The joy of books
Cada visita feita a uma livraria me deixa em estado incomum. Até hoje não consegui definir como gostaria. Em uma explicação simplória, poderia dizer que atinjo um nível exagerado de felicidade. Não que eu saia pelas estantes com um sorriso de Cheshire Cat (devo admitir que já aconteceu no passado, mas não contem para ninguém). É algo tão evidente que dispensa movimentos faciais exagerados.
Intencionalmente ou não, o vídeo abaixo acaba falando sobre essa sensação. E ainda me deixa com saudades de Toronto…
‘till your well is gone
Quer ouvir uma canção repleta de tristeza, capaz de traduzir todos os problemas decorrentes da frustração amorosa? Que também pode ser aplicado a outros conflitos cotidianos? Tá de mal com o mundo? Não quer saber de gente te dizendo que vai ficar tudo bem?
É simples! Basta ouvir o Moonpix inteiro. Pelo menos duas vezes seguidas. Se possível, acrescente algumas taças de vinho para deixar o ambiente propício.
Não, não é um trabalho novo da Adele. Falo de Cat Power. Ela não é novidade por aqui, mas retomei o assunto porque um novo trabalho deu as caras no youtube essa semana. Em uma definição bem piegas, posso dizer que as músicas dela são uma bomba de sentimentos.
Até quando a letra é, na medida do possível, feliz, o ritmo continua te arrastando para baixo. Melodia de contemplação letárgica, da maior qualidade.
Kings ride by tem uma pegada mais otimista, e ainda assim combina com o clima chuvoso de hoje. Escutem e tirem suas próprias conclusões.
O Último Voo do Flamingo, de Mia Couto
Foi como pisar em um território desconhecido. Era arriscado e eu não fazia idéia do que poderia esperar. Até então, meu conhecimento sobre literatura africana limitava-se à leitura de Desonra, de J. M. Coetzee. Não me ocupei com leituras prévias. Preferi a surpresa e, acreditem, minha opção foi extremamente vantajosa. Em O Último Voo do Flamingo, Mia Couto cria uma fictícia Tizangara, em Moçambique. Um lugar que abriga uma constante mistura entre o fantasioso e a realidade – uma característica evidenciada, logo no primeiro contato, por estar contida em cada personagem presente no romance.
A narrativa possui um toque poético. Um artifício bem utilizado – diversas passagens incitam, de modo envolvente, o questionamento com relação aos limites do real. Em certo ponto, a noção desses limites é perturbada. Pois o próprio narrador anuncia – em Tizangara “todos os factos são sobrenaturais”. Diversas passagens nos levam a interromper a leitura para levantar esse questionamento – o autor conduz a história de uma forma tão natural que um fato absurdo passa aos olhos do leitor como uma coisa normal.
E então um acontecimento estranho passa a perturbar o cotidiano do local. Soldados estrangeiros, sem uma explicação plausível, começam a explodir. Massimo Risi, italiano e oficial das Nações Unidas é solicitado a investigar o incidente. Com a sua chegada, um morador local – narrador da história – é requisitado a acompanhá-lo, desempenhando o papel de tradutor.
No início, todos os indícios levavam a crer que a história se desenvolveria sobre o perpspectiva da investigação de Risi. Entretanto, com o desenrolar do enredo , o narrador parece inserido em uma conversa informal com o leitor, na qual relata a situação atual de sua cidade e rememora a trajetória de seus pais. Esse contato reforça também um fator que enriquece a narrativa – talvez o grande problema não seja a explosão sem explicação dos soldados, mas a dificuldade para encontrar identidade característica de um país que vive marginalizado. Neste ponto é importante destacar o contexto - Moçambique passa por um processo de paz, pouco tempo após o fim de uma longa guerra civil. Nessa situação, como já é de se esperar, nem mesmo os administradores locais dão conta dos problemas, mais preocupados com problemas pessoais e alheios às feridas da própria nação.
Aproveitando o lado fantasioso da obra, Mia Couto brinca conscientemente com a língua portuguesa. Brincadeira amparada pelos distintos personagens – numerosos, diga-se de passagem – espalhados pela curta extensão do livro. Há, por exemplo, Temporina, uma mulher com rosto de velha e corpo de moça. Há também Sulplício, pai do narrador, que pendura os ossos do corpo antes de dormir. Um embate constante para Risi, que precisa enviar relatórios à sede da missão da ONU. Todos os relatos por ele acompanhados parecem absurdos, e ele próprio questiona a veracidade dos fatos – se ele acha absurdo, como uma pessoa que não conhece Tizangara pode acreditar em tudo isso?
