul e é óbvio que será difícil, mas queria reforçar que vejo um futuro lindo para vocês. Já me pego ansiosa esperando pelas inúmeras histórias malucas que vocês vão me contar daqui alguns meses. Vai ser uma experiência incrível, disso tenho certeza.

Embora esse texto possa parecer um amontoado sem sentido de palavras, seria horrível demais chegar ao dia de hoje sem ter algum registro “físico” de pessoas que me marcaram tanto e, mesmo sem perceber, me deram uma força absurda nos momentos em que só queria abaixar a minha cabeça na mesa e chorar a manhã de sábado inteira. Vou guardar esses meses de curso com um carinho imenso. Não vou me esquecer das nossas brincadeiras em sala da aula, das referências cheias de requintes (ken lee jamais será esquecido), do humor negro, nosso imbatível mauvaise conscience e sim, nossos ocasionais almoços e cervejas.

Engraçado isso, não é mesmo? Surgimos com a ideia de estudar uma língua estrangeira, de repente o estudo passa a ser algo prazeroso e quando menos se espera você começa a chamar aquilo de “terapia”, a única parte da semana em que mesmo tentando entender o discours indirect você consegue relaxar e esquecer um pouco dos problemas. O francês deixou de ser uma obrigação e passou a ser a hora da semana para encontrar um monte de gente querida e de quebra estudar um pouquinho.

Que essa nova fase seja linda, de coração. Naquela frase clichê que todos conhecem de Os Famosos e os Duendes da Morte, “estar perto não é físico”. Mesmo de longe, saibam que estou aqui para o que precisarem – e nunca vou deixar de torcer por vocês. E sim, vai rolar uma bronca bem feia se eu não tiver notícias sempre que possível.

Blogagem coletiva – O que todo mundo ama (e eu odeio)

A proposta do Rotaroots para o mês de maio é bem prática: listar coisas que todos amam mas você odeia. Embora seja um texto “de ódio”, foi bem divertido falar sobre essas coisinhas desprezíveis. Vale reforçar que não julgo ninguém por gostar, ok? Inclusive considero o termo “odiar” um pouco pesado. No caso dos artistas, prefiro não falar muito – a não ser que me perguntem o motivo do desprezo. Para comida vocês não vão me ver fazendo careta ao encarar o prato alheio. Nada de medidas extremas para expressar as coisas que não gosto (mas confesso toda uma repulsa pelos discursinhos de quem quer me fazer mudar de ideia).

Katy Perry
Confesso que quando vi a figura pela primeira vez não pensei que seria ruim. Interpretei como uma daquelas figuras pop que todo mundo vai a-mar, e que se brincar deve até ter uma música com letra engraçadinha. E ela até tinha. Me deparei com alguém postando a frase “you’re so gay and you don’t even like boys” em alguma rede social e partiu apuração. GENTE? Não consegui, foi muito difícil. A voz dessa moça é muito sofrida. Começa a tocar e eu já sinto ódio no coração. Imagine então quando ela invade uma apresentação ao vivo, deveras desafinada. Não sei lidar.

McDonalds
Tenho um pouco de dó das pessoas que não me conhecem e me convidam para comer no McDonalds como se isso fosse uma ideia genial. Entendo a má impressão, visto que sou meio ogra e comer para mim é uma felicidade plena. E não nego meu passado, era daquelas crianças alucinadas pelo McLanche Feliz. Durante a adolescência, quando comer lanches de lá passou a ser quase um ato de rebeldia para os jovens da minha faixa etária, comecei a estranhar o gosto da comida. Não me caía bem como outrora. Não vejo a menor graça. E na época da faculdade os colegas achavam lindo. Vocês não sabem o quão difícil foi acompanhá-los nessas raras ocasiões (amigos, me perdoem, mas já inventei desculpas só pra não ter que comer essa comida horrorosa). I’m lovin’ it o caramba.

Mumford and Sons
Já vi umas três pessoas dizendo que eles são a “Paula Fernandes da Inglaterra”. Vocês não poderiam estar mais corretos! Já notei uma mania que as pessoas possuem de gostar automaticamente de tudo que vem da Inglaterra. Entendo em parte, pois os ingleses são bem cuidadosos em tudo o que fazem, mas não são perfeitos. Ouvi duas músicas, achei uma razoável e a outra pavorosa. Como sou persistente, dei uma chance ao álbum completo e nossa, contei os segundos para que acabasse logo. A voz do vocalista não me agrada nem um pouco, acho a batida chata, as letras pavorosas. Argumentos vazios, eu sei, mas ódio é que nem amor (sim): não se explica, simplesmente se sente. Não me agrada nem um pouquinho.

