Wishlist – Livros

Falta pouco para o meu aniversário. Mais uma vez, preciso concordar com um clichê proferido por muitos – depois de uma certa idade, a data perde um pouco da graça dos anos anteriores. Comigo, aconteceu depois dos 17 anos. Falta ânimo toda vez que o dia 14 de maio se aproxima. Mas bem, resolvi fazer diferente e empurrar um pouco a falta de empolgação. Que tal listar coisas que eu gostaria de comprar até o fim do ano? Cogitei até uma semana temática por aqui, concentrando os textos em coisas que eu gosto. Provavelmente enjoaria após a finalização de dois posts.

E então refinei tudo isso e optei por uma listagem de livros desejados. Desta forma, além de compartilhar futuras leituras, vocês podem opinar sobre quais obras acham legais ou ruins, se também pretendem ler alguma da lista… como “critério”, selecionei apenas livros que aguardam ansiosos por mim nas livrarias e bibliotecas da vida – ou seja, ainda não li, nem comprei. Vamos lá!

Como uma boa jornalista, ou melhor, estudante de jornalismo, nada mais justo que iniciar com obras ligadas a área. Estou no terceiro ano da faculdade, e parece absurdo dizer que ainda morro de medo de entrevistas. Incluo na categoria de características que necessitam de treino até se aperfeiçoarem. Sempre fico com o receio de esquecer uma pergunta importante, ser desagradável sem perceber, utilizar uma abordagem inadequada. Enfim, paranoias partilhadas, sem dúvidas, com muitos jornalistas. Algumas obras desempenham seu papel essencial nesse ponto – os exemplos de entrevistas dão uma base, inspiração, e até mesmo conselhos.

A Arte da Entrevista foi organizado por Fábio Altman e ilustrado por Cassio Loredano. O livro reúne 48 entrevistas, e mesmo sem tê-lo lido, gosto da seleção. Pois há espaço tanto para entrevistados brasileiros quanto estrangeiros. Aproveitando a deixa, escolhi o primeiro volume de As Entrevistas da Paris Review, publicado recentemente pela Companhia das Letras em português – reúne catorze entrevistas de escritores importantes. E ainda concilia minha paixão entre jornalismo e literatura.

Por último, quase uma obrigação: ler uma obra de Gay Talese. Sempre me lembro da Fer Lopes ao falar sobre ele. Uma vez comentei que nunca havia lido um livro completo do autor, apenas contos soltos. E ela relatou a história de duas meninas que conversavam na livraria, comentando que alguns livros você não pode dizer que não leu em voz alta porque não pega bem. Mais uma vez, uma publicação recente entrou na lista. Pesquisei os outros trabalhos do escritor e Honra Teu Pai foi selecionado por abordar um conteúdo mais instigante: a “vida secreta” da máfia.

Sim, eu gosto de quadrinhos. Mesmo com um conhecimento bastante modesto sobre a categoria. Motivo que me incentivou a procurar um amigo que entende bastante do assunto, em busca de uma “iniciação” no universo das HQs. As primeiras sugestões foram Os Leões de Bagdá e Local – Ponto de Partida. Encontrei o primeiro e me encantei só de folhear. A escolha do roteirista Brian K. Vaughan é bem interessante, por retratar Bagdá no momento pós-guerra utilizando os leões como personagens centrais. Local traz um tema completamente diferente. A temática chamou minha atenção por tratar das dificuldades cotidianas, algo que já encontrei em muitos romances que me agradaram.

E para fugir um pouco da lista de sugestões, escolhi Os Beats. Gostei dos traços ao passar os olhos pela obra, e há tempos procuro uma obra que me sirva de introdução a Geração Beat. Já li alguns livros do gênero, mas quero saber um pouco mais sobre os escritores. E como se esses motivos não fossem suficientes para me deixar com vontade de ler a HQ, destaco a autoria – Harvey Pekar, criador de Anti-Heroi Americano (outra HQ desejada, pois só obtive uma versão online).

Abri uma exceção. Já li O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar. Mas passei um ano inteiro namorando-o à distância, sempre procrastinando o momento de levá-lo até o caixa. Até o dia em que a obra desapareceu da Livraria Cultura, e num ímpeto de desespero, corri até o site e me deparei com letras vermelhas de cortar o coração: esgotado no fornecedor. Mas meu desespero findou na semana passada, ao encontrá-lo bem bonito no balcão da livraria. Conferi e voilà, a nova edição foi lançada recentemente. Desta vez, quero ler seguindo a ordem sugerida na primeira página. Cortázar é incrível, e essa obra merece ser relida infinitas vezes.

Assisti a uma peça ano passado e um amigo comentou que, pela história, havia se lembrado de um livro de Italo Calvino. Se Um Viajante Numa Noite De Inverno está entre as obras que sempre procuro para dar uma olhada e não encontro. E nem é preciso dizer que a sinopse me ganhou rapidamente com a proposta de levar o leitor a inúmeras narrativas em uma única compilação. Para mim, é o ponto de partida perfeito para adentrar no universo da literatura de Calvino.

