Filmes de agosto

Roubei a ideia da e pretendo fazer uma agenda dos filmes que assisti todo mês. Confesso, às vezes a lista é curta, mas a ideia é bacana até para passar umas dicas pra quem procura um longa-metragem para assistir no fim de semana.

Continuo colaborando para O Bolchevique Analógico, onde posto resenhas mais longas. Por aqui farei o possível para emitir comentários mais objetivos. Ah, e como a seleção pressupõe, isso também serve de indireta para receber dicas nos comentários :)

A Espuma dos Dias (L’écume des jours, 2013, direção de Michel Gondry)

Vejo qualquer coisa que o Gondry fizer. Sou fã assumida desde Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e, mesmo duvidando que ele faça algo ao alcance, continuo acompanhando seus trabalhos. A Espuma dos Dias é adaptação do livro homônimo de Boris Vian, autor surrealista. Dei uma folheada na obra e, a julgar pelas primeiras páginas, a releitura cinematográfica é bem fiel. Maluco ao extremo, praticamente um playground para Gondry que é todo chegado a esquisitices. Fico triste em admitir que não gostei muito do resultado, mas é interessante a forma como o diretor transformou o amor em uma coisa pavorosa e que deve ser evitada a todo custo. E me julguem, gosto demais do Roman Duris. Não foi tempo desperdiçado.

jOBS (idem, 2013, direção de Joshua Michael Stern)

Ashton Kutcher é o doppelgänger de Steve Jobs, é tudo que tenho a dizer. O desempenho dele é ótimo, mas nossa, que filme mais chato. Senti sono e nunca vi um uso tão ruim de trilha sonora. Um punhado de músicas boas fora de contexto, irritante o suficiente para prejudicar minhas impressões. Creio que nem os obcecados pela Apple vão curtir.

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World, 2010, direção de Edgar Wright)

Lógico que eu já tinha assistido, mas filme revisto entra na lista também! Não sou a pessoa mais indicada para opinar sobre esse trabalho incrível de Edgar Wright. É coisa de nerd? Sim. Mas tem bom humor, boas tiradas, um elenco digno de nota e olha, que dizer dessa trilha sonora que não sai nunca das minhas playlists? Sempre digo, antes de indicá-lo, pra darem uma chance pelo menos para as músicas (que seleção linda, sério). Quem gostou deve dar uma chance aos quadrinhos, de Scott O’Brien.

The Bling Ring (idem, 2013, direção de Sofia Coppola)

É verdade, Sofia perdeu a mão depois de Encontros e Desencontros. Fez dois filmes maravilhosos e depois ficou com preguiça. Gosto de Maria Antonieta e Um Lugar Qualquer, embora não transmitam nem metade das sensações de seus predecessores. Bling Ring segue a mesma linha, indicando que a diretora perdeu a inspiração em um dado momento da produção e deixou por isso mesmo. Foi uma boa sacada chamar atenção para esse tema – essa geração (a minha, por sinal), perde a cabeça com coisas sem fundamento algum e agem como se fosse a coisa mais normal do mundo. Nesse quesito, ela faz uma crítica pesada e tem lá seu mérito. Importante destacar que ela persiste no tema do vazio do ser humano, de um modo que deixa a desejar, mas não deixa de fazê-lo.

Frances Ha (idem, 2012, direção de Noah Baumbach)

Há quem diga que é superestimado. Como ter senso crítico quando me apresentam um filme em preto e branco que fala sobre amizade? O discernimento mandou um abraço. No fim até deu vontade de sair correndo por aí ao som de Modern Love, do David Bowie (mesmo que fosse no fone de ouvido). A fotografia é linda e é difícil não se identificar nem um pouco com a Frances. Ela vive a clássica crise dos 27 e precisa lidar com aqueles problemas comuns da idade – a dificuldade em se estabelecer em um lugar sem depender dos pais, descobrir uma vocação, ter um emprego bom e que pague as contas, lidar com todas as instâncias dos relacionamentos que passam pelo nosso caminho. E Frances é toda desengonçada, não parece levar jeito pra vida, mas sempre encontra uma forma de se virar em situações difíceis. Para sair do cinema com o coração tranquilo.

