so alive

Bons adultos que somos, bem sabemos da nossa constituição remendada de tristezas e medos. Na maior parte do tempo nos fazemos de imbecis, como se não soubéssemos de nada disso pela busca por uma vida desmedida de gente que “quer mais aproveitar”. Quando a constatação derruba as nossas portas, não há muito para onde correr. E aí é normal sentir um aperto no peito desses que provocam um desconforto imenso, tão agudo que exprimir a sensação parece uma missão impossível.

Nessas horas vale chorar até ficar com o rosto roxo, vale misturar vinho com cerveja, vale até mandar aquela mensagem que vai cair na sua conta de ressaca moral no dia seguinte.

Na maior parte do tempo, tenho me treinado para anular tudo isso que é válido durante os choques de realidade. Substituí por um desses vícios sem explicação da minha adolescência, que coloco em alto e bom som e grito junto – quantas vezes for necessário – até anular qualquer projeção sentimental sem explicações lógicas.

believe that you are just fine
believe that you are
you’ll feel so alive
you’ll feel so alive
be what you are now
be what you are
do not keep it inside
that hate will not subside

de tanto conviver com a solidão, ela se tornou uma amiga. daquelas tímidas, que fazem rodeios para se revelar. do paradoxo, nasceu uma relação intensa. quando eu estou, ela está e, por ela estar, eu me naufrago em mim. aprendi a repetir como um mantra que sou suficiente para mim e, como toda mentira, na milésima repetição acreditei.

roubei daqui.

you’re a bitter stranger

Existe uma peculiaridade no nosso jeito de dar as costas um ao outro. Constituímos até mesmo uma estranha simetria, que se repete quando nos despedimos publicamente ou quando trocamos de lado na cama durante a noite. Like two bitter strangers.

and now I see the long, the short, the middle and what’s inbetween, I could spit on a stranger, you’re a bitter stranger.