Por meio de uma metáfora, o autor conclui a obra com um baque. Um toque abrupto que atenta para um olhar mais cuidadoso. Com bom humor e de forma delicada, O Ultimo Voo do Flamingo procura despertar a atenção para os valores de uma nação e todas as suas particularidades. Apesar de todos os empecilhos, é preciso manter e valorizar a essência.
“Viver é fácil. Até os mortos conseguem. Mas a vida é um peso que precisa ser carregado por todos os viventes”
COUTO, Mia. O Último Voo do Flamingo. Editora Companhia das Letras, 2005. 232 págs. Preço sugerido: R$46,00.
Para começar de forma sutil
É extremamente idiota da minha parte. Ainda assim, estou desde segunda matutando a respeito do primeiro post de 2012. Não queria jogar um tema solto e sem nexo neste pontapé inicial (como se o blog estivesse começando hoje), mas não houve alternativa. Vai ver faltou um esforço maior impulsionado pelo clima simpático de férias acadêmicas, que me deixa acomodada sem muita culpa.
Na dúvida, optei por começar de forma sutil. Divulgo, então, o trabalho de Bett Noris. Gosto particularmente das tonalidades presentes nas ilustrações. A opção pelos tons pasteis remete à coisas antigas – um toque de nostalgia ao conjunto da obra. Para mim, o traço tortuoso transparece leveza.
Por ser pouco extenso, compensa conferir o trabalho completo. Recomendo, para começar, a série Treasure. Quem gosta de fotografia deve lembrar daqueles projetos clássicos do Flickr para mostrar todos os objetos contidos nas nossas bolsas. Noris aproximou-se dessa ideia reunindo em um desenho vários objetos que lembram – ou mesmo que poderiam pertencer a – personalidades como Frida Kahlo e Sylvia Plath.
Para uma exposição, o tema proposto foi “Joining the Dots” (ligando os pontos). Ela se inspirou em pontos espalhados em mapas para criar uma imagem sobre a cultura do chá pelo mundo. Sou levemente viciada em chá e adorei o resultado:
Para mais detalhes: site oficial e blog de Bett Noris.
Let’s give it a try?
Eu não sentia nada. Só uma transformação pesável.
Muita coisa importante falta nome. – Guimarães Rosa
Não perderei tempo atribuindo mil motivos para provar que 2011 foi um ano terrível. Guardarei apenas a experiência – o amadurecimento e as pequenas conquistas. Talvez as coisas ruins sirvam justamente para isso. Obstáculos impostos para testar nossa resistência.
Para 2012, tudo isso pode se repetir. Espero, ao menos, que seja ameno. Se não fosse pedir muito, faria votos por compreensão e paz. Mas seria pretenso e um tanto ambicioso da minha parte. Os planos com relação aos anos anteriores mudaram – não planejei nada. Estipular metas para um ano inteiro é apavorante. Tentar se adequar aos poucos, sim, me parece plausível.
É o que desejo para todos. A virada do ano deve fornecer um pouco de esperança por mudanças positivas. E que haja muita calma para lidar com todas as variações decorrentes das alterações (inevitáveis) que encaramos ao longo da vida.
Assim como me autorizei a errar sem medo em 2011, assino uma autorização para ter esperanças também. Um pouco de ousadia para começar 2012, por quê não?
Feliz ano novo.
I’ll do anything to be happy
oh, ’cause blue skies are coming
but I know that it’s hard
Desafio Literário 2011- Um Dia, de David Nicholls
Histórias de amor caminham sob uma linha tênue, na qual procuram se equilibrar entre o óbvio e a criatividade para mostrar-se singular ou minimamente capaz de uma fuga do convecional. Não é difícil cair na mesmice. Embora não haja inovação alguma e isso aconteça sutilmente, Um Dia, de David Nicholls consegue atingir esse equilíbrio.
A história corre o risco de entregar-se ao óbvio constantemente, mas existe um cuidado do autor para que isso não aconteça. O fio condutor e fato peculiar da obra é a data especial para Emma Morley e Dexter Mayhem. O primeiro ‘encontro’ acontece no dia da formatura de ambos.