Coca-cola
Coisa mais linda foi quando ouvi Líquido Preto, do Apanhador Só (a música faz parte do “Antes que tu conte outra”, ótimo disco por sinal), e me senti em casa: como é que pode tanto engodo assim num líquido preto? Penso que é algo semelhante à minha relação com o McDonalds: consumi tanto durante a infância que hoje não posso nem sentir o cheiro. Minha implicância também é um pouco mais leve, pois acontece de sentir uma sede absurda e só ter um amigo com uma lata de coca ao meu alcance. Aí tomo um gole imaginando que é um suco (nem sempre funciona). Já tentei tomar um copo, uma lata, aquelas garrafinhas de vidro, sempre sem sucesso. Sabe quando você tá com enjôo e te mandam tomar esse negócio? Prefiro seguir passando mal se essa for a única opção.

Balada (menção honrosa: Carnaval)
Vou porque os amigos demandam – mas vocês podem até perguntar a eles, é um custo me tirar de casa. Principalmente se o destino for uma balada cheia de jovens loucos fazendo merda. Odeio lugar pequeno e abarrotado de gente, tocando músicas que raramente são do gosto. Pode soar um tanto paradoxal, visto que adoro a ideia do bar com amigos. E vivo louca no meio do povão em shows. Entendam, são propostas diferentes: no bar, estou confortável, sentada, comendo e bebendo. No show, faço um sacrifício para ver uma banda que gosto muito. Na balada não dá para ser feliz, só isso. É um ambiente que não condiz em nada com o meu perfil, sou old lady demais para essas coisas. E não dá nem pra beber para abstrair nesses lugares porque a cerveja e os drinks são sempre absurdos de tão caros. Ou seja: melhor comprar o goró no mercadinho e tomar todas no conforto do meu lar.

Blogagem coletiva: Discos da minha vida

Abril foi um mês muito conturbado. Tanto que atrasei tudo e mais um pouco, e nisso incluo a proposta do mês do Rotaroots. Como vocês podem perceber, o último post foi com o tema de março. Mas não queria deixar esse aí passar em branco, então voilà, segue minha listinha de discos da vida :)

Millennium – Tim Maia

Morei no Mato Grosso do Sul durante a infância enquanto a família inteira continuou em Goiânia-GO. Ou seja, foram incontáveis os fins de semana e feriados de estrada. Meus pais, às vezes meus irmãos juntos, às vezes sozinha no banco de trás. A trilha sonora sempre foi da autoridade máxima, meu pai. E aquele “ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir” meio rouco foi o que marcou essas longas tardes de marasmo contemplando a estrada que parecia sem fim. Meu pai tinha uma pilha de coletâneas em casa e muitas delas se perdiam no carro toda vez que íamos viajar. Nem sabia que aprenderia a gostar de Tim Maia mais tarde e não largaria mais suas composições.

Faixa favorita: Azul da cor do mar.

In Utero – Nirvana

Como falar de álbuns da minha vida sem citar Nirvana? Nem imaginava que gostaria de rock até conhecê-los. Sim, eles vieram antes mesmo dos Beatles para mim. Deveras significativo: foram minha porta de entrada para conhecer um gênero completamente diferente do que eu estava habituada, e olha só, me ajudavam a estudar inglês. E o terceiro disco da banda foi um dos primeiros que ouvi do início ao fim sem pular nenhuma música.

Faixa favorita: Heart-shaped box

Deja Entendu – Brand New

Jesse Lacey sempre soube das coisas. Unprepared for a life full of lies and failing relationships, parecia até previsão (do mal) pro futuro. We’re concentrated on falling apart. Sempre achei bem visceral, amava essa coisa barulhenta que parecia desesperada para gritar as próprias angústias. Hoje quando me pego ouvindo esse álbum dá um aperto no peito e é como se voltasse um pouco no tempo e me prendesse àquela nada saudosa época de insônia, quando via o sol nascer da janela do quarto sem um pingo de sono, mas com Brand New me confortando.

Faixa favorita: Okay I believe you, but my tommy gun don’t.

Everything in transit – Jack’s Mannequin

Sim, era apreciadora de Something Corporate e Jack’s Mannequin foi mera consequência disso. E não sei o que via de tão especial nesse álbum, mas ouvia de cabo a rabo como se Andrew estivesse tocando piano e cantando no meu quarto. Acompanhou momentos intensos de angústia e com cada faixa descobri, pela primeira vez, o que era sentir nostalgia pelo que nunca vivi. Não tem apuro algum em termos de música, mas não consigo desprezá-lo depois de tanto tempo. Difícil falar sobre músicas que me marcaram sem falar sobre ele.

Faixa favorita: I’m Ready

Transatlanticism – Death Cab For Cutie

Pouco tempo depois veio The OC, e com ele veio a confirmação do que era se torturar pela nostalgia do que nunca vivi. E Death Cab marcou um sem número de despedidas e daquilo que seria meu primeiro contato com o desapego. Nessa pira de adolescente que sonhava em ter um Seth Cohen na vida, nunca superei essa banda. Queria ser a moça de Seth e acompanhá-lo em um show, para abraçá-lo com força ao ouvir aquele “I need you so much closer”. Mas não, nunca tive isso e nem vou ter. Ao menos a música ficou, e essa é até hoje uma das minhas bandas favoritas.

