Os melhores filmes de 2011

Dando continuidade aos melhores de 2011 (que começou ontem e acaba hoje, um mero detalhe), mais uma vez tive medo de ser injusta em meio a tantas opções boas. Segui o mesmo esquema do post anterior, escolhendo entre filmes lançados neste ano e longas das antigas. Mera coincidência ou não, todas as minhas escolhas chegaram ao Brasil em 2011.

Vi muitos filmes, mas a quantidade de títulos diminuiu em comparação com a lista do ano passado. Fui tanto ao cinema que acabei deixando meu aparelho de dvd de lado. Triste, mas acontece. Enfim, chega de prolixidade e vamos à lista!

O quinto lugar ficou com A Pele Que Habito, dirigido por Pedro Almodóvar. Gosto muito dos trabalhos dele, e esse filme em especial apresenta um formato semelhante ao dos primeiros trabalhos do diretor. Almodóvar possui uma fórmula especial para provocar risos em cenas trágicas – ou talvez seja apenas uma impressão pessoal. É inevitável. A personagem é submetida à tortura e eu fico lá, rindo descontroladamente enquanto as pessoas do cinema olham com medo.

Não o considero o melhor trabalho do diretor, mas tive uma experiência digna no cinema ao prestigiar uma obra completa. Roteiro bem amarrado, ótimos atores, e uma trilha sonora bem colocada. Certamente é uma escolha suspeita. Me sentiria mal por não colocar um trabalho inédito do diretor na lista dos melhores do ano.

Prefiro poupar comentários sobre o enredo porque a graça do filme é justamente a surpresa proporcionada com o desenrolar da história. Por sinal, admiro quem conseguiu resenhá-lo sem entregar informações importantes.

A escolha da quarta posição foi presenteada com um título cafona no Brasil. É, Rabbit Hole virou um piegas Reencontrando a Felicidade. Embora pareça banal, tira um pouco da “mágica” do filme. Rabbit Hole, a partir de certa altura, é um título que faz pleno sentido. No caso da tradução brasileira, você ainda questiona o que tem a ver com a história por um tempo.

Dirigido por John Cameron Mitchell, o longa conta a história de um casal que acaba de perder o filho, morto em um acidente. Já estava com saudades de Nicole Kidman em um bom filme. A espera compensou em diversos aspectos. O roteiro deste filme poderia colocá-lo facilmente no topo da lista.

Gosto muito da forma como a história é contada, apresentando pontos de vista distintos. Pelo trailer, imaginava algo pesado e, justamente por isso, escolhi um dia tranquilo para assisti-lo pois acreditei que sairia do cinema muito abalada. Por sinal, chega a ser um tanto estranho – você sofre no início do filme e, ao final, esboça um sorriso desconfortável. Uma tentativa de compreensão com a dor do casal, creio eu.

Quanto ao terceiro escolhido, só tenho uma coisa a dizer: Javier Drolas. Mil vezes Javier Drolas. Eu poderia fazer uma piada sem graça e dizer que o filme só entrou na lista por tê-lo no elenco, mas né, chega de chatices em 2011. Tenho admiração pelos trabalhos do cinema argentino, mas Medianeras é tão sutil e despretensioso, que acabei me surpreendendo. A direção é de Gustavo Taretto.

O enredo não possui nada de extraordinário, e talvez seja esse o grande mérito do longa. Assisti duas vezes, e lembro que muita gente saiu reclamando do final. Ok, os mais velhos devem achar completamente imbecil. Eu adoto o clichê e prefiro considerar um conto de fadas (às avessas) em pleno século XXI. É improvável? Claro. Mas é essa a beleza do cinema.

E quando falo em beleza do cinema, levo em conta a máxima do leque de sensações proporcionadas pela experiência cinematográfica. Ela nos dá liberdade para acreditar no impossível, rir, chorar, enfim, criar um envolvimento como se o que está exposto na telona fosse um acontecimento do cotidiano.

Isso justifica, em parte, a escolha do segundo lugar. Melancolia, dirigido por Lars von Trier, é maravilhoso por passar uma sensação extrema de incômodo do início ao fim e, ainda assim, terminar de forma primorosa. Sobre o enredo, eu prefiro me apropriar das palavras do Rodrigo Oliveira, que o definiu perfeitamente com duas palavras: letargia apocalíptica. Aliás, já que nossas opiniões coincidiram, prefiro compartilhar a resenha dele – que fala por mim. Saí do cinema extasiada e, paradoxalmente, tomada por uma tristeza imensa.

O primeiro lugar não é surpresa para ninguém. Meia-Noite em Paris, de Woody Allen. Saí do filme tão maravilhada que sentei e escrevi sobre ele. E acreditem, isso raramente acontece. Adoro a sensação de acompanhar um assunto que me atrai de uma maneira leve e descontraída. Há quem o considere uma comédia romântica – e se for, seria uma exceção à categoria devido ao caráter inteligente do enredo.

