Sobre o vazio

Há momentos na vida em que o aperto no peito é inevitável. E não é algo tão simples como posto assim, em poucas palavras. Falo sobre aquele tipo de sentimento incômodo que costuma aparecer sem uma explicação plausível. E nos leva rapidamente àquela dúvida: “que sensação estranha é essa?” – como se algo não palpável estivesse em falta.

Isso pode passar em minutos, ou se estender por um tempo indeterminado até dar espaço ao vazio. Sensação esmiuçada por inúmeros artistas no cinema, na música, e na literatura.

E se há alguém capaz de transformar essa sensação em belas sequências cinematográficas, esse alguém é a diretora Sofia Coppola. Ela captura o vazio e oferece-o ao espectador quase de forma inquietante.

Quando o filme termina, é como se absorvêssemos os sentimentos de cada personagem – uma experiência propriamente dita, como se houvéssemos vivido cada um destes seres. E há todo um cuidado – a trilha sonora melancólica, os diálogos inseridos na trama no momento ideal. Tudo para apresentar a ambientação exata para sentir um vazio ao qual não estamos habituados.

A conexão entre as quatro obras da diretora também é digna de nota. A cada criatura de seus filmes é oferecida uma oportunidade para preencher o vazio – mas eles não aceitam nada que seja alcançado com facilidade. E assim relutam até o fim, encarando a oportunidade de mudar ou conformar-se com a atual situação.

Falar sobre as escolhas de cada um ao final renderia outros textos. E a leitura ficaria limitada àqueles que acompanharam todos os trabalhos de Coppola. Por enquanto, deixo um vídeo com trechos dos filmes – para matar as saudades dos fãs ou simplesmente despertar a curiosidade daqueles que desconhecem as obras da diretora.

“oh everybody plays the game, and if you don’t you’re called insane”

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2 comentários sobre “Sobre o vazio

  1. Li esse seu primeiro parágrafo e a primeira coisa que me veio à cabeça foi isso: http://weheartit.com/entry/6673690 .
    Durante as nossas conversas sobre este filme da discórdia que é Somewhere, haha, acho que a melhor definição que já ouvi sobre Sofia Coppola é a sua: ela quer que a gente sinta o vazio. Vou usar nas minhas conversas com outras pessoas sobre isso, tá? Dou os créditos! hahaha

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