Se não fosse por Cortázar, as três obras acima representariam essencialmente autores que preciso conhecer. Sylvia Plath sempre surge no tumblr com belas citações. É, como vocês podem perceber, assim como algumas pessoas se interessam por livros pela capa, interesso-me pelas citações. Nem precisei pesquisar muito para escolher a primeira obra da escritora que pretendo ler. Caí no blog The Sun Sets e a resenha de The Bell Jar me deixou louca para lê-lo.

Jonathan Safran Foer é autor do livro que inspirou o filme Everything is Illuminated. Quando fui buscar informações sobre ele, conheci Extremamente Alto e Incrivelmente Perto – e para me deixar ainda mais curiosa, o tumblr interveio mais uma vez com citações postadas por vários usuários. Parece ser uma obra bem delicada que utiliza o ataque terrorista ao World Trade Center como pano de fundo.

Embora não fotografe com a mesma frequência, ainda sou apaixonada pelo assunto. E para completar minha saudade dos bons tempos de tardes fotografando, encontrei Ligeiramente Fora de Foco. Entre os relatos de Robert Capa, há várias ilustrações de suas fotografias mais conhecidas – com aquele cuidado especial típico da editora CosacNaify.

Super Sad True Love Story, de Gary Gary Shteyngart, não foi lançado no Brasil. A história de Lenny Abramov chegou até mim através do trailer de divulgação. Minha concentração poderia ser desviada por completo para James Franco, que aparece em certo momento. Mas não, o conjunto despertou minha atenção já comovida pela sinopse. Em território nacional, acho que só a Companhia das Letras produz trailers para algumas obras por eles publicadas – muito boas, por sinal. Fica a dica às outras editoras, é uma excelente maneira de divulgar as novas publicações.

Finalmente, os últimos da lista! O primeiro tem tudo a ver com minha humilde seleção – o domínio exercido pela ficção é evidente.  Digamos que Como Funciona A Ficção, de James Wood, é um livro “mil e uma utilidades”. Tenho interesse pela área técnica, que busca explicar a construção da narrativa ficcional. Consequentemente, a obra pode me apoiar nos estudos de Técnica de Redação (a faculdade nunca me abandona, vejam bem!). Aconteceu em Blackrock é ficção, embora o tema assemelhe-se bastante a acontecimentos bem próximos a realidade. Tanto que Kevin Power se inspirou em um fato real – o assassinato de Brian Murphy, então com 18 anos. O garoto foi chutado até a morte na saída de uma boate, em 2004, na Irlanda.

Escolhi uma obra nacional para fechar a lista – Distraídos Venceremos, de Paulo Leminski. Sinto que o livro permanecerá na lista por muito tempo, pois está esgotado no fornecedor.

Lista finalizada, agora o espaço é de vocês! Quero ouvir opiniões variadas sobre os livros :)


					
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2 comentários sobre “Wishlist – Livros

  1. Lidy, casa comigo? Não ofereço roupa, nem comida, mas os livros eu levo. Para começar, eu tenho “Distraídos venceremos”. Pode me invejar a vontade ~: Também quero “Como funciona a ficção”, ainda mais agora que entrei nessa de que vou fazer mestrado em literatura. “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” é outra coisinha linda que eu quero ler, desde muito tempo, quando assisti a “Everything is illuminated”, que também não li, mas é um dos filmes mais legais do mundo. “Rayuela” é sonho de consumo a tempos também.. Mas ai descobri Roberto Bolaño, que eu indico, e decidi que ia deixar o Cortázar pro futuro. “Se um viajante em uma noite de inverno”, eu indico! Tenho aqui, se você casar comigo, ele vai pra biblioteca conjunta haha É uma viagem, mas uma viagem bem legal. Queria ler “Os beats”, tô nessa onda depois de ter lido “Howl”. Também tenho “As entrevistas da Paris Review”, que é lindo, com entrevistas fodíssimas com autores fodidos. A conversa com o William Faulkner é uma das mais interessantes que eu já li! E você sabe do meu fraco por ele. Valeu a aquisição. No mais, vou indicar algumas coisas e se meu humor estiver bom, te dou algum desses de presente: Você precisa ler Borges, seu cérebro expande imediatamente após começar a leitura. “Ficções” ou “O aleph” são ótimos começos. Também tenho que dizer, Lidy, Roberto Bolaño é foda. Se gosta de contos, “Putas assassinas”, se gosta de calhamaços, “Detetives selvagens”. Para sair da américa do sul, eu indico Faulkner. Os clássicos são necessários. Eu sei que você comprou aquele “Luz em agosto”. Mas nada como ler “O som e a fúria”. No mais é isso, um beijo pra ti!

  2. Os Beats, Honra Teu Pai, Extremely Loud & Incredibly Close, O Jogo da Amarelinha, The Bell Jar, As entrevistas da Paris Review e o livro do Capa são muito bons, for sure. :)

    Muito legal sua lista, Lidy.

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