As melhores leituras de 2011

Se 2011 veio cheio de falhas técnicas, ao menos soube me amparar com ótimas leituras. Em 2010, em decorrência da mudança para São Paulo e todos os seus contratempos, minha lista foi lamentável. Fiz o papel da leitora relapsa e certamente não nutri o mínimo orgulho disso. Tentei reparar o erro em janeiro deste ano e, felizmente, recuperei parte do meu antigo hábito literário. Foi um ano, de certa forma, “eclético” (e atípico, diga-se de passagem). Redescobri certos autores, li clássicos que antes me assustavam e acabei encarando sem medo.

Já aproveito para justificar o título. Mentiria se colocasse “os melhores livros de 2011”, ou decepcionaria os mais desatentos. Creio que li poucos títulos lançados exatamente neste ano. Por sinal, fica como meta para 2012 – dar mais atenção aos lançamentos.

A ideia era escolher A melhor leitura, mas não consigo. Escolhi, em meio a muito sofrimento, 5 livros. Justificarei as escolhas em linhas gerais.

O quinto lugar ficou com Na Pior em Paris e Londres, de George Orwell. Livros catalogados no gênero Jornalismo Literário correm o sério risco de cair em desgosto na metade da leitura. Talvez seja um azar decorrente das minhas escolhas um tanto duvidosas, ou das inúmeras leituras acadêmicas – obrigatórias, vale reforçar. Na maior parte do tempo, o livro começa da forma mais empolgante possível e pouco depois já não consegue sustentar os argumentos iniciais.

É bem suspeito, visto que Orwell consagrou-se com obras tão envolventes quanto seus escritos não ficcionais. O livro aborda uma realidade desoladora com sutileza, e a narrativa flui sem grandes dificuldades. Eu o resenhei para o Blog do Meia Palavra.

A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, é um livro incrível. Entretanto, o escolhi para o quarto lugar mais pela experiência. Escrevi um pouco sobre isso neste post. A história é atípica, a começar pelo título pouco convencional. A construção das personagens é intensa, tanto que não há surpresa quando nos apegamos a elas como se fossem pessoas do nosso convívio.

A experiência da autora com a filosofia permeia toda a obra, o que não compreende uma desvantagem. Algumas passagens são mais densas e exigem maior atenção, mas a autora faz bom uso do conhecimento que possui na construção do enredo. Uma leitura envolvente e que passa uma sensação muito boa no final – ao menos para os mais apegados ao universo literário.

A escolha do terceiro título a entrar na lista foi complicada. Creio que a obra caberia tranquilamente na primeira posição. Porém, o fator obrigatoriedade me fez pensar duas vezes. E, ao menos nas escolhas aqui presentes, levo muito em conta a experiência da leitura como um todo.

Dom Quixote, o clássico de Cervantes, já figurou em muitas estantes – raramente em sua forma original. Quem nunca leu uma de suas muitas adaptações, em especial nas versões infantis? Tive receio antes de começar a versão original, e admito que nosso primeiro contato não foi pacífico – talvez por ser uma leitura imposta. Ainda assim, as passagens conseguiram me cativar aos poucos.

A primeira parte foi suficiente para me apegar às desventuras de Quixote e Rocinante. Eu ria sozinha a cada passagem. Os danos, porém, foram irreversíveis. Dom Quixote me tirou os pés do chão da forma mais dramática possível, por evidenciar o quão grave podem ser as conseqüências de sermos quixotescos desvairados (!).

Desonra, de J. M. Coetzee conquistou uma posição melhor por ser uma leitura nova em vários aspectos. Foi minha primeira participação em um Clube de Leitura, e o meu primeiro contato com a literatura africana.

E tinha mais – sempre leio alguma informação sobre o livro antes. Dessa vez fui à biblioteca e peguei Desonra sem muitas expectativas. Estava mais preocupada com o tempo – tinha apenas dois dias para finalizar a leitura. Vocês sabem, quando a obra não é fácil – ou quando é ruim mesmo – exige um olhar mais cuidadoso. Felizmente, meu receio passou em poucas páginas.

É um destaque na literatura contemporânea, ao menos para mim. Recomendo sem medo por abordar um tema polêmico sem ser pretensioso e não chegar perto de cair no óbvio. Destaco também a qualidade da narrativa, que, além de prender a atenção do leitor, serve como base para inúmeras discussões.

O primeiro lugar, mais que merecido, vai para Extremamente Alto & Incrivelmente Perto. Resenhei o segundo trabalho de Jonathan Safran Foer para o Site de Cultura Geral da faculdade, link que divulgo com ressalvas. Embora pareça exagero, é impossível transmitir meu encanto com a obra em alguns caracteres. Precisaria escrever uma tese (eu sei, é absurdo a tal ponto).

O livro pode soar um tanto exagerado e confuso durante o primeiro contato – o que não aconteceu comigo. O narrador central é Oskar Schell, mas a história possui relatos de outras personagens – as narrativas intercaladas se misturam aos poucos.  Tive um comportamento ridículo durante a leitura – aceitável como justificativa alternativa para a escolha dele como a melhor leitura de 2011. Eu abraçava o livro constantamente como se fosse uma pessoa.

Peguei o livro na biblioteca e, antes de devolver, sofri recolhendo uma pilha de post-its cheios de anotações. E pensar que meu desespero foi em vão, visto que a Rocco lançou uma nova edição neste mês. A editora perdeu a oportunidade de publicá-lo novamente no advento dos dez anos do 11 de setembro e eu perdi a chance de riscá-lo à vontade logo na primeira leitura…

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3 comentários sobre “As melhores leituras de 2011

  1. Gostei de ver o “Extremamente Alto & Incrivelmente Perto” no topo da lista de livros, mas não entendi o porquê da colocação: “Resenhei o segundo trabalho de Jonathan Safran Foer para o Site de Cultura Geral da faculdade, link que divulgo com ressalvas”. Ressalvas? Gostei do texto. Você acha que explorou pouco e o formato e quantidade de caracteres determinadas “podaram” a sua resenha? O filme “Tão Forte e Tão Perto” estreia em março de 2012. Se concorrer a melhor filme no Oscar, talvez a estreia seja antecipada. A direção é de Stephen Daldry, e isso significa que há grandes chances de ser indicado. 2012 a Academia indicará de 5 a 10 filmes. Bem, aguardemos o veredicto.

  2. Ressalvas porque não sei se fui justa com a obra. Tenho dificuldades imensas ao resenhar um livro ou filme que me agradou muito – ainda mais neste caso, pois Extremamente Alto & Incrivelmente Perto entrou na lista das minhas leituras prediletas não apenas de 2011, mas da vida. A quantidade de caracteres não me limitou, de forma alguma. É só mais um caso da minha eterna paranoia em ser injusta com um bom trabalho!

    Tenho receio da adaptação cinematográfica. Não gostei muito do trailer, os atores principais não se parecem em nada com os personagens do livro. São perfis opostos, não consigo imaginar um bom resultado. E ainda colocaram U2 no trailer, é para acabar! Mas veremos, Stephen Daldry ainda pode nos surpreender!

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