A febre lomográfica

Em dia de show, o cenário sempre apresenta elementos que nunca mudam – independente dos músicos que se apresentarão e do respectivo público. Haverá sempre o palco pronto, pessoas ansiosas pelo início e… câmeras. Afinal, não basta estar lá. É preciso guardar um registro, garantir uma evidência de que participou do evento. Quando o show começa, em meio ao alvoroço, há sempre alguém para fotografar ou filmar alguma música.

A novidade da vez é a presença cada vez mais comum de versões analógicas das câmeras. Em especial, de aparelhos que mais parecem de brinquedo – com cara de meros objetos de decoração. As lomos já existem há muito tempo. Surgiram na então União Soviética, em 1982. A origem e desenvolvimento do produto, como já era de se esperar, ganharam tons de romance. Vocês podem conferir a timeline completa no site oficial.

São, basicamente, câmeras de plástico. Com modelos distintos – há desde lentes que imitam o formato do olho de peixe, até aparelhos que tiram fotos panorâmicas. O que chama atenção, na verdade, é o desenvolvimento da febre das câmeras lomográficas com o passar do tempo. Não era mais apenas uma marca – passou a ser uma forma de ver o mundo, adquirindo até mesmo uma espécie de manifesto.

Além dos recursos oferecidos pela própria câmera, há também os filmes especiais – que garantem cores saturadas, contrastes, redscale, entre outros. A loja vende até mesmo filmes vencidos, capazes de proporcionar efeitos ainda mais imprevisíveis – sendo o mais trágico a possibilidade de não conseguir salvar uma mísera foto.

Creio que o maior paradoxo em meio a essa história é a questão da surpresa. Quando surgiram as câmeras digitais, era difícil encontrar quem não estivesse disposto a investir na novidade. Obviamente, era vantajoso em diversos aspectos – as fotos ruins poderiam ser deletadas sem o perigo de perder o filme e dava para obter uma prévia da imagem com o visor.

Curiosamente, muita gente parece voltar-se cada vez mais ao universo das coisas que não viveram. O público que aderiu à febre lomográfica é composto principalmente por jovens – cada vez mais interessados pela surpresa deste processo. Afinal, mesmo com todo o imediatismo e as facilidades dos equipamentos modernos, há um grande atrativo com relação ao ato de fazer um registro sem ao menos imaginar o resultado.

No caso da lomografia, então, pode-se dizer que há um “combo” de surpresas – você pode programar toda a composição fotográfica, mas os recursos da câmera e do filme oferecem um resultado extremamente imprevisível.

A parte chata, como não poderia deixar de ser, são os preços. Que me perdoem os fanáticos por lomos, mas os preços são absurdos pela qualidade do produto. Garante efeitos únicos? Sim. Mas não deixa de ser de plástico – uma qualidade comprometedora, diga-se se passagem.

Fico tão curiosa quanto todos os recém-adeptos ao “movimento”. Àqueles que partilham a curiosidade e moram em São Paulo – ou passarão por aqui durante as férias, a filial brasileira da Lomography inaugurou hoje. Por sinal, a festa acontece neste exato momento. A loja fica no número 2481 da Rua Augusta.

As fotos do post foram tiradas do site oficial (no maior clima nonsense – em nenhum momento tentei casar imagens com textos). Vocês podem conferir muitas outras aqui – bem como enviar seus próprios registros. E uma dica para quem se interessa pelo tema – o canal inglês BBC4 realizou um documentário sobre a lomografia. Está dividido em 7 partes, neste canal do youtube. Vocês podem conferir a primeira parte aqui:

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