Especial Paris – Introdução + Parte 1

Pedaço da Rue Rivoli

Como já havia comentado aqui, passei alguns dias em Paris. Para não resumir os relatos do passeio unicamente em fotos, pensei em escrever sobre ele no blog. A parte pessoal, com impressões que beiram quase sempre a divagação, fica reservada aos meus cadernos de viagem. A parte “aproveitável”, se é que posso colocar desta forma, será transformada em um especial em 5 partes.

Publicarei ao longo da semana, com uma parte para cada dia. Na primeira parte – a de hoje – falarei, após a introdução, sobre a cultura francesa. Algumas dicas para a boa convivência neste primeiro contato com o povo francês.

Antes de começar, é preciso apontar o contexto: passei duas semanas em Paris. Estive lá antes, em um passeio no maior estilo sightseeing, durante quatro dias. Logo, é como se fosse meu primeiro passeio para a cidade. Não preparei roteiro, nada. Fui descobrindo a cidade aos poucos, tendo por base dicas soltas de amigos e guias turísticos.

Muito do que estará no especial pode parecer tolo para quem já conhece a cidade há tempos ou mora por lá. O intuito dos textos é dar dicas para quem tem poucos dias na cidade, ou vai visitá-la pela primeira vez. Claro, quem quiser passar mais dicas nos comentários pode ficar à vontade. Ou me enviar por e-mail.

Paris – uma reflexão (banal) sobre a cidade

A capital da França é bela, e esse fato é inegável. É difícil não se encantar, mesmo que por poucos segundos, com as construções antigas e todos os cartões postais que já vimos tantas vezes em filmes. A cidade é mágica, e existe algo especial no ar vintage que permeia cada passagem, em um contraste relativamente harmonioso com os monumentais prédios modernos que tomam conta aos poucos de pontos estratégicos.

Paris é uma cidade caótica durante as férias. Turistas aparecem nos locais mais inusitados, o tempo inteiro. Durante a semana, o local porta-se como toda cidade grande – com trânsito, e muito, muito barulho. Mas são detalhes. Afinal, não faltam opções para fugir do tumulto. Em alguns lugares, é necessária uma forte tendência à imaginação. Perante um monumento ou uma tela, é preciso esquecer que existe mundo e concentrar-se no que está à sua frente. Talvez você leve alguma cotovelada, ou seja surpreendida pelo flash que registra uma criatura sorridente ao seu lado. Não façam cara de surpresa, muito menos de desprezo – isto é Paris durante o verão, em pleno mês de julho.

E não se preocupem, não existem apenas lugares que apelam à fuga unicamente metafórica. Existem jardins e bibliotecas onde você pode se sentar e apenas contemplar a vista – ou mesmo escrever ou ler um pouquinho. Dependendo do local, ainda é possível aproveitar a companhia de um bom café e um croissant – embora em certos horários um chá e um delicioso macaron caiam melhor.

Quem habita na cidade continua em seu ritmo cotidiano, sem se incomodar com a presença dos turistas que a tumultuam. Perfeito à observação dos visitantes, que podem até mesmo estranhar tanta naturalidade perante um movimento atípico.

E quando o assunto é comida, um belo contraste contempla a relação entre as principais iguarias da cidade. Enquanto as pessoas se preocupam tanto com a fama dos docinhos, até se esquecem de destacar o quão boas são as saladas francesas – capazes até mesmo de agradar o paladar das pessoas que pulam a salada na hora do almoço.

Quem tem medo de circular por ruas escuras durante a noite pode deixar o receio no Brasil. Em julho, o sol só se despede depois das 21h. Existem até mesmo passeios “noturnos” em alguns museus. Ideal para desvendar a cidade até mais tarde. É possível aproveitá-la sem alegar sentir medo de sair à noite.

Se a chuva invadir o cenário, não pensem em um dia perdido. Como o Gil Pender de Meia-noite em Paris proferiu, Paris fica ainda mais encantadora com chuva. Basta deixar um casaco e o guarda-chuva a postos. Haverá sempre um programa interessante entre muitas opções para aproveitar a cidade em meio à tempestade.

Não se acanhem – ser turista não é tão vergonhoso quanto parece. Tanto os cartões postais da cidade quanto paisagens pouco exploradas são perfeitos à fotografia. O ideal é aproveitar os belos cenários para criar história em seus registros.

Cheia de romantismo e com seus ares que lembram um passado distante, Paris é uma cidade convidativa. Sempre pronta para ser redescoberta a cada visita.

