Desafio Literário 2011 – O Menino do Pijama Listrado

Para os adultos, a inocência é usualmente a característica mais encantadora das crianças. Esse traço é responsável pela capacidade que elas têm de conceber coisas complexas com simplicidade, interpretando-as à sua maneira e construindo, assim, uma visão singela dos acontecimentos cotidianos. É dessa forma que o pequeno Bruno conta sua história na obra de John Boyne, O Menino do Pijama Listrado.

O garoto tem nove anos e possui características comuns às crianças da mesma faixa etária. Gosta de se divertir com os amigos da escola, de brincar de “exploração” na enorme casa onde mora e de provocar Gretel, a irmã mais velha. A infância bem aproveitada é abalada, porém, quando os pais anunciam uma mudança. Por razão do trabalho do pai, a família deverá abandonar Berlim para viver em “Haja-Vista”, onde deverão permanecer por um “futuro previsível”.

Aceitar tamanha transformação não é fácil para ninguém, mas torna-se ainda mais difícil para uma criança. A nova casa é menor e isolada – a família não possui vizinhos e os irmãos têm um professor particular. Há somente um enorme campo de concentração, separado da propriedade por uma cerca de ferro.

Bruno faz o que pode para se distrair, como inventar um balanço com uma roda de pneu, ou brincar de explorar caminhando ao longo da divisa entre o campo e sua casa. Durante tais expedições, ele se depara com Shmuel, criança que vive do outro lado da cerca e traja o mesmo “pijama listrado” utilizado por todos onde vive.

Visitar o novo amigo torna-se, então, uma atividade cotidiana na vida de Bruno e ambos aproveitam as horas de conversa como uma fuga das tardes tediosas. A curiosidade do garoto provoca certa agonia no decorrer da obra – afinal, ele não compreende verdadeiramente os acontecimentos e a família faz o possível para sustentar essa situação.

Boyne faz bom uso dos recursos narrativos, uma vez que, apesar de o contexto do livro ser conhecido, o enredo se desenvolve provocando dúvidas no leitor. Embora não seja a melhor obra sobre a Segunda Guerra Mundial, O Menino do Pijama Listrado oferece uma interessante versão do período. Boyne optou por abordar uma visão pouco usual, com o cuidado de orquestrar personagens que pouco conhecem suas próprias condições.

Apesar de pertencer à categoria de publicações infanto-juvenis, o livro pode ser um tanto pesado para jovens, em especial por seu triste desfecho. Ainda assim, é uma obra delicada, que proporciona uma válida reflexão sobre um período tão conturbado da História Contemporânea.

BOYNE, John. O Menino do Pijama Listrado. Companhia das Letras, 2007. Tradução: Augusto Pacheco Calil. 192 págs. Preço sugerido: R$ 34,50.

[Publicado também no site de Cultura Geral da Cásper]

Esta resenha corresponde ao tema de Janeiro do Desafio Literário 2011.

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Don’t let me down…

Quem assistiu Across the Universe deve se lembrar do final do filme, quando os personagens cantam no alto de um prédio. A escolha da cena final era simbólica – uma referência àquela tarde de 30 de janeiro, 42 anos atrás. Os Beatles fizeram sua última apresentação, no topo do edifício sede da Apple Records. Após 10 anos, a banda acabou, mas as músicas não se contentaram com o fato de representarem uma geração. Foram além – depois de 42 anos, a banda ainda atrai admiradores de todas as idades – e com intensidade. E sei que, assim como eu, muita gente espera que isso não mude nunca. Vida longa aos Beatles!

457

 

Mercado Municipal de São Paulo

É aquela história, “se fosse perfeito, não teria graça”. Afinal, quem não tem defeitos? Para uma cidade tão grande, é difícil ignorar a existência destes. Não é fácil agradar uma população que cresce monstruosamente a cada ano. Mas ela não faz por mal. Enquanto procura manter sua postura firme e de certa forma desafiadora, também oferece cultura aos moradores e visitantes – em diversas formas e para todos os gostos. Logo, a relação torna-se equilibrada. Não dá para virar as costas e sentir ódio eterno de um lugar com tanto a oferecer.

São Paulo faz 457 anos hoje, e não consigo traduzir o que sinto pela cidade. Já voltei para casa reclamando inúmeras vezes por ter tomado chuva ou por ter ficado presa no trânsito. Mas sempre respiro fundo e procuro não me irritar – e assim, aproveitar ao máximo a capital. Gosto do fato de ser só mais uma em meio à multidão – não sou considerada estranha pelas coisas que gosto, pelo contrário. Além de conhecer, sei da existência de várias pessoas que partilham essas paixões. E me acompanham sem saber pelas tardes nas livrarias e bibliotecas, aos cinemas, teatros, shows, museus e outros eventos.

Eu poderia fazer um texto imenso apontando os aspectos positivos e negativos de viver e visitar a cidade. Mas deixo essa tarefa para cada indivíduo, que deve descobri-la à sua maneira. Por enquanto, farei minha homenagem através de fotos de vários cantos da capital paulista, tiradas nos últimos 5 anos. Para acessá-las, basta clicar aqui ou na foto do Mercado Municipal. Feliz aniversário, São Paulo!

Música de Terça – The Kills

The Kills

A dica musical de terça feira volta em 2011 com mais uma mulher assumindo os vocais. A irreverente Alisson Mosshart (“VV”) encontrou em Jamie Hince (“Hotel”) o par ideal para desenvolver o projeto musical então desejado. O The Kills nasceu desse encontro, em 2000, quando Alisson viajou à Inglaterra após meses de troca de trabalhos com Jamie pelo correio.

Quando o primeiro disco, Keep On Your Mean Side, foi lançado em 2003, a banda já havia realizado inúmeros shows e lançado um EP. Dois anos mais tarde, lançaram No Wow. O álbum mais recente, Midnight Boom, é de 2008. No site oficial, eles já anunciaram o lançamento do próximo trabalho, previsto para 4 de Abril e intitulado Blood Pressures.

Por que ouvi-los? Para acompanhar guitarra e bateria, a voz marcante de Alisson e os ocasionais “susurros” de Jamie atribuem uma pegada sexy ao rock feito pela dupla – característica intensificada pela performance de ambos ao vivo. E vale reforçar: The Kills é uma banda ideal para qualquer momento – capaz de animar tanto em dias ruins quanto em dias de comemorações. Vocês precisam de mais motivos para afastar o sofá e aumentar o som?

Last day of magic está no último álbum, Midnight Boom, assim como Cheap and cheerful.

A excelente The good ones foi lançada no segundo trabalho da banda, No Wow.

Para relembrar os “velhos tempos” do The Kills, Kissy Kissy, presente no disco Keep On Your Mean Side. O vídeo integra o documentário I Hate The Way You Love.