O que é tristeza pra você?

Eu sei, todos odeiam Caio Fernando Abreu e têm pavor de qualquer texto iniciado por alguma citação do autor. Porém, muito antes da euforia online que as popularizou, li quase todas as obras e passei a admirá-lo. Como todo escritor, ele tem altos e baixos. Mas independente dos trabalhos que deixam um pouco a desejar, conseguiu captar a essência do sofrimento humano e transformá-la em belas composições literárias.

Se me pedissem para escolher as três obras que mais me agradaram, Inventário do Ir-remediável com certeza entraria na lista. Há um trecho no conto Meio Silêncio que me comove até hoje. Lembro-me bem de ter passado um bom tempo relendo-o e pensando no peso de cada frase:

“Eu disse: a lua está tão bonita que dói por dentro. Ele não entendeu. É tudo tão bonito que me dói e me pesa. Fico pensando que nunca mais vai se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar sempre. Não sei, não quero pensar. Neste espaço branco de madrugada e lua cheia, preciso falar, e mais do que falar, preciso dizer. Mas as palavras não dizem tudo, não dizem nada. O momento me esmaga por dentro. O espanto esbarra em paredes pedindo exteriorização.”

Pode soar paradoxal aos desentendidos, mas de tempos em tempos me deparo com essas coisas que de tão bonitas, me doem. E foi em um fim de tarde, quando estava um pouco sonolenta e com a rinite atacada, que o depoimento de Hélio Leites proporcionou essa sensação. E ainda veio como um pacote embrulhado com o papel mais bonito – as singelas palavras eram ilustradas pelo trabalho do artista.

O vídeo faz parte da série de Mini-Documentários “O que é tristeza pra você?”, que integra o projeto Thomás Tristonho. Tive a mais agradável surpresa ao descobrir mais dois vídeos da série. Em poucos minutos, conhecemos um pouco da arte de três indivíduos, acompanhados por suas opiniões a respeito da tristeza. Já aviso de antemão – cada vídeo é de uma delicadeza imensa, capaz de causar dor por presenciar uma combinação de elementos tão esplêndidos.

Para se encantar, e repensar nossa essência e tudo aquilo de proveitoso que dela podemos tirar.

Hélio Leites:

Marcio Moreno:

Rita Pires:

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