A partir de então, a cada ano, sempre no dia 15 de julho, eles partilham algum momento importante em suas vidas. A amizade se fortalece e a história de um acaba dependendo – embora de maneira indireta – da história do outro para acontecer.
Emma e Dexter não possuem nada de fantasioso. Todos os personagens não procuram bancar os herois. São todos extremamente humanos, vulneráveis como qualquer indivíduo comum. Nicholls possui um estilo despojado, e sua escrita é permeada por um humor espirituoso.
Essa naturalidade, porém, abriga mutuamente uma vantagem e uma desvantagem. Aproxima o ficcional da realidade e do ordinário, pois mostra uma realidade sem grandes floreios. O que pode prender ainda mais a atenção do leitor, ou parecer excessivamente real e tornar-se maçante.
Pois é justamente quando Dexter passa por uma fase conturbada que a obra perde um pouco do seu encanto inicial. Com a passagem dos anos, ele mantém a mesma personalidade inconsequente do período da faculdade. A imaturidade o deixa irritante em diversas passagens. Nicholls então procura atribuir-lhe choques de realidade. A sequência constroi a travessia pela qual passa o personagem. Apesar da personalidade irritante, ele evidencia nossa dificuldade usual em encarar problemas de frente.
Embora os personagens centrais partilhem o humor descontraído, Emma é mais frágil. Ela, sim, enfrenta os empecilhos com força e atravessa as experiências encontrando-se cada vez mais madura. Talvez seja essa a grande sacada de Um Dia. Emma e Dexter compensam seus defeitos e embates pessoais. Suas histórias, como dito anteriormente, se completam.
Aos desavisados, é importante lembrar que o livro não abriga um exemplo de genialidade. A história cumpre seu papel como um drama ameno. Um enredo envolvente, uma leitura leve. Para se envolver sem grandes questionamentos.
Os melhores filmes de 2011
Dando continuidade aos melhores de 2011 (que começou ontem e acaba hoje, um mero detalhe), mais uma vez tive medo de ser injusta em meio a tantas opções boas. Segui o mesmo esquema do post anterior, escolhendo entre filmes lançados neste ano e longas das antigas. Mera coincidência ou não, todas as minhas escolhas chegaram ao Brasil em 2011.
Vi muitos filmes, mas a quantidade de títulos diminuiu em comparação com a lista do ano passado. Fui tanto ao cinema que acabei deixando meu aparelho de dvd de lado. Triste, mas acontece. Enfim, chega de prolixidade e vamos à lista!
O quinto lugar ficou com A Pele Que Habito, dirigido por Pedro Almodóvar. Gosto muito dos trabalhos dele, e esse filme em especial apresenta um formato semelhante ao dos primeiros trabalhos do diretor. Almodóvar possui uma fórmula especial para provocar risos em cenas trágicas – ou talvez seja apenas uma impressão pessoal. É inevitável. A personagem é submetida à tortura e eu fico lá, rindo descontroladamente enquanto as pessoas do cinema olham com medo.
Não o considero o melhor trabalho do diretor, mas tive uma experiência digna no cinema ao prestigiar uma obra completa. Roteiro bem amarrado, ótimos atores, e uma trilha sonora bem colocada. Certamente é uma escolha suspeita. Me sentiria mal por não colocar um trabalho inédito do diretor na lista dos melhores do ano.
Prefiro poupar comentários sobre o enredo porque a graça do filme é justamente a surpresa proporcionada com o desenrolar da história. Por sinal, admiro quem conseguiu resenhá-lo sem entregar informações importantes.
A escolha da quarta posição foi presenteada com um título cafona no Brasil. É, Rabbit Hole virou um piegas Reencontrando a Felicidade. Embora pareça banal, tira um pouco da “mágica” do filme. Rabbit Hole, a partir de certa altura, é um título que faz pleno sentido. No caso da tradução brasileira, você ainda questiona o que tem a ver com a história por um tempo.
Dirigido por John Cameron Mitchell, o longa conta a história de um casal que acaba de perder o filho, morto em um acidente. Já estava com saudades de Nicole Kidman em um bom filme. A espera compensou em diversos aspectos. O roteiro deste filme poderia colocá-lo facilmente no topo da lista.
