Desafio Literário 2011 – Odisseia

Odisseia, obra que funda a tradição literária no Ocidente, leva o leitor a um espaço onde a aventura se sustenta pela nostalgia. O livro apresenta a história de um personagem que encara infortúnios aparentemente infindáveis, carregando consigo o desejo de retornar ao lar. Dessa maneira, Homero relata a volta de Odisseu a Ítaca após o fim da Guerra de Troia.

Para regressar ao local onde sua esposa, Penélope, e seu filho Telêmaco o esperam, já sem muitas esperanças, ele terá que enfrentar algumas tribulações. Após 20 anos, os deuses resolvem dar trégua e permitir o retorno definitivo. Telêmaco vai a Pilos em busca de notícias do pai, orientado por Atena. Já Odisseu permanece um tempo na terra dos feácios, onde narra ao rei Alcínoo todos os empecilhos enfrentados antes de chegar ali. Mal poderia imaginar Odisseu que, findada a guerra, acompanharia o perecimento de toda tripulação que o acompanhava até ser resgatado por Calipso, que por ele se apaixona e por esse motivo o aprisiona na ilha.

Ao enfrentar os cícones e os lotófagos, Odisseu perde parte da tripulação. Em seguida, param na terra dos Ciclopes, onde se dá um dos momentos mais conhecidos da Odisseia. Instante essencial à história, por desencadear os principais infortúnios no caminho de volta. Odisseu cega o gigante Polífemo – assim, provoca a ira do ciclope, que ora a Posidão (deus do mar) para impedir a volta do “saqueador de cidades” ao lar – e que caso esteja destinado a reencontrar a família, que sofra humilhações no caminho e depare-se com problemas ao atingir o destino. Para não estragar as surpresas de futuros leitores, é preferível não dar mais detalhes sobre todos os empecilhos dessa trajetória, bem como seu desdobramento e desfecho.

Por ser uma obra épica, Odisseia prevê um público culto. Embora seja um livro repleto de aventuras, exige maior atenção à construção do enredo. A narrativa é fria e bastante direta. Nos momentos de sofrimento dos personagens, recursos fantasiosos se apresentam para “amenizar” a dor. Há sempre a aparição de algum deus, que imediatamente provoca o alívio das tensões – depositando “um doce sono nas pálpebras” do personagem, na maior parte dos casos. É notável também a caracterização da sensatez e dos valores através de Penélope – a esposa fiel, que apesar da demora, não deixa de esperar pelo retorno do marido. Odisseu, por outro lado, reflete também a lealdade e mostra-se persistente e incapaz de abandonar seu desejo de retornar ao lar.

A dificuldade em escrever sobre Odisseia reside na pluralidade da obra. O clássico possui uma gama imensa de personagens, é bastante detalhista e apresenta um habilidoso trabalho de organização. E mesmo com inúmeras tentativas, haverá sempre detalhes importantes que ficarão de fora dos muitos textos sobre o retorno de Odisseu ao lar.

Observação: Não sei se posso chamar isso de resenha, está mais para nota. Acabei lendo MUITO à respeito da obra e não consegui organizar bem as informações essenciais. Tentarei refazer uma resenha mais para frente…

Homero. Odisseia. Editora Cultrix, 2010. Tradução: Jaime Bruna. 296 págs. Preço sugerido: R$ 28,00.

[A imagem da capa pertence ao livro da Abril Coleções, publicado no ano passado e esgotado. Mas, caso tenham interesse, a tradução é a mesma da Editora Cultrix, feita por Jaime Bruna. A coleção da Abril, porém, está dentro da reforma ortográfica.]

Esta resenha corresponde ao tema de Março do Desafio Literário 2011.

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4 comentários sobre “Desafio Literário 2011 – Odisseia

  1. Eu lerei dentro em breve A Odisséia, um dos livros mais importantes da Literatura Ocidental. Porém, antes de lê-lo, lerei A Ilíada, por uma questão cronológica dos fatos narrados…

    Ótima resenha.

    Beijos

      • Ah, obrigada, Vivi! Sempre adiei a leitura porque achei que não daria conta. Resolvi aproveitar que um professor pediu que lêssemos na faculdade e valeu a pena. É um desafio ler uma obra épica para quem não está acostumado com esse tipo de leitura, mas dá pra aprender muita coisa! Foi a hora certa para conhecer Homero.

    • Obrigada, Daniela! Odisseia exige uma leitura concentrada, mas acredito que deve tornar-se mais interessante depois da leitura de Ilíada. Caso se interesse mesmo por ambos, leia também “O Mundo de Homero”, de Pierre Vidal-Naquet. Ele faz um apanhado geral dos dois livros, destacando as características mais importantes :)

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