the desperate kingdom of love


Em Medianeras, Mariana e Martín abrem um buraco em suas paredes – não pelo simples gosto de destruir seus respectivos apartamentos, mas com o intuito de ter uma via para respirar e amenizar a sensação de isolamento em meio a prédios cada vez mais numerosos, fechados e, por quê não, um tanto sombrios. Por uma coincidência, eles resolvem “estrear” a janela recém-adquirida ao som de True Love Will Find You in The End, de Daniel Johnston.

Eles eram quase vizinhos. As semelhanças entre ambos, mesmo sem se conhecerem, parecem tolas – apenas artifícios para construir uma ficção com ares de conto de fadas moderno. O momento do longa é decisivo. Depois de tantos embates colocados em seus caminhos, eles parecem encontrar afago na voz rouca e tortuosa de Johnston. A agonia dos afazeres domésticos se esvai. Basta aumentar o som e acompanhar cada frase para reduzir toda a impaciência típica das frustrações amorosas.

Não sei, sempre preferi encostar-me ao limiar de grandes cômodos – ou ficar de pé mesmo, caso a ocasião não me proporcionasse o deleite de me acomodar no canto. Antes que alguém tente entender a falta de noção do limiar, explico – em todo caso, há sempre aquela elevação comum, uma espécie de barreira ideal para batucar quando passo horas matutando a respeito das usuais coisas que custam a fazer sentido…

Retomando, passei a ser uma observadora atenta à busca insaciável pelo amor – dos outros, que fique claro. Não é de se achar absurdo. As pessoas são afoitas por natureza. Qualquer período sem alguém é uma desculpa para se desesperar ante a possibilidade de passar muito tempo sozinho.

Passo horas tranquilamente dando ouvidos aos relatos daquelas histórias bonitas de casais que já estão juntos há tantos anos. Ainda é difícil, porém, manter-me afastada de paradoxos. Logo, a atenção dedicada tem um encanto característico de ficção. É, eu ainda escuto tudo como se fosse o enredo de um livro ou filme.

Sinto mais desespero ainda ao observar uma pessoa que não deposita muita fé sobre o amor do que ao analisar minha situação com relação a presença e ausência desse sentimento em minha vida. Dessa forma me apego a versos surreais e, como já é de hábito, sou tomada por uma vontade insana de ver todo mundo seguindo meus conselhos (apoiados por essas músicas). Aqueles que nem eu mesma consigo seguir.

Não sei inserir propósito em assuntos abstratos, mas vamos lá. Eu só queria deixar um registro aos desanimados: já está na hora de adotar true love will find you in the end como mantra. Dou várias opções – com o próprio Johnston, com Wilco ou Beck. Se nenhuma das versões for do agrado, dá pra encontrar, sem muito esforço, um hino semelhante.

Nem tudo está perdido. Pode ser que a sorte não seja tão palpável a ponto de abrir a janela e dar de cara com o Wally na cidade que você custou a encontrar no livro. Mas dá pra dispensar floreios, certo? Talvez o grande erro seja a ansiedade, bastante característica, decorrente do medo de ver-se só (já citado acima).

Não deveria ser tão ruim. Há amor pronto para ser encontrado em doses homeopáticas – um processo, que para alguns pode ser bem lento. Mas representa uma aprendizagem. Basta ter paciência. As compensações, no momento propício, certamente serão postas no caminho.

“This is a promise with a catch
Only if you’re looking will it find you
‘Cause true love is searching too
But how can it recognize you
Unless you step out into the light?”

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