Música de Terça – Bon Iver

É bem complicado escrever sobre qualquer coisas que esteja na sua lista de “5 melhores”. Porque é (quase) lógico – quando gostamos muito de alguma coisa, descartamos nosso lado racional. Quando se trata de música, as dificuldades são ainda maiores. Como explicar que “aquela” música é maravilhosa, resume um monte de coisas pelas quais você passou, e ainda tem uma melodia agradável? Parece simples, não? Mas tente fazer isso com uma pessoa que ultrapassa as barreiras da paixão pela música – estuda, entende um monte sobre o assunto. “Mas e essa guitarra? Que voz é essa?” são os comentários mais recorrentes e delicados.

Bon Iver entrou na minha vida sem querer, escondido na trilha sonora de dois seriados. E acabou ficando por livre e espontânea vontade. É quase impossível analisar o projeto de Justin Vernon com um olhar crítico. Para mim, é genial. Mexe com o meu emocional de uma forma inexprimível.

A minha relação com a banda sempre foi acompanhada por uma névoa de subjetividade. Caso sério – ultrapassa qualquer entendimento. A primeira música que ouvi, Woods, nem é tão boa – pelo menos em comparação com todo o resto. Mas tinha algo estranho, porque eu não conseguia parar de ouvi-la. De fato, relutei muito antes de encarar, na íntegra, o primeiro álbum.

Mas veja bem, vamos ignorar esse lado historiado e cheio de floreios. O projeto da banda foi idealizado por Justin Vernon. Ele é o responsável por tudo – arranjos, letras, melodia, voz (para citar apenas algumas características). Em um momento conturbado, Vernon se isolou em Wisconsin por alguns meses. Apesar de todas as adversidades – o que incluía o frio intenso do local – o momento parecia certo para produzir um disco inteiro. Sozinho e sem muitos recursos.

Intitulado For Emma, Forever Ago, o primeiro álbum quase não foi lançado. Após algum tempo, estimulado por amigos, acabou cedendo. E com o selo Jagjaguwar, o primeiro trabalho de Bon Iver chegou ao mercado em 2007. É provável que Vernon não tenha imaginado as proporções daquilo que produziu. Não demorou muito para suas músicas integrarem episódios de séries famosas, como House, Skins, The United States of Tara e Grey’s Anatomy.

O EP Blood Bank foi lançado algum tempo depois. E apesar da qualidade dos dois CDs, seria triste imaginar uma banda tão promissora acabando em pouco tempo. Após uma temporada sem shows – ou melhor, sem dar muitas notícias, sugiram os primeiros burburinhos sobre um possível disco em produção.

Em junho deste ano (sim, há uma semana!), os fãs foram agraciados com um álbum homônimo. A banda cresceu, e agora Justin Vernon circula nas turnês acompanhado por Sean Carey, Michael Noyce e Matthew McCaughan. O trabalho amadureceu – tanto as letras quanto as melodias ganharam um tom mais sério, mas com uma pegada otimista.

Eu poderia preparar uma dissertação com muitas páginas para falar sobre as nuances da cada canção. Mas esse não é o intuito do Música de Terça – de fato, até empolguei escrevendo demais. Antes de indicar algumas músicas, deixarei recomendações prévias:

– Há poucas músicas do novo CD disponíveis no youtube. Recomendo as minhas duas prediletas no momento – Towers e Holocene;

– Eles já participaram do La Blogothèque (um projeto que pretendo abordar por aqui daqui um tempo). A Take Away Show, com Bon Iver é belíssimo. Deixarei uma prévia por aqui, com o vídeo de Skinny Love.

The Wolves (Act I and II) – minha faixa predileta. É do primeiro álbum:


Skinny Love – também está no disco For Emma, Forever Ago:


Blood Bank – faixa-título do único EP lançado por eles até agora:


Calgary – primeira música de trabalho do novo CD:

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