Gosto muito da forma como a história é contada, apresentando pontos de vista distintos. Pelo trailer, imaginava algo pesado e, justamente por isso, escolhi um dia tranquilo para assisti-lo pois acreditei que sairia do cinema muito abalada. Por sinal, chega a ser um tanto estranho – você sofre no início do filme e, ao final, esboça um sorriso desconfortável. Uma tentativa de compreensão com a dor do casal, creio eu.
Quanto ao terceiro escolhido, só tenho uma coisa a dizer: Javier Drolas. Mil vezes Javier Drolas. Eu poderia fazer uma piada sem graça e dizer que o filme só entrou na lista por tê-lo no elenco, mas né, chega de chatices em 2011. Tenho admiração pelos trabalhos do cinema argentino, mas Medianeras é tão sutil e despretensioso, que acabei me surpreendendo. A direção é de Gustavo Taretto.
O enredo não possui nada de extraordinário, e talvez seja esse o grande mérito do longa. Assisti duas vezes, e lembro que muita gente saiu reclamando do final. Ok, os mais velhos devem achar completamente imbecil. Eu adoto o clichê e prefiro considerar um conto de fadas (às avessas) em pleno século XXI. É improvável? Claro. Mas é essa a beleza do cinema.
E quando falo em beleza do cinema, levo em conta a máxima do leque de sensações proporcionadas pela experiência cinematográfica. Ela nos dá liberdade para acreditar no impossível, rir, chorar, enfim, criar um envolvimento como se o que está exposto na telona fosse um acontecimento do cotidiano.
Isso justifica, em parte, a escolha do segundo lugar. Melancolia, dirigido por Lars von Trier, é maravilhoso por passar uma sensação extrema de incômodo do início ao fim e, ainda assim, terminar de forma primorosa. Sobre o enredo, eu prefiro me apropriar das palavras do Rodrigo Oliveira, que o definiu perfeitamente com duas palavras: letargia apocalíptica. Aliás, já que nossas opiniões coincidiram, prefiro compartilhar a resenha dele – que fala por mim. Saí do cinema extasiada e, paradoxalmente, tomada por uma tristeza imensa.
O primeiro lugar não é surpresa para ninguém. Meia-Noite em Paris, de Woody Allen. Saí do filme tão maravilhada que sentei e escrevi sobre ele. E acreditem, isso raramente acontece. Adoro a sensação de acompanhar um assunto que me atrai de uma maneira leve e descontraída. Há quem o considere uma comédia romântica – e se for, seria uma exceção à categoria devido ao caráter inteligente do enredo.
As homenagens aos artistas, as inquietações do escritor, a a “declaração de amor” (ou quase isso) à imaginação… 2011 foi um ano que dependeu – e muito – da ficção para chegar até o fim de forma saudável e esse é, ao meu ver, o fator decisivo para colocá-lo em primeiro lugar. Em meio a tanto desespero, há um filme dizendo que sim, você pode acreditar na sua imaginação e fazer bom uso disso. Bem poderia ser assim sempre…
As melhores leituras de 2011
Se 2011 veio cheio de falhas técnicas, ao menos soube me amparar com ótimas leituras. Em 2010, em decorrência da mudança para São Paulo e todos os seus contratempos, minha lista foi lamentável. Fiz o papel da leitora relapsa e certamente não nutri o mínimo orgulho disso. Tentei reparar o erro em janeiro deste ano e, felizmente, recuperei parte do meu antigo hábito literário. Foi um ano, de certa forma, “eclético” (e atípico, diga-se de passagem). Redescobri certos autores, li clássicos que antes me assustavam e acabei encarando sem medo.
Já aproveito para justificar o título. Mentiria se colocasse “os melhores livros de 2011″, ou decepcionaria os mais desatentos. Creio que li poucos títulos lançados exatamente neste ano. Por sinal, fica como meta para 2012 – dar mais atenção aos lançamentos.
A ideia era escolher A melhor leitura, mas não consigo. Escolhi, em meio a muito sofrimento, 5 livros. Justificarei as escolhas em linhas gerais.
O quinto lugar ficou com Na Pior em Paris e Londres, de George Orwell. Livros catalogados no gênero Jornalismo Literário correm o sério risco de cair em desgosto na metade da leitura. Talvez seja um azar decorrente das minhas escolhas um tanto duvidosas, ou das inúmeras leituras acadêmicas – obrigatórias, vale reforçar. Na maior parte do tempo, o livro começa da forma mais empolgante possível e pouco depois já não consegue sustentar os argumentos iniciais.
