Mostra Internacional de Cinema de SP #4

11) The Wind Rises, de Hayo Miyazaki

Essa é a despedida de Hayo Miyazaki como diretor. Ele, que criou aquela coisa linda chamada A Viagem de Chihiro. Seu último trabalho é um filme mais sério, com criaturas estranhas que habitam apenas no imaginário de Jiro Horikoshi, aparecendo apenas quando ele sonha. Por sinal, momentos importantes na construção da história – embora inconsciente, essa hora é dedicada a reflexões. Quando, em meio a situações inusitadas, ele pensa com calma sobre as questões que o inquietam. O longa é sobre a história de Jiro, designer responsável pelo modelo do avião Zero Fighter (utilizado durante a 2ª Guerra Mundial).

É todo voltado ao público adulto e não tem os devaneios tão característicos de outras produções do diretor, mas isso não desmerece The Wind Rises. É um formato diferente, porém igualmente bem sucedido. Não vi a filmografia completa de Miyazaki e ainda assim acredito que seja um de seus filmes mais tristes. Ele mostra a infância de Jiro e o seu desejo incansável de criar belas aeronaves. Embora monte algo perfeito em sua mente enquanto sonha(desenhos belíssimos, por sinal), no fim observa os aviões se despedaçando, como se fossem feitos de papel. Demonstra, em certa medida, o seu medo de construir instrumentos que posteriormente seriam utilizados para destruição.

Você assiste achando a história bem bonita – Jiro é uma pessoa super empenhada, um grande trabalhador que preza pelo seu ofício – contextualizado com a relação que levava com a família e como conheceu a futura esposa. Ao mesmo tempo, é preciso aceitar a condição de que ele está construindo armas de guerra. É preciso saber dosar esses sentimentos para apreciar esse filme, um belo adeus de Miyazaki.

“Le vent se lève! Il faut tenter de vivre!”

12) Pais e Filhos, de Hirokazu Koreeda

Koreeda possui uma pegada meio Miyazaki no jeito como coloca suas histórias em cena. Há beleza demais para um pequeno espaço – fotografia apurada, atores com os quais você simpatiza logo de cara e um clima de serenidade extrema. Alguns minutos de filme e ele já te instala um aperto no coração, aquele estranhamento de quem não quer aceitar que haja tragédia em uma paisagem tão delicada.

Em Pais e Filhos ele nos mostra o cotidiano de um casal aparentemente rico com um filho pequeno. Enquanto a mãe se mostra afetuosa o tempo inteiro, o pai demonstra uma exigência um tanto exagerada para uma criança tão nova. Quando o garoto atinge a idade escolar, o hospital onde nasceu entra em contato com a família para dizer que os bebês foram trocados na ocasião do parto. Inicia-se uma longa saga: o casal pensa se é o caso de “destrocar” as crianças e passa a medir as consequências desse ato tanto para os pais quanto para os pequenos.

Parecia um tema óbvio e batido a princípio, não fosse um longa contado pela perspectiva de Koreeda. Para ele, é proibido ter falhas no roteiro e nenhum minuto da projeção é desperdiçado. A trama é desenvolvida a partir dos encontros das duas famílias, completamente distintas. Além de mostrar um pouco sobre a cultura local (fui enfática ao destacar essa característica nos outros filmes da mostra), ele aponta o contraste e a diferença de valores entre as duas famílias sem ser tendencioso – ele não quer nos levar a concordar com um personagem ou outro. Seu plano é nos colocar na pele de cada um, experimentar as sensações de todos. Para sair do cinema com o coração do tamanho de uma ervilha (e sim, isso vale para pessoas insensíveis).

The Wind Rises

Pais e Filhos

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