A Religiosa (La Religieuse, 2013, direção de Guillaume Nicloux)

Estava com preguiça deste filme até assistir ao trailer. Parecia polêmico, e era em francês (sempre vejo nisso uma oportunidade para treinar os ouvidos). Um pouco decepcionante, confesso, mas tem algo bem interessante na fotografia que me chamou atenção. Não é pra qualquer público, mas não chega a ser um “filme cabeça”. Foi inspirado em um livro de Denis Diderot, e já foi adaptado anteriormente por Jacques Rivette, em 1966. Fiquei curiosa porque a escolhida para o papel central foi a musa Anna Karina. Talvez entre para a lista de setembro!

Rush: No Limite da Emoção (Rush, 2013, direção de Ron Howard)

Mais uma vez temos um histórico de preguiça pré-cabine de imprensa. Sério, é um filme sobre Fórmula 1. Não tenho o menor interesse pelo tema (mentira, confessor que quando era mais nova madrugava para assistir corridas). O que me motivou foi o nome de Ron Howard – sim, ele já dirigiu alguns longas toscos, mas seus trabalhos constumam ser bons. Rush recria o período de disputas de Fórmula 1 na década de 1970, com foco na disputa entre James Hunt (Chris Hemsworth) e Niki Lauda (Daniel Brühl). Tenho criado respeito pelo Hemsworth e sou fã de longa data do Brühl. Difícil não gostar. E a sequência é elétrica, saí do cinema parecendo que tinha tomado uma jarra de café. Fiquei surpresa por ter gostado tanto.

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7 comentários sobre “Filmes de agosto

  1. Bling Ring para mim foi um filme ok, daqueles que daqui um tempo nem vou lembrar que vi, tanto que nem me animei a escrever sobre ele no bró. Fiquei até curiosa sobre o livro, mas acho que vou ficar só no artigo da Vanity Fair mesmo =S

    (estou louca para assistir Rush +_+ )

  2. Eu tava super com vontade de assistir Bling Ring, apesar do medinho de me decepcionar com a Sofia Coppola… Aí ví algumas críticas e desanimei haha
    Mas acho que vou ver de qualquer jeito, por curiosidade, e pra dar uma chance, já que gosto taaanto de Lost in Translation e Virgens Suicidas :p

    • Mel, tem que assistir! Sou dessa teoria. Não importa o que a pessoa faça, eu tenho esse impulso de acompanhar o trabalho. Bling Ring não é ruim, e por isso reforço: não vá ao cinema com grandes expectativas. É um filme ok, em nada memorável como os dois primeiros trabalhos da Sofia. Tem um pouco do vazio existencial de todos os personagens dela, mas em um contexto completamente diferente e um pouco sem vida. Quando assistir me diga o que achou :)

  3. Eu super apoio a ideia de você escrever sobre os filmes que assistiu no mês! Eu gosto muito de saber o que as pessoas viram/leram e, principalmente, quando elas têm bom gosto! :D

    Tô baixando JOBS, queria ver hoje, mas veio com uma legenda embutida em japonês (acho!). Bling Ring já tá baixado, mas queria terminar de ler o livro antes. Risos.

    Esse “A Religiosa” fiquei com vontade de ver quando assisti o trailer antes de Frances Ha. Parece interessante.

    Scott Pilgrim já tinha visto e adoro. Tô pensando em ler o quadrinho, mas disposição, kd?

    Eu tenho meio preguiça dos filmes do Gondry. Tentei ver aquele outro do sono, e não deu muito certo. Vi o trailer de A Espuma dos Dias e achei bonito, porém… ZzZzZ. Hahahha

    Esse mês de Setembro está fraquíssimo pra mim! :(

    P.S: eu já disse pra você que eu adoro quando as pessoas me chamam de “Ná”? Hahaha

    <3

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