Amor de verão

O verão é pavoroso e remete a olhos semicerrados, dor de cabeça de tanto encarar o sol e suor (só maravilhas). Alguns dias tentam dar trégua com uma brisa leve, ameaça chover e o sol até topa se fazer de tímido. Reclamamos por instinto, mas não pedimos muito de vez em quando. Por vezes os ventos são favoráveis, vem aquela música, o vestido esvoaçante, o sorriso bobo, aviso na esquina e toda a ambientação necessária para que ele se estabeleça. Lindo, quiçá passageiro e de uma intensidade que beira o estranhamento. Prato cheio para os invejosos de plantão.

Quem disse que amor de verão precisa acontecer em forma de gente? Existem duas pessoas responsáveis pelo incidente, mas nosso contato está restrito aos acordes. Embora tenha conhecido a dupla um pouco tarde, tudo começou em 2009, na famigerada cidade de Londres. A história é característica dessas bandas que ninguém conhece – começou no MySpace (uma saudade). Tudo na surdina, com aquela gracinha de identidade secreta.

Em um dado momento, não dava mais para fingir que o Summer Camp era composto por 6 pessoas. Aos poucos eles abandonaram os disfarces e voilà, mais um casalzinho hipster – Elizabeth Sankey e Jeremy Warmsley – que se meteu a fazer música sem compromisso. O conceito é todo deles, o cenário muda apenas na hora de subir ao palco. Para dar conta da barulheira, eles se apresentam com mais três amigos. Hoje, a dupla reúne dois EPs (Young, lançado em 2010; e Always, de 2012) e um disco, Welcome to Condale, divulgado no final de 2011.

As músicas têm um efeito grave, é preciso dizer – vale até pra gente arrogante e insensível. É difícil resistir ao impulso de batucar junto ou de sair dançando pela casa – hábito comum às pessoas sem filtro como eu. Até David Bowie parece ter gostado, ao declará-los a melhor banda de chillwave dessa geração.

Como eu bem disse no início, os sintomas indicam amor de verão – o que condena o nosso envolvimento a um fim prematuro. Por enquanto, eles continuam a me acompanhar nesse bunch of boredom que chamamos carinhosamente de academia e nas caminhadas diárias do trabalho até a minha casa. Uma certeza de distração nesse cotidiano sem noção.

Better off without you deve ser a mais clichê. Daquelas que você joga o nome da banda e aparece como primeira ocorrência. Pode causar estranhamento num primeiro contato, mas quando menos se espera cai no repeat. Vai por mim:

Uma das minhas favoritas. Foi também o primeiro single da banda. Só não liguem muito para o clipe, aparentemente essa coisa de reciclar vídeos antigos virou moda entre bandas alternativas:

Se até agora você não fechou os olhos e saiu dançando pela casa feito um imbecil, dou uma terceira chance. Para abstrair de vez:

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