Just don’t let me down

Peguei a foto emprestada do Ale Bigliazzi. Cliquem nela para ver a imagem no Flickr dele :)

Às vezes escrevo sobre alguma coisa, salvo o arquivo e esqueço. Vejo que o assunto não é relevante (embora não seja criteriosa ao selecionar o conteúdo postado aqui), implico com o texto ou simplesmente ignoro. É fato que sofro também com o bad timing, sempre presente, o que agrava todo esse procedimento.

Já está datado, passaram-se três semanas desde então, mas deu vontade de tirar o texto da gaveta.

Em algum ponto entre 2005 e 2006, fiz uma “amizade online” pelo fotolog (também passei por essa fase, não me julguem). Conversávamos de vez em quando e tudo parecia muito legal, visto que a menina morava em Barcelona e sempre tinha histórias novas para contar. Eu já começara a fazer linha da louca das viagens. Não pensava muito alto, a ponto de querer viajar só para países estrangeiros, mas sempre gostei de sair da cidade na qual residia para conhecer outras culturas de perto.

Mas o grande porém estava nos nossos gostos em comum. Ela era aficcionada por música e ia sempre aos shows das bandas que levavam tempo até se apresentarem em terras brasileiras. Eu, que não poderia vislumbrar nem um dos poucos shows internacionais, lia os relatos, via fotos, e passava horas achando tudo incrível – e, ao mesmo tempo, impossível. Pode soar exagerado, mas para mim parecia ficção.

De todas as histórias, lembro-me bem da vez em que ela me contou sobre um show do The Kooks. Não me arrisco a recontar todos os pormenores do antes, durante e pós apresentação, pois tenho memória fraca e corro o risco de omitir e distorcer detalhes importantes. Lembro bem, porém, que havia algo relacionado à faixa “Eddie’s Gun“, do disco Inside In/Inside Out.

Eles estavam começando no período. Um único disco na bagagem, shows em lugares minúsculos, mais uma dessas bandas independentes que surgem aos montes a cada ano – num ritmo ao qual estamos inaptos a acompanhar e logo perdemos a paciência. É estranho observar hoje. Os anos transcorreram, eles já lançaram outros dois discos e vieram para o Brasil pela segunda vez para se apresentarem na Via Funchal no início de maio.

Comprei meu ingresso pelo apelo nostalgico do evento (também pelo preço, confesso). Mal poderia imaginar que a dosagem viria em forma de bomba. Uma bomba pacífica, se me permitirem a incoerência plenamente apropriada ao momento. A relação nada tinha a ver com o efeito catastrófico, mas sim com a intensidade do efeito.

Com uma setlist adequada, eles ofereceram um pouco de cada disco ao público. Dos fãs médios aos obsecados, seria injusto reclamar. Saí de lá satisfeita depois de ouvir (e me esguelar) “Naive” – faixa que entrou na lista das músicas pelas quais mantenho um apreço curioso por muito, muito tempo.

Afora a apresentação, havia um fato provável, porém quase impossível de acontecer. Ao menos na minha cabeça. Talvez a ladainha da bomba fique mais clara agora. A história da “amiga de fotolog” voltou à memória, lembrei de quando uma amiga voltou do exterior com o Inside In/Inside Out novinho em mãos…e fui ao show com pessoas daqueles tempos. As memórias voltaram em um cenário completamente diferente, depois de tantos anos, mas com as mesmas pessoas.

Pela primeira vez, me senti recuperada. Tinha uma facilidade descomunal para me abalar com crises de “tudo era tão mais lindo e feliz no passado”. O ambiente era propício, e ainda assim experimentei uma sensação boa de que acabou de verdade. Aconteceu no passado, foi ótimo, mas acabou. Não é preciso transformar isso em um martírio. Naquele momento, saber que passei por sensações tão boas era suficiente. Cada vez que olhava para um rosto conhecido há tempos sentia a memória em rebuliço. Achando graça em tudo. Ao observar, todos me pareciam bem. Felizes, resolvidos.

A banda não tocou “Eddie’s Gu”n. Nunca mais tive notícias da “amiga de fotolog”. A setlist, porém, me fez aproveitar como se estivesse em 2006. Eu também soube um pouco mais sobre pessoas que não passavam pelo meu caminho há muito tempo. Além de me bastar, foi o suficiente para perceber que preciso me reeducar. Nunca é tarde para dar um tempo ao dramalhão diário e absorver experiências profícuas a partir de situações cobertas de banalidade como esta.

I’m not saying it was your fault
Although you could have done more
Oh, you’re so naive, yet so

How could this be done?
By such a smiling sweetheart
Oh, and your sweet and pretty face
In such an ugly way
Something so beautiful
That every time I look inside

(…)

Hold on to your kite
Just don’t let me down

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