Reinventando a literatura em tempos modernos

A proposta não era das mais fáceis. Um professor do curso de Ilustração da Cardiff School of Art & Design propôs um trabalho onde os alunos deveriam explicar um artefato tecnológico atual para alguém que viveu e morreu antes de 1900. A estudante de Rachel Wash topou o desafio de explicar o Kindle para Charles Dickens – o projeto visava ilustrar a possibilidade de armazenar muitos livros em um único aparelho, sem ter que carregar muito peso.

A jovem selecionou obras do próprio Dickens e também dos autores prediletos tanto dela quanto do escritor. Após a seleção, ela buscou as capas reais dos quarenta títulos e criou versões em miniatura, posicionadas dentro de pequenos espaços em um grande livro. O registro em fotos circulou pela internet e chamou bastante atenção. Independente da nota obtida, Rachel conquistou alguns admiradores no mundo online.

Gosto de observar como as editoras tentam se adaptar ao mercado atual. Um dos exemplos que mais me chamou atenção foi uma criação de Jonathan Safran Foer – autor de Everything Is Illuminated e Extremely Loud and Incredibly Close – em parceria com a Visual Editions. Intitulado Tree of Codes, o livro é uma história dentro de outra. Foer selecionou sua obra predileta, The Street of Crocodiles, escrito por Bruno Schulz. Após imprimir algumas cópias, iniciou um longo processo – o autor recortou várias passagens e as reagrupou, criando assim uma nova narrativa.

Mas a experiência não se limita a esse processo de criação. A intenção da Visual Editions era inventar um formato diferente – um tipo de livro com face e conteúdo de obra de arte. Para se ter uma ideia da “ousadia” da parceria, somente uma gráfica belga aceitou a tarefa de tirar Tree of Codes do papel comum e esculpi-lo em um projeto impressionante.



Não contente em criar um novo objeto de desejo para muitos leitores, a editora preparou dois belos vídeos de divulgação. Um deles mostra todo o processo de produção, e o outro, algumas reações das pessoas ao folhear o livro. A vontade imediata é desembolsar uma quantia nem um pouco generosa de dinheiro para ter uma das cópias em mãos. Ou comprar uma versão usada. Isso, claro, se a sorte resolver se comportar com uma boa amiga.

Ou vocês acham mesmo que alguém teria coragem de vender algo tão bonito?



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