Faixa favorita: Tiny vessels (e toda a sua sinceridade)

Turn on the bright lights – Interpol

Muita gente despreza The OC, mas a série foi essencial para minha formação musical. Conheci tanta coisa! Bandas que apreciei por anos, comprava cada álbum novo e nem sonhava que um dia assistiria ao vivo. Interpol foi uma delas. Turn on the birght lights foi minha primeira aquisição, que comprei de imediato depois de procurar Interpol na internet e ficar ouvindo no youtube. I’m sick of spending those lonely nights training myself not to care, minha vida, Paul Banks. Nos amamos desde o início e não te largo por nada neste mundo. E embora Specialist (sim, essa era a faixa que tocou em OC) esteja no meu top 3 da vida, esse álbum reúne todas que mais gosto deles (coincidência ou não, Specialist caiu na edição especial de 10 anos do álbum, um eterno sonho de consumo).

Faixa favorita: Stella was a diver and she was always down

When the pawn – Fiona Apple

Sou clichê, conheci a moça Apple com Paperbag. Vi o clipe da tevê e fiquei obcecada pela moça de voz forte, meio rouca, e com as letras mais sinceras do mundo. Para mim, ela sempre vai ser uma válvula de escape. Qualquer ameaça de dor no coração, solidão, essas coisas tolas (porém desconfortáveis) da vida é resolvida com o When the pawn no último volume, cantando junto como se tivesse o vozeirão dessa mulher. Marcou uma época, é lógico, e sou grata até hoje pela força que ela me deu (mesmo sem ter a menos ideia disso)

Faixa favorita: Get Gone

For Emma Forever Ago – Bon Iver

Outro presente de seriados. No caso, Skins. E era um das músicas mais bobinhas deles (Woods). Fui infectada de imediato, precisava saber que esquisitice era aquela. Até hoje não consigo explicar muito bem minha relação com Bon Iver. Só sei que ouvia o For Emma repetidas vezes sem enjoar sem entender bem o que tinha encontrado de tão especial naquele som. Quando tomei conhecimento do processo de gravação, então, fiquei ainda mais hipnotizada. Era como se sentisse mesmo a dor de Justin Vernon. Ouvia querendo abraçar, essas coisas toscas de quem surta fácil com música…

Faixa favorita: The Wolves (Act I and II) e seu eterno what might have been lost

Yankee Hotel Foxtrot – Wilco

Um amigo me apresentou Ashes of american flag e o “all my lies are only wishes” ficou em looping eterno na minha cabeça por dias. Era minha música de domingo, um afago em meio àquela melancolia pesada que me tomava no primeiro dia de cada semana. Rolou um repeat nervosinho e confesso que demorei algumas semanas para procurar o álbum completo. Quem conhece já pode imaginar o efeito do YHF. Era uma briga de repeats com todas as faixas. Ouço Jesus, Etc e saio dançando pela casa, celebrando toda a dor disfarçada na melodia. Ouço Heavy Metal Drummer e Kamera achando graça. Fico sofrida com Reservations e Radio Cure. Poderia tatuar a letra inteira de i am trying to break your heart, visto que a conheço há quase dez anos e nunca consegui parar de ouvir. Nunca mesmo. A música tem 6 minutos e 58 segundos que se transformam facilmente em meia hora quando coloco para tocar. Me marcou de uma forma absurda, sinto até dificuldade quando percebo que preciso parar e ouvir outra coisa. Confesso, por vezes me dói. Mas acho tão bonita que abstraio toda minha estrutura emocional na hora de dar o play (tá bom, eu também me entrego e choro bastante com ela quando o autocontrole vai para as cucuias).

Faixa favorita: I am trying to break your heart

In Rainbows – jigsaw falling into place

Quem me conhece sabe que Radiohead é uma das minhas bandas favoritas. Podem dizer que dá sono, que é depressivo demais. Vai ver é por isso mesmo que gosto tanto assim. Tenho dificuldades em escolher um álbum predileto porque gosto bastante de todos, In Rainbows veio para representar o todo porque era o disco de divulgação da primeira vez que vi a banda ao vivo. Aliás, foi uma grande surpresa: quando ouvi pela primeira vez, pensei que fosse me decepcionar com o IR, mas foi amor à primeira escutada (?). Um ano depois do vício (sério, não saía das minhas playlists) eles vieram ao Brasil e olha, até hoje ninguém conseguiu bater esse show. O mais incrível da minha vida (tá que não vi muita coisa, mero detalhe). Faust Arp ficou maravilhosa naquele palco imenso, só no violão. Quando acabou Paranoid Android e Karma Police o público não parou de cantar e Thom Yorke, que é estranho porém simpatia pura, pegou o violão e continuou conosco. Não tinha como esquecer. Saí hipnotizada. Aquela letra de chorôrô e eu lá, mal aguentando o sorriso na cara. Você já espera algo legal das faixas mais conhecidas, só que sim, o In Rainbows me surpreendeu mais uma vez ao vivo, ficando ainda mais interessante. Só amor e mais um pouquinho.

Faixa favorita: Jigsaw falling into place