As homenagens aos artistas, as inquietações do escritor, a a “declaração de amor” (ou quase isso) à imaginação… 2011 foi um ano que dependeu – e muito – da ficção para chegar até o fim de forma saudável e esse é, ao meu ver, o fator decisivo para colocá-lo em primeiro lugar. Em meio a tanto desespero, há um filme dizendo que sim, você pode acreditar na sua imaginação e fazer bom uso disso. Bem poderia ser assim sempre…

Anúncios

5 comentários sobre “Os melhores filmes de 2011

  1. Discordo apenas de “A Pele Que Habito”, de Almodóvar. Acho um filme menor em relação aos dois últimos dele. “Volver” além de ter uma história impactante, e em diversos momentos flertar com um apropriado clima over empregado através da direção de arte, consegue interpelar o espectador pelo modo “Almodóvar” de conduzir o enredo: sedutor e surpreendente. “Abraços Partidos” trabalha com a metalinguagem de maneira formidável. E “A Pele Que Habito” não é surpreendente como “Volver”, muito menos formidável como “Abraços…”. Ele trabalha bem com a questão da mudança na “estampa”, estética, mas mostra que a “cabeça” é a chefe, mandante de tudo. Mas a personagem do Banderas, na minha opinião, tem alguns traços sociopatas na personalidade que me incomodam, e apesar de ser um estudioso das ciências naturais, posiciona-se de modo ignorante, quase incauto, ao descartar a possibilidade do garoto querer reaver o seu passado e sua vida de outrora, a de um rapaz saudável e sexualmente ativo. Caiu-me com desmedida estranheza essa história do Almodóvar. Achei primária e forçada a criação desse vínculo, quando a “criatura” enjaulada pelo cirurgião começa a ter relações com ele, mesmo tendo plena consciência de que tem desejos, vontades e anseios do gênero masculino. Talvez eu devesse pesquisar mais a fundo, mas acho “A Pele…” um filme abusado e abusivo. Isso não seria nada, se não fosse mediano. Bem, mas reitero, é apenas a minha leitura pouco aprofundada e minha opinião a respeito.

    Os outros 4 filmes também estão em meu top 10. Acho grandes obras.

  2. Compreendo a sua opinião e inclusive concordo em alguns pontos – em especial com relação ao personagem do Banderas. Tenho algumas ressalvas com relação ao desfecho também. Sinto que ele se demorou um pouco em algumas partes e acabou jogando o final de qualquer jeito, só para acabar. É um Almodóvar “menor” (detesto essa expressão, mas é o que tem pra hoje), de fato. Ainda assim gosto do longa como um todo. Briguei um pouco com as outras opções para o quinto lugar, e hesitei um pouco. Teria colocado Tudo Pelo Poder, mas quando assisti a lista já estava pronta :/

  3. Parabéns pela excelente matéria. Jamais em tempo algum vi alguém escrever tão bem comentando sobre cinema. Também assisti “Meia noite em Paris”. O filme é um show. Rever Paris, em lugares que estive e que foram feitas cenas de filme, não tem preço. Afinal Paris é Paris, e não preciso dizer mais nada.

  4. Assisti “A Pele que Habito” essa semana! Almodóvar sendo louco como sempre, e concordo com o que vocês disseram sobre o final, foi meio que jogado, só para terminar. Bem, acontece, mas é ótimo apesar disso.

    Desses que você citou só faltam “Reencontrando a Felicidade” e “Medianeras”, já foram pra listinha! :)

    “Melancolia” é excelente. Esses dias eu estava muito melancólica e a única coisa que conseguia pensar era na sensação que esse filme me passou e como a Kirsten Dunst estava tão “depressiva” – que era mais ou menos como estava me sentindo. Foi estranho. hahaha

    E “Meia Noite em Paris” é amor, né? Woody Allen é muito amor! Não vejo a hora de seu outro filme sair! Jesse <3
    hahahaha

    E que surpresa boa saber que você é casperiana! Saudações! haha :D

    Beijos! :*

    • Natália, assista Medianeras e Reencontrando a Felicidade o quanto antes! Medianeras ainda está em cartaz, e vale a pena conferir no cinema. Embora sejam filmes de enredos distintos, indico-os sem medo.

      Comentei isso com outras pessoas que assistiram Melancolia. Não é difícil ficar angustiado e vendo morte onde não tem (!) quando o filme acaba. É sério, saí do cinema em um lamentável estado de letargia.

      Meia Noite em Paris é encantador. Tipo de filme que faço questão de comprar o dvd para rever várias vezes :)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s