É bem suspeito, visto que Orwell consagrou-se com obras tão envolventes quanto seus escritos não ficcionais. O livro aborda uma realidade desoladora com sutileza, e a narrativa flui sem grandes dificuldades. Eu o resenhei para o Blog do Meia Palavra.
A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, é um livro incrível. Entretanto, o escolhi para o quarto lugar mais pela experiência. Escrevi um pouco sobre isso neste post. A história é atípica, a começar pelo título pouco convencional. A construção das personagens é intensa, tanto que não há surpresa quando nos apegamos a elas como se fossem pessoas do nosso convívio.
A experiência da autora com a filosofia permeia toda a obra, o que não compreende uma desvantagem. Algumas passagens são mais densas e exigem maior atenção, mas a autora faz bom uso do conhecimento que possui na construção do enredo. Uma leitura envolvente e que passa uma sensação muito boa no final – ao menos para os mais apegados ao universo literário.
A escolha do terceiro título a entrar na lista foi complicada. Creio que a obra caberia tranquilamente na primeira posição. Porém, o fator obrigatoriedade me fez pensar duas vezes. E, ao menos nas escolhas aqui presentes, levo muito em conta a experiência da leitura como um todo.
Dom Quixote, o clássico de Cervantes, já figurou em muitas estantes – raramente em sua forma original. Quem nunca leu uma de suas muitas adaptações, em especial nas versões infantis? Tive receio antes de começar a versão original, e admito que nosso primeiro contato não foi pacífico – talvez por ser uma leitura imposta. Ainda assim, as passagens conseguiram me cativar aos poucos.
A primeira parte foi suficiente para me apegar às desventuras de Quixote e Rocinante. Eu ria sozinha a cada passagem. Os danos, porém, foram irreversíveis. Dom Quixote me tirou os pés do chão da forma mais dramática possível, por evidenciar o quão grave podem ser as conseqüências de sermos quixotescos desvairados (!).
Desonra, de J. M. Coetzee conquistou uma posição melhor por ser uma leitura nova em vários aspectos. Foi minha primeira participação em um Clube de Leitura, e o meu primeiro contato com a literatura africana.
E tinha mais – sempre leio alguma informação sobre o livro antes. Dessa vez fui à biblioteca e peguei Desonra sem muitas expectativas. Estava mais preocupada com o tempo – tinha apenas dois dias para finalizar a leitura. Vocês sabem, quando a obra não é fácil – ou quando é ruim mesmo – exige um olhar mais cuidadoso. Felizmente, meu receio passou em poucas páginas.
É um destaque na literatura contemporânea, ao menos para mim. Recomendo sem medo por abordar um tema polêmico sem ser pretensioso e não chegar perto de cair no óbvio. Destaco também a qualidade da narrativa, que, além de prender a atenção do leitor, serve como base para inúmeras discussões.
O primeiro lugar, mais que merecido, vai para Extremamente Alto & Incrivelmente Perto. Resenhei o segundo trabalho de Jonathan Safran Foer para o Site de Cultura Geral da faculdade, link que divulgo com ressalvas. Embora pareça exagero, é impossível transmitir meu encanto com a obra em alguns caracteres. Precisaria escrever uma tese (eu sei, é absurdo a tal ponto).
O livro pode soar um tanto exagerado e confuso durante o primeiro contato – o que não aconteceu comigo. O narrador central é Oskar Schell, mas a história possui relatos de outras personagens – as narrativas intercaladas se misturam aos poucos. Tive um comportamento ridículo durante a leitura – aceitável como justificativa alternativa para a escolha dele como a melhor leitura de 2011. Eu abraçava o livro constantamente como se fosse uma pessoa.
Peguei o livro na biblioteca e, antes de devolver, sofri recolhendo uma pilha de post-its cheios de anotações. E pensar que meu desespero foi em vão, visto que a Rocco lançou uma nova edição neste mês. A editora perdeu a oportunidade de publicá-lo novamente no advento dos dez anos do 11 de setembro e eu perdi a chance de riscá-lo à vontade logo na primeira leitura…




