A cultura francesa

Se você estuda francês e seu professor fala sobre a politesse em quase todas as aulas, não faça careta. É muito importante. Os franceses, em um primeiro contato, são extremamente formais. Sim, em Paris a educação nas conversas existe e é perpetuada. Não importa o ambiente – e nisso reside a maior diferença com a abordagem brasileira – o primeiro contato se dá, obrigatoriamente, pelo vouvoyer. A dica para os estudantes da língua francesa é atentar-se à conjugação dos verbos na segunda pessoa do plural.

Se você não sabe nada de francês, não se desespere. Em restaurantes e lojas, a maioria dos vendedores entende e fala o inglês. Mas nem todos encaram a abordagem em língua estrangeira com bons ouvidos. O fundamental é iniciar o diálogo com educação. Como li em um guia, uma boa sugestão é perguntar “parlez-vous l’anglais?” e torcer para que a resposta seja sim. Se você não for britânico, sua situação já fica consideravelmente melhor.

Para vocês terem uma ideia dos extremos, contarei duas situações pelas quais passei durante a visita. Fui com meus pais. Nós estudamos francês, mas eu comecei antes. Costumava ser a primeira a falar, e quando era necessário, traduzia para eles. Aí estava o problema. Eu queria falar em francês, mas quando ia traduzir para os meus pais, eles notavam e começavam a falar em inglês ou em espanhol.

Em um belo dia, quando fomos para o caixa na Fnac, aconteceu algo chato. Ela pediu algum documento de identificação ao meu pai e, enquanto eu traduzia, ela simplesmente jogou a sacola com os cds do outro lado do balcão – como se não houvesse nada ali dentro. Como ela notou que não éramos nativos, poderia simplesmente pedir o passaporte. Mas não, fechou a cara, começou a dar patada e ainda tratou nossas compras com enoorme delicadeza. A impressão? Alguns franceses não gostam de estrangeiros, em hipótese alguma. Porque conversávamos em francês, mas ela perdeu a paciência quando fui traduzir algo que meu pai não havia entendido.

Por outro lado, no cinema Gaumont Champs-Elysées Marignan, aconteceu algo bem legal. Conversei com a moça da bombonière para pedir informações, e quando meus pais perguntaram “e aí, o que ela disse?”, ela perguntou se éramos do Brasil. Perante a resposta positiva, ela abriu um sorriso. Disse que adorava os brasileiros, nos ajudou e até nos deu um chaveiro de presente na saída. Conversamos apenas em francês, não entramos ali para ver filmes, e ainda assim, fomos muito bem tratados. Viram? Não existe padrão.

De resto, achei a cidade até um pouco parecida com São Paulo. Há muito movimento e as pessoas são bem sérias. Cada um segue com suas obrigações, sem se incomodar (ou até mesmo fingindo não se importar) com o que acontece nos arredores. Em julho, o sol se põe bem tarde – após as 21h30. A vantagem é poder aproveitar até mais tarde. Mas lembrem-se, todos pensarão assim. Logo, a cidade permanece bastante movimentada em todos os horários do dia – o que pode até mesmo ser um atrativo para muitos.

Voilà! Com a primeira parte, apresento uma base introdutória para todos os textos publicados até sexta. Afinal, é complicado dar dicas sobre Paris sem falar sobre a cultura francesa. Na primeira parte só apresento um quadro geral. Mas, claro, também serve como um guia básico para a boa convivência com os franceses neste primeiro contato.

E amanhã, na segunda parte, falarei um pouco sobre como se movimentar na cidade. Embora pareça meio óbvio, é sempre bom ter uma noção prévia do funcionamento dos transportes antes da viagem. Bonne journée à tous e até amanhã!

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2 comentários sobre “Especial Paris – Introdução + Parte 1

  1. Oi, Lidy!
    Comecei a ler agora o seu especial de Paris.. gosto muito de ler posts sobre viagem, ainda mais quando são bem escritos, como o seu.

    Acho esse tema da cultura simplesmente fundamental. As duas únicas vezes que viajei para fora foi para a Argentina, e mesmo assim tem uma boa diferença cultural. Não é à toa que brasileiros ficam um pouco com fama de “folgados” no exterior, devido à maneira que se dirigem aos estrangeiros. É uma diferença imensa quando você só fala a sua língua e quando você fala ao menos algumas apalavras ou frases na língua do país que você está visitando, né?

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